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"O número discado está ocupado no momento. Por favor, tente mais tarde." A mensagem automática soava distante e insensível.
Do lado de fora do cartório em Gridron, Kristine Green, vestida num terno cinza-escuro, estava parada rigidamente.
O frio do vento de outono tirava qualquer traço de calor das suas feições marcantes e elegantes, seus dedos cerrados em volta de um documento que já estava amassado demais para ser recuperado.
Este deveria ser o dia em que ela se casaria oficialmente com seu namorado, Colton Yates. Desde a manhã, ela ficou esperando, mas ele nunca apareceu.
A essa altura, ela nem conseguia contar quantas vezes ele já a deixou esperando assim.
Ao tentar o número de Colton mais uma vez, a mesma voz mecânica a atendeu novamente.
Quando Kristine finalmente desviou o olhar, um alerta de notícias de última hora iluminou a tela do seu celular.
"O CEO do Grupo Yates, Colton Yates, comparece ao aeroporto para receber sua namorada que está voltando do exterior. O casal se reencontra de forma carinhosa e demonstra afeto abertamente."
Apesar do medo, a curiosidade a levou a abrir a notícia, e uma imagem preencheu a tela - Colton num terno preto sob medida, sua postura imponente e natural, e mesmo de lado, seu perfil marcante capaz de chamar a atenção.
O que mais detacava-se na foto era a ternura refletida no olhar dele. Ao ver isso, uma curva leve e amarga se formou nos lábios de Kristine.
Ela nunca tinha visto Colton tão gentil ou carinhoso com alguém. Agora, ficou claro para ela que Elyse Lloyd sempre foi a mulher que ele nunca conseguiu esquecer.
Afinal, bastou uma única ligação dela para ele abandonar um dia que deveria ser mais importante do que qualquer outra coisa.
Nesse momento, o celular de Kristine vibrou novamente, e uma nova mensagem apareceu na tela: "Você já viu a notícia, não viu? Se ainda tiver algum orgulho, deveria deixar Colton imediatamente."
Foi Elyse quem mandou - a mulher que claramente tinha o coração de Colton.
Ao rolar a tela para cima, Kristine encontrou uma mensagem que Elyse havia enviado vários dias antes: um relatório de exame pré-natal que confirmava uma gravidez de oito semanas.
O nome Elyse estava registrado como o da gestante e o de Colton como o do pai.
Mesmo vendo esse relatório pela primeira vez, Kristine não estava nem um pouco chocada.
Ano após ano, Colton passava quase metade do seu tempo viajando para Eyling, o país onde Elyse morava.
Considerando há quanto tempo isso acontecia, ela poderia ter questionado a fertilidade dele se Elyse não tivesse engravidado até agora.
Ao invés de optar por se afastar, Kristine sugeriu que eles se casassem.
Talvez fosse porque ela simplesmente não conseguia se desapegar.
Aos dezoito anos, ela se apaixonou perdidamente na primeira vez que viu Colton na entrada da universidade.
As pessoas ao seu redor sempre diziam que Colton era o herdeiro do Grupo Yates, alguém inalcançável e distante das vidas comuns.
Mesmo assim, ela se recusava a aceitar isso. Movida pela paixão e por uma esperança teimosa, ela foi atrás dele sem hesitar.
No terceiro ano de perseguição, ela finalmente conseguiu. Mesmo assim, a felicidade nunca veio.
Porque logo depois que ela confessou seus sentimentos e ele concordou em ficar com ela, uma ligação de Elyse os atrapalhou, e ele a deixou sozinha no vento cortante.
Foi a partir daquele momento que Kristine soube da existência de Elyse.
Respirando fundo, Kristine abriu a tela de chamada mais uma vez.
Desta vez, o número que ela discou não foi o de Colton, mas o da sua mãe.
A ligação foi completada quase que imediatamente.
Sem esperar que sua mãe dissesse uma palavra, Kristine falou com uma voz calma e distante: "Vou voltar e aceitar o casamento arranjado."
A surpresa na voz de Monica Palmer era inconfundível ao ouvir a decisão de Kristine. "Então você finalmente se decidiu?"
Sem sequer respirar, Kristine respondeu: "Sim."
Após um breve silêncio, Monica perguntou: "Quando você voltará para casa?"
"No dia vinte."
Encerrando a ligação logo em seguida, Kristine entrou no seu carro e voltou para a casa de Colton.
Durante o trajeto, ela permitiu que a dor no seu peito aumentasse sem qualquer restrição. No fim das contas, isso não importava mais, já que seria a última vez.
Quando Kristine chegou ao seu destino, o cansaço pesava sobre seu corpo. Após tomar um banho, ela se jogou na cama.
Ela sabia que podia ter largado tudo mão mais cedo - mas sete anos de paixão não se esqueciam da noite para o dia.
Com apenas menos de meio mês restando, ela precisava usar cada dia para resolver tudo e tirá-lo da sua vida para sempre.
Mais tarde à noite, enquanto dormia, Kristine sentiu a cama afundar ligeiramente ao seu lado. Momentos depois, um par de braços frios a puxou para um abraço desconhecido.
Uma carranca se formou entre suas sobrancelhas à medida que a irritação surgia.
A voz baixa e magnética de Colton roçou o ouvido dela: "Me perdoe."
Envolta na escuridão, Kristine não abriu os olhos - continuou imóvel, com seus cílios tremendo.
Colton falou baixinho: "Que tal nos casarmos amanhã de manhã?"
Quase que imediatamente, o celular sobre a mesa de cabeceira se iluminou.
Colton a soltou e seu tom saiu gentil: "Não chore. Estou indo aí agora mesmo."
