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Entre a lei e o crime: Isabel Oliveira
img img Entre a lei e o crime: Isabel Oliveira img Capítulo 4 Sem notícias
4 Capítulo
Capítulo 6 Muito preocupada img
Capítulo 7 Delegado abusado img
Capítulo 8 Próximo encontro img
Capítulo 9 O Peso do Milagre img
Capítulo 10 Dez dias img
Capítulo 11 O Gosto do Remorso img
Capítulo 12 Caso encerrado img
Capítulo 13 Entre Lutos e Desejos img
Capítulo 14 O Peso da Insígnia img
Capítulo 15 Está bem img
Capítulo 16 Um Trono de Vidro img
Capítulo 17 O Castelo de caos img
Capítulo 18 Advinha img
Capítulo 19 Bom de números img
Capítulo 20 Sobre o moleque img
Capítulo 21 O passado condena img
Capítulo 22 Tome jeito img
Capítulo 23 Sombras e Certidões img
Capítulo 24 Em parte img
Capítulo 25 Névoa de luxúria img
Capítulo 26 Fã de fogo img
Capítulo 27 Nada é simples img
Capítulo 28 A paz da casa img
Capítulo 29 Ponta do iceberg img
Capítulo 30 O dever chama img
Capítulo 31 Não encosta img
Capítulo 32 Restava de sanidade img
Capítulo 33 Mandei comprar img
Capítulo 34 Tinha entregado img
Capítulo 35 Tem que ser img
Capítulo 36 Ainda não img
Capítulo 37 Tu é minha img
Capítulo 38 Tempero da Zaya img
Capítulo 39 Folga img
Capítulo 40 Uma desculpa img
Capítulo 41 Fiel ou não. img
Capítulo 42 Suficiente para você img
Capítulo 43 Seu sonho img
Capítulo 44 Perseguição pessoal img
Capítulo 45 Amor e sacrifício img
Capítulo 46 Chegasse junto img
Capítulo 47 Está na costura img
Capítulo 48 Só eu img
Capítulo 49 Terra do frio img
Capítulo 50 Era ele img
Capítulo 51 Cercas eletricas img
Capítulo 52 Vá atrás dela img
Capítulo 53 Meu instinto img
Capítulo 54 Diferente de tudo. img
Capítulo 55 Ele não sabia img
Capítulo 56 E se img
Capítulo 57 Coisa de mulher img
Capítulo 58 Matar Vitório img
Capítulo 59 O Jogo de Poder img
Capítulo 60 O gordinho img
Capítulo 61 O Rio não para img
Capítulo 62 Eu sou mulher img
Capítulo 63 Para ser sincera img
Capítulo 64 Tia img
Capítulo 65 Negativo img
Capítulo 66 Entregue de bandeja img
Capítulo 67 Não, ainda não img
Capítulo 68 Mulher de traficante img
Capítulo 69 Descendo no elevador img
Capítulo 70 Tô aqui no quarto img
Capítulo 71 Veremos isso img
Capítulo 72 Tenho medo img
Capítulo 73 Tu raspou img
Capítulo 74 Vai casar img
Capítulo 75 Seda branca img
Capítulo 76 Centro do furacão. img
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Capítulo 4 Sem notícias

Isabel Silva

O sangue fervia nas minhas têmporas. A cada minuto que passava sem notícias de Zaya Oliveira, o caso cheirava mais a queimado, e o que restava da minha paciência tinha ficado em algum lugar entre o café frio e a insolência dessa mulher na minha frente.

Fechei a porta da sala revirada, tv sobre poltrona, sofá revirado, tapete largado, tudo uma zona largada pelos os meus homens, e o estalo do trinco pareceu um gatilho. Eu a encurralei contra a parede, ou contra a minha própria sanidade, já nem sabia mais. Toda aquela história parecia me levar para um novelo sem ponta, sem fio algum para se apegar.

- Então me prenda, delegado - ela sussurrou, e a voz dela agora era um desafio que me atingiu no baixo ventre. - Me prenda, me revista, faça o que quiser... mas pare de perder tempo e encontre a Zaya.

O desafio estava lançado. Ela estava entregue ao ódio, e eu estava perdendo a guerra contra o meu próprio controle. Envolvi a nuca dela com uma das mãos, os dedos se perdendo naquele cabelo indomável, forçando-a a olhar para mim. Eu conseguia sentir o calor da respiração dela na minha pele.

Eu era um ignorante? Talvez. Mas ali, entre o sumiço da irmã e o cheiro de carro queimado, a única coisa que parecia real era a vontade de esmagar aquela insolência dela contra a minha boca e descobrir se ela tinha o mesmo gosto de perigo que exalava. O silêncio na sala era tão denso que eu podia ouvir os nossos batimentos se atropelando. Eu estava a um centímetro de mandar o meu distintivo e a minha carreira para o inferno por uma marmita de bandido qualquer, a sua boca me afrontava, como um convite ao desemprego ou para a morte.

