"Seraphina, não faça uma cena", ele avisou, sua voz baixa. "Eu te dou um cheque. Quanto vale? Cinco mil? Dez?"
Olhei para ele, meu olhar queimando com um ódio frio e absoluto.
"Você não pode comprar sangue, Dante."
Jéssica segurou o pingente sobre o chão de concreto implacável.
"Ops", ela sorriu.
Ela soltou.
A gravidade pareceu levar uma eternidade.
Eu me lancei, desesperada, mas a distância era um abismo intransponível.
O jade atingiu o chão.
Não apenas rachou.
Ele se desintegrou.
A delicada flor de lótus esculpida explodiu em uma dúzia de fragmentos verdes e irregulares.
Para mim, o som da pedra se quebrando foi mais alto que um tiro. Foi o som de um coração parando.
Um silêncio pesado sufocou a sala.
Até os soldados ficaram imóveis. Eles sabiam. Destruir uma herança de família era uma linha que não se cruzava. Era uma declaração de guerra.
Eu encarei a ruína.
O sorriso da minha mãe. Seu sacrifício. Sua memória.
Tudo quebrado em um chão de boate sujo por uma mulher que não significava nada.
Algo dentro de mim se partiu.
Não, não se partiu. Morreu.
A coleira que usei por três anos - a submissão, o silêncio - se desintegrou em cinzas.
Eu não pensei.
Eu apenas agi.
Fechei a distância entre nós em um borrão de intenção letal.
Jéssica nem teve tempo de recuar.
Minha mão envolveu sua garganta, empurrando-a para trás contra o pilar mais próximo com um baque surdo.
Seus olhos se arregalaram, o pânico inundando seu olhar.
O copo que ela segurava caiu, quebrando-se em simpatia com o jade.
"Você quebrou", eu sibilei, meu rosto a centímetros do dela, minha voz uma promessa silenciosa de violência.
Apertei meu aperto, sentindo o pulso vibrar descontroladamente sob meu polegar.
Vi o medo substituir a arrogância em seus olhos. Bom.
"Ei!", Dante gritou.
Ele agarrou meu ombro, seus dedos cravando, tentando me arrancar de lá.
"Solta ela, sua vadia louca!"
Ele me puxou para trás.
Eu girei, usando seu próprio impulso como uma arma.
Quebrei seu aperto com um giro rápido e calculado do meu tronco - a memória muscular das lutas clandestinas assumindo o controle.
Dante cambaleou para trás, um choque genuíno passando por seu rosto.
Ele se lançou sobre mim novamente, agarrando meu pulso para me conter.
Seu pesado anel de sinete cortou minha pele, desenhando uma linha de um vermelho vivo.
Esse foi o catalisador.
Eu não me encolhi.
Eu não chorei.
Eu balancei minha mão livre.
O estalo ecoou pelo clube como o chicote de um carrasco.
Minha palma conectou com sua bochecha com força cinética suficiente para virar sua cabeça para o lado.
A sala inteira ofegou. O som sugou o ar do espaço.
Ninguém bate em um Capo.
Especialmente uma mulher.
Dante tocou sua bochecha, seus olhos arregalados, lutando para processar a realidade ardente.
"Você...", ele gaguejou.
Dei um passo para trás, meu peito arfando, a adrenalina cantando em minhas veias.
"Eu não sou sua serva, Dante", eu disse, minha voz tremendo não de medo, mas de pura fúria. "E eu não sou sua vítima."
Ajoelhei-me.
Ignorando o sangue que pingava da minha mão para se misturar com a poeira, peguei os maiores cacos do jade.
As bordas afiadas cortaram meus dedos, mas a dor me ancorou.
Era real. Era a única coisa real nesta sala.
Levantei-me, segurando os pedaços quebrados contra meu coração.
Dante ainda estava congelado, seu rosto corando em um vermelho profundo e humilhado.
Olhei para ele uma última vez, gravando seu rosto em minha memória para mais tarde.
"Você queria fogo, Dante?"
Passei por cima do vidro quebrado.
"Você acabou de acender o fósforo."
Saí da boate, deixando um rastro de gotas de sangue no chão como migalhas de pão.
Lá fora, o ar frio da noite bateu no meu rosto, sóbrio e cortante.
Não fui para o meu carro.
Entrei nas sombras profundas do beco, deixando a escuridão me engolir.
Peguei meu celular, a tela brilhando na penumbra.
Digitei uma mensagem para a única pessoa que poderia consertar o que havia sido quebrado.
Não um joalheiro.
Um contato no mercado negro.
"Preciso de um serviço urgente", digitei. "Restauração de jade. Para hoje à noite."
Apertei enviar.
Olhei para o céu noturno indiferente.
A garota Vitiello estava morta.
A Fantasma havia nascido.