O farfalhar das roupas dele chegou aos ouvidos de Kristine, que reagiu com uma risada silenciosa e amarga.
Imediatamente, ela acendeu o abajur e o chamou: "Colton, não vá."
Ele já estava à porta, então, apesar das palavras dela, ele não parou. Sem hesitar, girou a maçaneta, abriu a porta e saiu.
À medida que os passos dele desapareciam gradualmente, Kristine forçou um sorriso nos lábios, o mantendo ali até que uma lágrima escorresse silenciosamente do canto do seu olho.
A manhã chegou e, quando Kristine acordou, percebeu que havia outra pessoa na casa. Era Bobby Davis, assistente de Colton.
"Senhorita Green, o senhor Yates me pediu para entregar esses presentes a você", disse Bobby, apontando para as joias cuidadosamente dispostas sobre a mesa.
Ao invés de ficar animada, Kristine respondeu com um distanciamento calmo: "Tá bom."
Diante da resposta, um lampejo de surpresa cruzou o rosto de Bobby, porque no passado, Kristine sempre reagia com uma alegria visível quando Colton lhe enviava presentes.
Mas essa indiferença de hoje...
"Então vou me retirar." Mantendo seu tom profissional, Bobby preferiu não fazer perguntas e saiu.
Sozinha, Kristine olhou para as joias que brilhavam sob a luz, mas sua expressão não se alterou, pois sabia muito bem que foi Bobby quem havia escolhido cada uma delas.
Sempre que Colton tentava se redimir, a sinceridade nunca fazia parte do esforço.
Felizmente, ela parou de esperar algo dele. Sem nada mais a esperar, a dor no seu peito não tinha mais razão para permanecer.
De repente, um som suave veio do seu celular, chamando sua atenção para uma nova mensagem - de Elyse.
"Você recebeu os presentes que Colton mandou? Deveria me agradecer. Se eu não o tivesse convencido a se desculpar com presentes, ele não teria feito nada."
Os dedos de Kristine se apertaram em volta do celular.
Ela mantinha Elyse desbloqueada única e exclusivamente para reunir as mensagens e encaminhá-las a Colton quando saísse de Gridiron, fazendo-o assim enxergar a verdade e a vilania daquela que, supostamente pura e inocente, conspirava pelas suas costas.
Após respirar fundo, Kristine ergueu os olhos para o ambiente ao redor. A propriedade era de Colton, e quase nada ali dentro era dela - fazer as malas não era algo que a pressionasse.
O que realmente a preocupava era sua própria casa. Quando seus sentimentos por Colton estavam mais fortes, ela acreditava que passaria a vida em Gridron, a cidade onde ele morava. Por causa dessa crença, ela comprou coisas sem pensar muito.
Quanto aos eletrodomésticos e itens do dia a dia, ela não se importava muito, pois eles sempre poderiam ser vendidos.
No entanto, ela possuía antiguidades inestimáveis que não poderiam ser deixadas para trás.
Antes de voltar para casa, uma visita ao hospital era inevitável.
Fazia dias que o estômago a martelava - mal comia alguma coisa, já vinha tudo para fora. Mesmo assim, ela adiou a ida ao médico só para ir ao cartório oficializar o casamento.
Por fim, ela dirigiu para o hospital. Ao estacionar, notou a entrada lotada de pessoas.
Uma voz ecoou em meio ao barulho: "Eles estão saindo! O senhor Yates e sua namorada estão saindo!"
Os cílios de Kristine tremeram levemente ao fixar os olhos em Colton, que conduzia Elyse protegida pela multidão sob os flashes.
Na última vez, Kristine só havia visto os dois juntos numa fotografia. Desta vez, ela estava presenciando isso na vida real.
De onde estava, ela pôde perceber claramente o aviso incisivo gravado no olhar frio e penetrante de Colton.
"Recuem, ou vocês vão se arrepender!", ele gritou.
Uma ameaça inconfundível acompanhou suas palavras, e a presença imponente que ele exalava forçou a multidão a um silêncio repentino.
Após uma breve pausa, um repórter finalmente criou coragem para perguntar: "Senhor Yates, quem é essa moça para você?"
Embora os rumores há muito tempo apontassem Elyse como namorada de Colton, ele nunca havia admitido isso.
Todos os olhares se fixaram em Colton, inclusive o de Kristine, que observava de dentro do carro.
Ao invés de responder, Colton estendeu a mão e, com seus dedos longos, segurou o repórter pelo pescoço - gesto que provocou choque instantâneo na multidão.
Em plena luz do dia, ele havia perdido completamente o controle?
Ele estava realmente disposto a ir tão longe só para proteger uma mulher?
Foi só depois de um longo momento que Colton soltou o repórter, cujo rosto estava pálido.
Colton lançou um olhar gélido para todos os presentes, e por fim, falou: "Se vocês estão tão desesperados para saber, então vou deixar claro qual é o nosso relacionamento. Escutem bem, pois não vou repetir!"
Com suas palavras, a entrada do hospital mergulhou num silêncio total, e um medo opressivo se instalou no local.
Em meio a tudo isso, a voz profunda e imponente de Colton ecoou: "Ela é alguém que eu protejo. Se algum de vocês ousar incomodá-la novamente, é melhor pensar duas vezes no que virá a seguir!"
Nesse momento, Elyse ergueu a cabeça lentamente, parecendo envergonhada, enquanto olhava para ele com uma admiração evidente.
Observando isso, os repórteres logo entenderam a situação.
Dentro do carro, Kristine sentiu sua determinação em ir ao médico desaparecer completamente. Então, ela pisou no acelerador e dirigiu rumo à própria casa.