O silêncio na sala foi subitamente devorado pela eletricidade entre nós. Eu vi o desafio nos olhos dela, vi a dor se misturando com uma entrega que me deu um soco no juízo. Eu não era um homem de dúvidas; eu era um homem de ação. E naquele momento, a única ação que meu corpo entendia era silenciar aquela boca atrevida que me chamava de ignorante enquanto me incendiava.

Eu não a beijei com delicadeza. Eu a tomei.

Minha boca colidiu com a dela em um choque de dentes e urgência. Foi um beijo com gosto de fúria e de uma fome que parecia acumulada há anos. Isabel soltou um som baixo, um misto de surpresa e desejo, enquanto suas mãos, que antes me empurravam, subiram para os meus ombros, agarrando o tecido da minha camisa com força.

Ela era quente, viva, e correspondia ao meu toque com uma intensidade que quase me fez esquecer que estávamos dentro da casa da vitima e do culpado. Puxei seu corpo com mais força contra o meu, sentindo cada curva, cada centímetro daquela pele bronzeada que cheirava a perigo. Meus dedos se enterraram no seu cabelo, mantendo-a presa a mim, enquanto minha língua explorava a dela com uma possessividade que eu não tinha o direito de sentir.

O mundo lá fora, o carro queimado, os suspeitos, o distintivo, deixou de existir. Só havia o calor daquela mulher e a forma como ela se arqueava contra mim, querendo mais, pedindo por um alívio que só aquele fogo mútuo podia dar.

- TOC! TOC! TOC! - O som da madeira sendo golpeada foi como um tiro de advertência.

- Delegado Vitorio? - A voz do sargento Batista veio do outro lado, abafada mas urgente. Eu me afastei bruscamente, a respiração tão pesada que meus pulmões chegavam a doer. Meus lábios ainda formigavam com o gosto dela, e o olhar que Isabel me lançou, nublado, lábios inchados e as bochechas coradas, quase me fez mandar o sargento para o inferno.

Passei a mão pelo cabelo, tentando reorganizar meus pensamentos enquanto o sangue ainda latejava nas minhas têmporas. Isabel recuou um passo, ajeitando a blusa com as mãos trêmulas, mas não desviou o olhar. O desafio ainda estava lá, mas agora havia algo mais: uma marca que nós dois sabíamos que não seria apagada.

- Entra! - Rosnei para a porta, sem tirar os olhos dela por mais um segundo.

A porta se abriu e Batista entrou, parando o olhar entre mim e Isabel, sentindo que o ar na sala estava espesso o suficiente para ser cortado com uma faca.

- Delegado... - Batista limpou a garganta, desconfortável. Meus lábios ainda queimavam com o gosto de Isabel. Batista entrou, os olhos desviando do estado desalinhado de Isabel, mas a urgência no seu rosto era absoluta.

- Delegado, o Zamutti acabou de sair. Ele pegou o carro em alta velocidade e não parece que está indo para casa. O rastreador que colocamos por precaução aponta para a zona norte.

- Para a favela? - Perguntei, ajeitando a minha arma na cintura.

- Exato. Ele está entrando em área de risco. Devemos seguir?

- Agora! - Rosnei. Olhei para Isabel. Ela estava pálida, os lábios inchados pelo meu beijo, mas os olhos ainda brilhavam com aquela lealdade cega ao cunhado. - Fica aqui, Isabel. É uma ordem.

- Eu vou com você! - Ela rebateu, mas eu já estava no corredor.

Não esperei e certamente vir, ela não viria, já que a sala estava lotada de meninos para todos os tons, havia negros, morenos, até uma loirinha de olhos verde jazia naquela sala.

O motor da viatura descaracterizada rugiu enquanto eu cortava o trânsito, ignorando sinais vermelhos. O GPS de Batista indicava o caminho. Marcos Zamutti, o "homem perfeito", o "esteio da família", estava se enfiando em um dos buracos mais perigosos da cidade. Por quê? Só havia uma resposta na minha cabeça: queima de arquivo ou acerto de contas.

Entramos na comunidade sob olhares hostis. O carro de Marcos estava parado no final de um beco sem saída, sob a sombra de um galpão abandonado. Estacionei a duas quadras e seguimos a pé, nos movendo pelas sombras.

O que vi ao dobrar a esquina fez o meu sangue gelar.

Marcos estava lá, de pé, cercado por três homens armados com fuzis. A postura dele não era de medo. Era de negociação. Um dos sujeitos, um tipo magro com cicatrizes no pescoço, entregava algo para ele algo como um maço de notas ou um documento, não dava para ver de longe, enquanto apontava para o fundo do galpão.

- É o contato - Batista sussurrou ao meu lado, já destravando a arma. - Esses certamente foram os caras que sumiram com a mulher.

A imagem de Isabel defendendo a "pureza" do cunhado brilhou na minha mente como uma piada de mau gosto. Ela estava sendo enganada por um mestre. Ou pior, ela era o álibi perfeito dele.

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