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Entre a lei e o crime: Isabel Oliveira
img img Entre a lei e o crime: Isabel Oliveira img Capítulo 5 O Peso do Segredo
5 Capítulo
Capítulo 6 Muito preocupada img
Capítulo 7 Delegado abusado img
Capítulo 8 Próximo encontro img
Capítulo 9 O Peso do Milagre img
Capítulo 10 Dez dias img
Capítulo 11 O Gosto do Remorso img
Capítulo 12 Caso encerrado img
Capítulo 13 Entre Lutos e Desejos img
Capítulo 14 O Peso da Insígnia img
Capítulo 15 Está bem img
Capítulo 16 Um Trono de Vidro img
Capítulo 17 O Castelo de caos img
Capítulo 18 Advinha img
Capítulo 19 Bom de números img
Capítulo 20 Sobre o moleque img
Capítulo 21 O passado condena img
Capítulo 22 Tome jeito img
Capítulo 23 Sombras e Certidões img
Capítulo 24 Em parte img
Capítulo 25 Névoa de luxúria img
Capítulo 26 Fã de fogo img
Capítulo 27 Nada é simples img
Capítulo 28 A paz da casa img
Capítulo 29 Ponta do iceberg img
Capítulo 30 O dever chama img
Capítulo 31 Não encosta img
Capítulo 32 Restava de sanidade img
Capítulo 33 Mandei comprar img
Capítulo 34 Tinha entregado img
Capítulo 35 Tem que ser img
Capítulo 36 Ainda não img
Capítulo 37 Tu é minha img
Capítulo 38 Tempero da Zaya img
Capítulo 39 Folga img
Capítulo 40 Uma desculpa img
Capítulo 41 Fiel ou não. img
Capítulo 42 Suficiente para você img
Capítulo 43 Seu sonho img
Capítulo 44 Perseguição pessoal img
Capítulo 45 Amor e sacrifício img
Capítulo 46 Chegasse junto img
Capítulo 47 Está na costura img
Capítulo 48 Só eu img
Capítulo 49 Terra do frio img
Capítulo 50 Era ele img
Capítulo 51 Cercas eletricas img
Capítulo 52 Vá atrás dela img
Capítulo 53 Meu instinto img
Capítulo 54 Diferente de tudo. img
Capítulo 55 Ele não sabia img
Capítulo 56 E se img
Capítulo 57 Coisa de mulher img
Capítulo 58 Matar Vitório img
Capítulo 59 O Jogo de Poder img
Capítulo 60 O gordinho img
Capítulo 61 O Rio não para img
Capítulo 62 Eu sou mulher img
Capítulo 63 Para ser sincera img
Capítulo 64 Tia img
Capítulo 65 Negativo img
Capítulo 66 Entregue de bandeja img
Capítulo 67 Não, ainda não img
Capítulo 68 Mulher de traficante img
Capítulo 69 Descendo no elevador img
Capítulo 70 Tô aqui no quarto img
Capítulo 71 Veremos isso img
Capítulo 72 Tenho medo img
Capítulo 73 Tu raspou img
Capítulo 74 Vai casar img
Capítulo 75 Seda branca img
Capítulo 76 Centro do furacão. img
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Capítulo 5 O Peso do Segredo

Isabel Oliveira

Quatro dias. Três noites. E o silêncio de Zaya Oliveira era um grito que não parava de ecoar nas paredes desta casa. Mário voltou da delegacia com as mãos vazias, e cada vez que eu olhava para as quatro crianças esperando por ela, meu peito se partia. Não era só eles; nós estávamos todos abandonados. Marcos tentava ser o forte, Mário derretia-se feito manteiga no calor, perdido entre controladores de pressão arterial e copos de leite para cortar o efeito da agonia.

Enquanto isso, em mim, a culpa pesava. E era uma culpa maior, suja. O mesmo homem que agora caçava provas contra o meu cunhado era o homem com quem eu tinha me atracado naquela sala. Como eu pude fazer isso? Me senti a pior das cachorras. Zaya era o solo da minha vida, e naquele momento de dor profunda, eu estava querendo ser dividida no meio por aquele delegado.

