Eu tinha conseguido. Eu havia garantido a aliança. Eu havia mantido Melissa quieta com uma pulseira de diamantes e a promessa de uma cobertura em Manhattan. E eu tinha Helena, a esposa perfeita e obediente que acreditava nas minhas mentiras.
Chequei meu relógio. Ela estava cinco minutos atrasada.
Tradicional, pensei.
Meu padrinho, Luca, se inclinou. "Você parece nervoso, chefe."
"Não estou nervoso", eu disse, ajustando meus punhos. "Estou vitorioso."
Então vi movimento no corredor lateral.
Melissa estava lá. Ela estava envolta em um vestido preto e um véu, como se estivesse em um funeral em vez de uma coroação.
Senti uma pontada de adrenalina. A segurança deveria tê-la mantido do lado de fora.
Ela encontrou meu olhar. Ela articulou a palavra: *Por favor.*
Desviei o olhar. Endureci meu coração. Ela era uma distração. Helena era o prêmio.
A música do órgão cresceu. As pesadas portas de carvalho no fundo da igreja rangeram ao se abrir.
Ajeitei minha gravata. Coloquei meu sorriso.
Os convidados se levantaram. Eles se viraram para olhar.
Mas o corredor estava vazio.
A música continuou, preenchendo o vazio. As daminhas de honra já haviam espalhado suas pétalas. Elas se sentaram nos degraus, parecendo confusas e mexendo em suas cestas.
Dez minutos se passaram.
Os murmúrios começaram. Um zumbido baixo de sussurros que soava como insetos zumbindo em uma colmeia.
Olhei para o pai de Helena na primeira fila. Don Vitale não estava olhando para a porta. Ele estava olhando para mim. Seu rosto era de granito.
Ele sabia.
Tirei meu celular do bolso, ignorando o olhar escandalizado do padre.
Disquei para Helena.
Direto para a caixa postal.
Disquei para a mãe dela. Bloqueado.
Olhei para Luca. "Vá checar o camarim."
Luca correu. Ele voltou dois minutos depois. Parecia pálido.
"Está vazio, Dante. Não há vestido. Não há maquiagem. Nada."
A ficha caiu como uma bala no peito.
Ela não estava atrasada.
Ela não viria.
Fiquei ali, sozinho no altar, enquanto quinhentas pessoas assistiam o Garoto de Ouro da família Ferraz se transformar em uma piada.
O silêncio na catedral era mais alto que qualquer grito.