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O Senhor do Caos: Um Casamento Forçado
img img O Senhor do Caos: Um Casamento Forçado img Capítulo 2 Um pedaço por dia
2 Capítulo
Capítulo 7 Uma carícia perigosa img
Capítulo 8 Uma provocação letal img
Capítulo 9 Uma rendição silenciosa img
Capítulo 10 A paz foi selada img
Capítulo 11 Plano improvisado img
Capítulo 12 Últimas palavras img
Capítulo 13 Um campo de guerra img
Capítulo 14 O pânico e o caos img
Capítulo 15 O único motivo img
Capítulo 16 O código de ética img
Capítulo 17 Um minuto img
Capítulo 18 O protocolo de despertar img
Capítulo 19 Um recurso limitado img
Capítulo 20 Conter os danos img
Capítulo 21 Uma crise img
Capítulo 22 Lapso de sanidade img
Capítulo 23 Frustração e impotência img
Capítulo 24 Um jogo perigoso img
Capítulo 25 Uma sentença selada img
Capítulo 26 Um território proibido img
Capítulo 27 Um convite indecente img
Capítulo 28 Uma derrota pessoal img
Capítulo 29 Um banho de sangue img
Capítulo 30 Um convite ao desastre img
Capítulo 31 A única linguagem img
Capítulo 32 Sem pudor img
Capítulo 33 Intervalo da realidade img
Capítulo 34 Um campo minado img
Capítulo 35 Uma proposta justa img
Capítulo 36 Um belo problema img
Capítulo 37 Jogos sujos img
Capítulo 38 Esculpindo prazer img
Capítulo 39 Lados opostos img
Capítulo 40 O único lugar seguro img
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Capítulo 2 Um pedaço por dia

As expressões de surpresa e confusão nos rostos são combustíveis para o homem, incendiando sua determinação a cada passo dado.

Ele caminha com passos lentos, firmes, exalando a presença dominante de quem retornou para reivindicar o que é seu por direito.

- Parece que meu convite se perdeu pelo caminho. - Ele comenta, com leve ironia, enquanto para exatamente diante dos noivos, seu olhar perfurando cada um deles sem precisar elevar a voz.

- Vincenzo...

- Don Vincenzo Lucchese. Pelo visto, você esqueceu até como se fala com quem está acima de você. - Vincenzo declara, cortando a fala de Enzo sem a menor cerimônia.

- Don? - Cesare repete, incrédulo diante da audácia e da ousadia de Vincenzo ao interromper tudo daquela forma.

- É o que se ganha quando se deixa um serviço pela metade. - Vincenzo responde, encarando o homem com firmeza.

Seu olhar percorre o altar como se cravasse uma marca invisível em cada um deles. Ao chegar à Vittoria, inclina levemente a cabeça, com a frieza de quem avalia uma mercadoria.

- Perdeu o juízo, rapaz? O que pensa que está fazendo? - Alfonso dispara, irritado, dando um passo à frente com a postura de quem não admite afronta.

- Tomando o que sempre foi meu por direito. - Vincenzo responde, com o olhar fixo em Vittoria, que prende a respiração, sem saber se recua ou o enfrenta.

E então, sem dar chance para qualquer reação, leva as mãos às costas e puxa uma arma, fazendo gritos alarmados ecoarem pelo jardim, enquanto os poucos soldados presentes sacam as suas.

- Contenham seus homens. Hoje é um dia especial e duvido que queiram transformá-lo no início de uma guerra. - Provoca, com a voz firme e desdenhosa, enquanto engatilha a arma e a aponta para Enzo, que por um instante deixa a postura vacilar.

- Abaixe essa arma, Vincenzo. - Cesare ordena, com a voz firme, enquanto leva a mão ao coldre, preparado para atirar ao menor sinal de perigo.

- Don Moretti, que tal deixar que os mais jovens resolvam como homens? - Sugere, com um tom ácido e calculadamente desrespeitoso, mirando Enzo sem sequer disfarçar o desafio.

Então, em um gesto de provocação deliberada e puro desrespeito, ele deixa a arma escorregar pelos dedos e a estende na direção de Enzo, como se o convidasse para um jogo que já considera vencido.

- Você decide, Enzo. - Declara, balançando a arma diante do rosto dele, como se fosse um brinquedo. - Podemos manter o tratado de paz entre as famílias ou você prefere lidar com o estrago agora? Tanto faz para mim, só quero ver quem irá sangrar primeiro.

- Mas que diabos você está tramando? - Enzo vocifera, tomado pela raiva, enquanto arranca a arma das mãos de Vincenzo e dispara para o alto, fazendo os convidados se encolherem, tomados pelo pânico.

Uma risada sarcástica escapa dos lábios de Vincenzo, divertido com o caos que se instala, especialmente com o estado de choque de Vittoria, que permanece imóvel, incapaz de reagir a tudo ao seu redor.