Ele mal tinha partido quando o Grego chegou. Veio todo afoito, perguntando por Marcos, exalando aquele cheiro de perigo que eu conhecia bem. Tudo o que eu fiz foi engolir o choro e dar as costas para ele.

- Ô nega, fica assim não. Vamo encontrar ela - Grego disse, tocando o meu ombro e beijando o topo da minha cabeça.

Ele tinha seus momentos brutos, e eu já tinha minhas certezas de que não era a única para ele. Mas o que eu poderia cobrar? Chefe de morro, traficante, envolvidão com tudo e, como ele mesmo dizia, um "homem do povo".

- Então não promete, Grego! - Eu me virei mais que virar na desgraça.

A raiva nem era só com ele, era comigo mesma pelo que fiz. O cara grande... esse era o meu mal. O Rio tinha dessas coisas: homens grandes, fortes e, pior, tatuados. Eu sabia que tinha vindo parar no lugar errado, e Grego era um dos motivos. No começo, ele queria a minha irmã, mas quando a Zaya o despachou, eu não dei tempo. Foi nos fundos do restaurante mesmo que eu dei para ele.

Lembrei das mãos apoiadas na parede de metal, a calcinha que nem sei onde ficaram os pedaços. Ele mal esperou; meteu a boca em mim com vontade, uma lapa de chupada na minha boceta que me fez perder o rumo. E quando meteu a cabeça, dizendo que era um pouco grande, eu já estava era toda lambuzada por aquele criminoso pauzudo. Ele me fez revirar os olhos quando senti a bichinha molhadinha recebendo ele todo.

Mas agora, olhando para o Grego ali na minha frente, todo aquele fogo tinha ido embora. A pior sensação era a de ser quenga, ainda mais com a irmã sumida.

- Calma nega, calma... eu sei que tu tá nervosa - ele disse, recuando diante do meu olhar, até passar pela porta e se mandar de uma vez.

A culpa pairava em mim. E não era por ter traído o Grego, aquilo tinha sido apenas uma gaia diante das mil que ele já devia ter colocado em mim. O peso era pela pessoa. Pelo delegado. Pelo desejo que não morria nem diante da morte, eu tomei uma decisão, nunca mais ver ele, mesmo que me trouxesse Zaya de volta, era a minha promessa.

No domingo, o céu desabou. A desgraça não bateu na porta, ela chutou tudo. A prisão de Marcos foi decretada e aquele infeliz, aquele delegado de olhar cortante, levou o meu cunhado como se estivesse levando um saco de lixo. As crianças, que já viviam no limite do susto, desabaram. Minhas rezas e promessas, que eu tinha feito com tanta fé, cessaram no mesmo instante. Se Deus não ia ajudar, eu também não ia mais pedir.

Mário chorava sem parar, um desespero que me dava náuseas. Eu não tinha outra saída. Com Zury nas ancas, sentindo o peso da menina e a agonia do momento, saltei do carro. Eu ainda estava de camisola bege, os cabelos de qualquer jeito, sentindo a mãozinha da minha sobrinha se enfiando nos meus peitos em busca de um conforto que eu mal conseguia dar.

- Posso saber qual a razão de levar o Marcos? - Desci desaforada, a voz cortando o ar da delegacia.

Vi os soldados levando o Marcos algemado, a imagem mais injusta do mundo. Mas fui sumariamente ignorada pelo Vitorio. Ele estava lá, num jeans pouco justo que marcava as pernas fortes e uma blusa social vermelha escura que o deixava com um ar de autoridade perversa. Entrou na delegacia com o nariz empinado, assombiando, girando a chave do carro preto, de pura pirraça, como se eu fosse apenas um mosquito zumbindo atrás dele.

Eu o segui. Zury gritava do carro, agora amparada por Ulisses, marido de Mário, meu cunhado, a menina chamava pelo pai, um som que rasgava a alma. Dadai não tinha condição nem de cuidar de si mesmo, imagina da pequena. Tinha Nega, nossa irmã mais nova, mas eu não confiava nela nem para atravessar a rua.

Vitorio entrou na sala dele, impune. A porta mal se fechou e eu entrei junto, atropelando o policial que tentou me barrar. Passei por aquela porta pronta para levar tudo pelos ares.

- Posso saber por que está prendendo o Marcos? - Perguntei, surtada, sentindo o sangue latejar nas têmporas.

