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A Noiva Abandonada Casa-se com o Capo Impiedoso
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5 Capítulo
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Capítulo 5 Capítulo

Eram 3 da manhã quando o ouvi na porta.

A maçaneta chacoalhou primeiro, seguida pelo bipe do teclado. Ele tentou o código. Foi negado.

Ele tentou de novo, desta vez com mais agressividade. Então, a frustração tomou conta, e ele começou a esmurrar a madeira.

"Helena! Abra a porta!"

Eu não me movi. Sentei-me imóvel na sala de estar, saboreando uma taça de vinho que há muito tempo esquentara.

Ele ligou para o meu celular. Observei a tela se acender na mesa de centro, vibrando contra o vidro. Eu não atendi.

Eventualmente, as batidas pararam. O silêncio retomou o corredor. Ele deve ter ido para um hotel. Ou de volta para a Melissa.

Dormi no sofá, mantendo minha vigília.

Na manhã seguinte, ele usou sua chave. Ele invadiu o apartamento, parecendo desgrenhado, com a gravata desfeita e os olhos vermelhos.

"Por que você mudou o código?" ele exigiu, jogando as chaves no console. "Fiquei trancado do lado de fora a noite toda!"

Olhei para cima do meu café, minha expressão indecifrável. "Eu sei."

Ele parou abruptamente. Ele viu o anel no balcão onde eu o havia deixado.

Ele empalideceu, a cor sumindo de seu rosto. "Helena, querida, escute. Ontem à noite... eu estava bêbado. Não quis te deixar. Eu só... me senti mal pela garota. Você sabe como eu sou. Tenho um complexo de herói."

"Um complexo de herói", repeti secamente, testando o absurdo das palavras.

"Sim. Eu exagerei. Me desculpe." Ele tentou me abraçar, estendendo as mãos desesperadas.

Levantei-me e me afastei, colocando o sofá entre nós. "Não me toque."

Ele pareceu magoado, um beicinho ensaiado se formando em seus lábios. "Vamos, Helena. Não seja assim. O casamento é em dois dias. Olha o que eu trouxe para você."

Ele apontou para uma capa de roupa pendurada perto da porta. "Seu vestido voltou dos ajustes finais. Está perfeito."

Era um vestido personalizado da Vera Wang. Custava mais do que a maioria das pessoas ganhava em uma década.

"Vista-o", ele insistiu, sua voz suavizando em um tom suplicante. "Deixe-me ver você nele. Vai nos fazer sentir melhor."

Encarei a capa de plástico branca. Não parecia um vestido de noiva. Parecia um saco para cadáveres.

"Ok", eu disse.

Levei o vestido para o quarto. Eu o vesti.

Serviu perfeitamente. Ele espartilhou minha cintura e se abriu em camadas de seda e tule. Eu parecia um conto de fadas.

Não. Eu parecia um sacrifício.

Saí para a sala de estar.

Os olhos de Dante se arregalaram. "Uau. Helena. Você está... deslumbrante."

Ele caminhou em minha direção, já pegando o celular para tirar uma foto.

Antes que ele pudesse tirar a foto, seu celular tocou.

Ele olhou para a tela. Seu rosto mudou instantaneamente. O sorriso desapareceu, substituído por um flash de pânico.

"Preciso atender", ele disse.

Ele foi para a varanda, fechando a porta de vidro, mas sem travá-la. Ele não fechou a porta completamente.

Aproximei-me, silenciosa como um fantasma. Fiquei nas sombras da cortina.

"Melissa, pare de chorar", ele sibilou no receptor. "Não posso ir aí agora. Ela está experimentando o vestido... Sim, eu sei que prometi... Não, eu não a amo. Você sabe disso. Ela é uma estátua. Ela é exaustiva. Você é o meu coração. Você me faz sentir como um homem."

Fechei os olhos.

*Ela é uma estátua.*

"Ok, ok", disse Dante, esfregando a têmpora. "Estou indo. Vou dizer a ela que é um problema com uma carga. Estarei aí em vinte minutos."

Ele desligou.

Ele voltou para dentro, compondo suas feições em uma máscara de arrependimento.

"Helena, sinto muito", ele disse. "Há um problema no porto. Uma carga de... mercadorias... foi apreendida. Tenho que ir resolver pessoalmente."

"No meio do dia?" eu perguntei.

"É urgente. Vida ou morte." Ele beijou minha bochecha, seus lábios parecendo uma marca de ferro. "Você está linda. Tire o vestido. Guarde-o para o altar."

Ele saiu correndo pela porta.

Eu o observei ir.

Meu celular vibrou.

Era uma mensagem de um número desconhecido.

Era uma foto.

Eram Dante e Melissa. Eles estavam em um carro. Ele estava dirigindo. A mão dele repousava intimamente entre as pernas dela.

A legenda dizia: *Ele veio correndo.*

Algo dentro de mim se partiu. Não foi um estalo alto. Foi o som silencioso de uma amarra se rompendo, me separando da pessoa que eu costumava ser.

Fui para a cozinha. Abri a gaveta de utilidades.

Peguei a tesoura de alta resistência.

Voltei para o espelho. Olhei para o vestido.

Peguei a tesoura e a enfiei na saia de seda.

Eu rasguei. Eu cortei. Eu destruí.

Eu retalhei o corpete. Eu piquei o tule.

O tecido branco caiu no chão como neve morta.

Saí das ruínas do vestido. Fiquei ali, de lingerie, cercada pelos destroços do meu futuro.

Eu me senti leve.

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