- Cuidado. - Vincenzo adverte, com um sorriso quase divertido nos lábios. - É de verdade, seria uma pena se você se machucasse com isso.

- Chega de palhaçada. - Enzo vocifera, apontando a arma e avançando com os olhos em brasa. - Com que direito você invade o meu casamento e transforma tudo em um circo? - Continua, a voz firme, mas carregada de indignação, enquanto encosta o cano no peito de Vincenzo, como se tentasse recuperar o controle que já perdeu.

- Assim não, Enzo. - Repreende, segurando o cano da arma e guiando-o até a própria testa, como se o desafiasse a atirar. - Desse jeito, minhas chances de sair vivo caem bastante, mas o estrago que vem depois, ah, esse, você não sobrevive. - Acrescenta, com um sorriso gélido. - Agora seja útil pela primeira vez na vida, decida. - Finaliza, em um tom carregado de desprezo, como se falasse a um menino tentando brincar de homem.

E então, antes que Enzo tenha sequer a chance de respirar, o som seco de passos ritmados rompe o silêncio tenso.

Das sombras que se alongam pelo jardim no início da noite, surgem os soldados, firmes, implacáveis, empunhando suas Tommy guns com os olhos cravados nos alvos.

O metal das armas reluz sob a luz amarelada dos lustres e tochas, enquanto os convidados se levantam em pânico, cadeiras tombam e o altar vira um palco de caos prestes a explodir.

- Todos mantenham a calma. - Vincenzo ordena, a voz firme e imperturbável rasgando o caos ao redor como se nada daquilo fosse inesperado. - Então, Enzo, estou pronto para a sua decisão. - Continua, a voz impassível, como se a arma encostada em sua testa não significasse nada. - Puxe o gatilho, inicie essa guerra e assista sua família ser destruída sem poder fazer nada. Ou dê um passo para o lado e me deixe ocupar meu lugar no altar.

- O quê? - Vittoria pergunta, a voz trêmula, finalmente despertando do transe que a dominava.

O choque estampado em seu rosto denuncia que, até aquele momento, ela mal compreendia o que estava acontecendo.

- Pai? - Enzo murmura, incrédulo, os olhos vacilantes entre a arma e o altar, sem saber se recua, avança ou simplesmente desmorona ali mesmo.

- Patético. - Vincenzo debocha, arrancando a arma das mãos de Enzo com desprezo. - Aposto que o senhor teria adorado vê-lo naquele carro com meu pai, não é mesmo, Don Cesare?

- Você está cometendo um grande erro, jovem. - Cesare adverte, trocando um olhar rápido e carregado com Alfonso.

Ambos exalam fúria contida, mas sabem que, se atirarem ali mesmo, farão exatamente o que Vincenzo quer: dando início a uma guerra da qual só sairão com vida, com muita sorte.

- Estou selando uma aliança. - Vincenzo responde, fazendo um gesto para que Enzo se afaste.

E sem a menor cerimônia, quase o empurrando, toma seu lugar no altar como se fosse o dono da ocasião.

- Mas é claro, sou um cavalheiro. - Acrescenta, com um sorriso torto. - Então, deixo a decisão para você, bella. - Seus olhos encontram os dela com firmeza. - Case-se comigo. - Propõe, travando a arma com um estalo preciso antes de encaixá-la no coldre, como se encerrasse uma negociação que jamais teve oposição real.

- Não. - Vittoria responde, de imediato, sem sequer pensar, como se aquela proposta absurda não passasse de uma piada de mau gosto.

- Nunca que você...

- Ainda não chegou sua vez, sogro. - Vincenzo interrompe, sem desviar os olhos de Vittoria, como se Alfonso sequer existisse. - Vamos tentar novamente, bella. - Murmura, aproximando-se lentamente, eliminando a distância entre eles com uma presença que impõe mais que qualquer arma. - Case-se comigo, se quiser de volta aquilo que você mais ama.

Vittoria se move rapidamente no altar, os olhos percorrendo o ambiente como se buscasse desesperadamente por alguém.

O coração dispara ao não encontrar o que procura, e a respiração falha, presa na garganta, sufocada pelo pânico.

- Giuliano. - Vittoria sussurra, como se o nome lhe roubasse o fôlego, o ar escapando dos pulmões em um único sopro.

Seus olhos voltam lentamente para Vincenzo, agora tomados por um pavor silencioso, ela entende exatamente o que está em jogo.

- Você tem o direito de escolha, não sou um monstro. - Vincenzo declara, com a voz serena e cortante, como uma sentença de morte. - Case-se comigo, e tudo permanecerá em paz.

Inclina-se devagar, o tom quase confidencial, até que sua respiração toque o ouvido dela.

- Mas, se preferir seguir com seu compromisso com Enzo, aceitarei com dignidade. E, como presente de casamento, enviarei seu irmão de volta. Um pedaço por dia, até que o silêncio complete o que restar dele.

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