Ele, com uma cautela que me irritava, sentou-se atrás da mesa. Aquele homem não tinha pressa, não tinha nervos.

- Muito preocupada com o seu cunhado, não? Quem está desaparecida não é sua irmã? - Ele disse calmamente, o fi da peste.

Eu rosnei um xingamento entre os dentes, sentindo o ódio e aquela atração maldita brigarem dentro de mim. Vitorio me olhava com aquele olhar de gato do mato, me varrendo de cima a baixo com um riso curto de desdém que me fez arder. Só então eu me olhei.

Eu estava ali, na frente dele, de camisola bege, sem sutiã, com a marca dos dedos da Zury no meu peito e a pele exposta. O desdém dele era o combustível para o meu fogo. Ele sabia o efeito que tinha sobre mim, e eu odiava o fato de que, mesmo no meio da ruína da minha família, o meu corpo ainda reagia ao modo como ele preenchia aquela camisa vermelha.

O clima na sala pesou, o ar ficando tão escasso que parecia que as paredes estavam se fechando em cima de nós, a minha atenção estava toda naquele homem cínico sentado à minha frente.

- Só quero saber porque você o prendeu? - Minha voz saiu num tom perigoso. - Claro que estou preocupada com a minha irmã, quero saber o andamento das coisas ai... O senhor prende um homem de bem enquanto o sequestrador da minha irmã deve estar rindo da sua incompetência em algum lugar desse Rio de Janeiro!

Vitório não se abalou. Ele se levantou devagar, com a elegância de quem sabe exatamente o poder que tem. A blusa vermelha social esticava no peito largo conforme ele rodeava a mesa, vindo na minha direção com aquele passo de quem não tem pressa de dar o bote.

- Homem de bem, Isabel? - Ele repetiu, parando a centímetros de mim. - O seu "homem de bem" tem conexões que você nem imagina, já esteve a frente de morro, já foi preso, julgado, acusado de morte dos pais. E se você tem tanta certeza assim, por que não gasta essa energia me trazendo provas do contrário em vez de vir aqui de camisola gritar no meu ouvido?

Ele se inclinou, e o cheiro dele, aquele perfume amadeirado misturado com o cheiro de homem limpo, me atingiu em cheio. Meus olhos caíram para a boca dele, o riso de desdém ainda ali, enquanto o olhar de gato do mato continuava a me despir por baixo daquela camisola bege fina. Os cabelos da minha periquita crescendo feito mato, nesse dessassego eu nem tinha cabeça para pensar nisso, mas nesta hora pesou, era preto, grossos e certamente marcava naquele tecido.

- Você está cego, Vitório - eu disse, a voz falhando enquanto eu tentava recuar, mas as costas bateram na porta fechada, eu conhecia a história de Marcos, aliás, quem não conhecia lá em casa? - Cego pela sua vontade de ser o herói que prende um ex-condenado.

- E você, Isabel? - Ele sussurrou, a mão grande subindo e parando na porta, logo acima da minha cabeça, me cercando. - Está cega pelo quê? Pela lealdade a um cunhado ou pela vontade de estar aqui, desafiando a lei só para ter a minha atenção?

O desafio dele me queimou. Zury gritava lá fora, ele olhou para além de mim, pelo choro que incomodava depois voltou para mim, a expressão mudando de deboche para algo muito mais sombrio e denso. A proximidade era um pecado. Eu sentia o calor do corpo dele através da seda fina da minha roupa. Minha respiração ficou curta, os mamilos endurecendo sob o tecido bege, e eu soube que ele viu. Ele deu aquele sorriso curto de novo, mas dessa vez não tinha desdém. Tinha fome, passou a mão pelo rosto, a mão grande, enorme, veiosa, marcada.

- Prova, Isabel - ele murmurou, o rosto agora tão perto que eu sentia o hálito dele na minha pele. - Me prova que eu estou errado. Porque, até agora, a única coisa que você está me provando é que não consegue ficar longe de mim, nem no meio da desgraça da sua família.

Eu queria esbofetear a cara dele, mas minhas mãos tremiam. Eu queria gritar que o odiava, mas meu corpo inteiro pedia para que ele calasse a minha boca de uma vez por todas.

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