Ela não estava mais chorando. As lágrimas haviam desaparecido como se um interruptor tivesse sido acionado. Ela parecia presunçosa. Ela caminhou até o espelho ao meu lado e começou a arrumar o cabelo.
"Ops", ela disse, sua voz pingando falsa doçura. "Desculpe por aquilo lá atrás. Dante é tão... protetor."
Virei-me lentamente para encará-la. "Você acha que isso é um jogo?"
"Acho que estou ganhando", ela disse, encontrando meu olhar no vidro. Ela se inclinou mais perto. "Você tem o nome, Helena. Mas eu tenho ele. Eu tenho o coração dele. Eu tenho as noites dele. E," ela bateu no peito onde o anel estava escondido sob sua blusa, "eu tenho o diamante de verdade."
Eu olhei para ela, realmente olhei para ela. Ela era patética. Estava lutando por migalhas enquanto eu negociava impérios.
"Você é uma diversão passageira", eu disse, minha voz calma e letal. "Eu sou a instituição. Quando ele se cansar de você - e ele vai - você não será nada. Você é um aluguel de temporada, Melissa. Eu sou a escritura."
O rosto de Melissa se contorceu. A máscara caiu completamente.
"Ele te odeia", ela sibilou, o veneno substituindo a doçura. "Ele me diz que você é como um peixe na cama. Fria. Sem graça. Ele diz que só se casa com você pela aliança."
"E ele só te come porque você é fácil", rebati.
Melissa gritou. Foi um grito falso e agudo que arranhou as paredes de mármore.
Ela se jogou no chão, derrubando deliberadamente uma lixeira com um estrondo alto.
"Socorro!" ela gritou. "Pare! Por favor, não me bata!"
A porta se abriu quase instantaneamente.
Dante entrou correndo. Ele deve ter nos seguido até o corredor.
Ele viu Melissa no chão, soluçando. Ele me viu de pé sobre ela.
Ele não perguntou o que aconteceu. Ele nem mesmo olhou para mim.
Ele correu para Melissa.
"Melissa!" Ele se ajoelhou ao lado dela, pânico em seus movimentos. "O que aconteceu?"
"Ela me empurrou!" Melissa soluçou em seu peito, agarrando-se às lapelas dele. "Ela disse que eu era um lixo! Ela me deu um tapa!"
Era uma mentira. Uma mentira desajeitada e óbvia.
Dante olhou para mim então. Seus olhos ardiam de fúria.
"Qual é o seu problema?" ele gritou.
Recuei internamente, embora mantivesse meu rosto impassível. Ele nunca havia levantado a voz para mim antes.
"Ela está mentindo, Dante", eu disse calmamente.
"Olhe para ela!" Dante gritou, gesticulando para a mulher que fazia uma performance em seus braços. "Ela está apavorada! Você acha que porque é uma Vitale pode simplesmente intimidar as pessoas?"
"Eu não toquei nela."
"Chega", Dante retrucou. Ele pegou Melissa nos braços, segurando-a como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
"Vou levá-la para casa", ele disse, sua voz fria como gelo. "Arranje sua própria carona."
Ele saiu.
Ele deixou sua noiva no banheiro de uma boate para carregar sua amante para o carro dele.
Fiquei ali por um longo tempo, ouvindo o silêncio se instalar novamente na sala.
Eventualmente, saí da boate sozinha. Os seguranças olharam para mim com pena. Eu os odiei por isso.
Não chamei um motorista. Eu andei.
Meus saltos estalavam ritmicamente no pavimento. Chovia levemente. A água se misturou com o laquê no meu cabelo, grudando mechas no meu rosto.
Meus pés começaram a sangrar depois de dez quarteirões. Os sapatos vermelhos estavam apertando meus dedos, cortando a pele.
Acolhi a dor. Era aguda. Era real. Me lembrava que eu ainda estava viva.
Andei todo o caminho de volta para a cobertura.
Subi e me movi com precisão mecânica. Fiz uma mala. Não uma grande. Apenas o essencial. Meu passaporte. Meu laptop. O disco rígido com meus manuscritos.
Fui ao cofre. Tirei a caixa de veludo com os brincos de diamante que ele me deu esta manhã. Dei descarga neles no vaso sanitário sem um segundo olhar.
Tirei o anel de noivado. O falso Diamante Rosa da Graff.
Deixei-o no balcão da cozinha. Ao lado, deixei um bilhete.
Era uma palavra.
*Aproveite.*
Fui para a porta da frente. Acionei a tranca. Mudei o código digital para que ele ficasse trancado para fora de sua própria vida.
Sentei-me no sofá no escuro.
Esperei o sol nascer. Esperei por Enzo.