- Não. - Vittoria responde, erguendo o queixo com firmeza, recusando-se a ceder qualquer traço de medo ou fraqueza, mesmo com o caos ardendo ao seu redor.
Vincenzo sorriu, não com pressa ou lascívia barata, mas com a satisfação silenciosa de quem contempla algo que acredita ser seu por direito.
Os olhos percorreram cada curva revelada, demorando-se nas linhas suaves do corpo coberto somente pela lingerie.
Era como admirar uma obra feita sob medida, reservada exclusivamente para ele, e prestes a ser reclamada com a mesma autoridade com que um rei toma o trono.
Ele leva a faca até a boca, segurando-a entre os dentes com naturalidade, a postura relaxada, como se tivesse todo o tempo do mundo.
Ele não se apressa. Sabe exatamente o efeito que causa e saboreia cada segundo disso.
Com um movimento despreocupado, tira o paletó e o joga sobre a poltrona mais próxima, como quem marca território com elegância.
Em seguida, sem qualquer aviso, leva as mãos à própria camisa e a rasga com firmeza.
O som do tecido se partindo e os botões ricocheteando no chão quebram o silêncio como um estalo de desejo.
Vittoria se encolhe sutilmente, os músculos tensos, mas o olhar preso no dele. Há algo na forma como ele a observa, como se já a tivesse despido muito antes de o vestido ter caído.
O peito exposto, o olhar que queima, o sorriso torto que dança nos lábios dele, tudo grita perigo e prazer na mesma medida.
Vincenzo retira a faca dos dentes com um leve deslizar, o sorriso ainda curvado nos lábios, afiado, provocador.
Sem pressa, começa a girá-la entre os dedos com habilidade, como se estivesse somente se divertindo, um jogo silencioso, perigoso, onde ele dita as regras e ela é o prêmio.
- O Enzo alguma vez chegou a esse ponto? - Pergunta, a voz rouca, carregada de controle. - Já te viu assim? Tão exposta, tão à mercê? - Continua, o olhar escorrendo pelo corpo dela como uma carícia não consentida. - Ou você sempre soube que, no fim, só poderia ser minha?
Ele inclina a cabeça, os lábios curvando-se em um sorriso torto, frio, predador e perigosamente sedutor.
- O que isso importa? - Vittoria rebate, a voz trêmula, traída pelo nervosismo que ela tenta disfarçar.
Apoia-se nos cotovelos, o corpo ainda tenso, mas os olhos fixos nos dele, desafiando com a pouca firmeza que ainda lhe resta.
- Não me responda com uma pergunta. - Repreende, inclinando-se sobre ela até que seus lábios quase toquem os dela, a respiração quente misturando-se no ar entre os dois. - Responda à minha pergunta. - Exige, a voz baixa e firme, carregada de uma autoridade inquestionável, enquanto desliza a lâmina fria ao longo do rosto dela, não como uma ameaça, mas como um lembrete sutil de quem detém o controle.
- Não. - Responde, quase sem voz, mas com firmeza contida. - Ele nunca me tocou. - Acrescenta, mantendo o olhar fixo no dele, como um ato de resistência silenciosa.
- Bene. - Murmura, os olhos passeando lentamente pelo corpo dela, com a mesma fome de quem já conhece o gosto. - Então está na hora de relembrar até onde sua pele consegue arder, quando não é movida pelo medo. - Completa, a voz rouca, arrastada, como se cada sílaba tocasse onde ela mais tenta esconder.
E então, sem esperar por resposta, Vincenzo elimina a distância entre eles, tomando sua boca em um beijo bruto, mais imposição do que convite, como quem reivindica o que acredita ser seu.
Mas antes que possa aprofundá-lo, Vittoria reage. Com raiva e impulso, morde o lábio inferior dele com força, arrancando um leve gosto de sangue e a quebra momentânea do controle.
Vincenzo se afasta apenas o suficiente, os olhos estreitados, a respiração densa contra a dela. Um fio de sangue escorre pelo canto de seus lábios.
Ele levanta a mão, passa o polegar devagar sobre o corte e, sem pressa, leva o dedo até a boca, deslizando a língua sobre ele como se saboreasse a provocação.
- Cuidado, bella. - Adverte, a voz baixa, arrastada, perigosamente calma. - Gosto quando dói.
E, mais uma vez, antes que ela possa reagir, Vincenzo retoma o controle. A lâmina fria volta a deslizar sobre a pele dela, lenta, precisa, quase reverente.
Desce vagarosamente, traçando um caminho perigoso entre arrepios, enquanto o corpo de Vittoria reage por instinto, traída por sensações que ela se recusa a aceitar.
Cada toque do metal provoca um arrepio novo, profundo, como se ele soubesse exatamente onde cortar a linha entre o medo e o desejo.
- Pare. - Solicita, mas a voz sai baixa, quase um sussurro preso entre a raiva e o desejo que ele insiste em arrancar dela.
O olhar tenta sustentar o desafio, mas a respiração entrecortada e o calor sob a pele a denunciam. Ela odeia o poder que ele exerce e, ainda mais, o quanto seu corpo responde a ele.
O sorriso de Vincenzo se alarga, perverso, satisfeito, enquanto continua deslizando a lâmina pela pele sensível dela.
O toque do metal provoca ondas de arrepio, e Vittoria, apesar de tentar se manter firme, sente o corpo reagir, os músculos contraem, a respiração falha, os lábios entreabrem-se sem controle.
Ele para, na delicada alça da calcinha, girando lentamente a ponta da faca sobre o tecido, como se saboreasse a antecipação mais do que o ato.
Vittoria morde o lábio inferior, em uma tentativa desesperada de conter um gemido e falha.
A vergonha da resposta involuntária se mistura ao calor que pulsa entre as pernas.
A lâmina então segue seu caminho, descendo pela coxa até o tornozelo, deixando um rastro de tensão e desejo.
Vincenzo se afasta devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo, e se ajoelha diante da cama.
Com uma das mãos, segura o tornozelo dela, com a outra, remove o salto com a mesma calma com que se desfaria de uma arma.
- Sabe o que realmente mudou ao longo desses anos, principessa? - Indaga, com a voz rouca, enquanto segura o tornozelo dela. - Você ficou mais linda. Mais ousada. E, pelo que vejo, ainda mais irresistível.
Ele se inclina e beija lentamente o dorso do pé dela, a língua roçando de leve a pele sensível antes que os lábios se fechem em um gesto tão íntimo quanto indecente.
- E agora que senti de novo o teu gosto, não irei parar até descobrir qual parte sua implora mais pela minha boca.
- Vincenzo, por favor, pare...
- Está me pedindo para parar, cara mia. - Comenta, a voz sedosa, como uma carícia quente demais para ser ignorada. - Mas não foi isso que seu corpo acabou de me dizer.
Seus dedos percorrem a perna dela com uma lentidão calculada, roçando a pele sensível, absorvendo cada mínima reação.
Com a ponta da lâmina, começa a deslizar suavemente pelo dorso do pé dela, traçando um caminho perigoso até o tornozelo.
O toque é leve, quase delicado, mas o frio do metal faz o corpo de Vittoria reagir, um arrepio súbito percorre sua espinha e ela prende o ar, entre o medo e um desejo que ela odeia sentir.
- Você pode dizer "não" com a boca, Vittoria. - Sussurra, o tom carregado de provocação. - Mas sua pele? Sua pele grita sim toda vez que eu encosto.
E então, sem dar tempo para ela reagir, Vincenzo segura o pé dela com firmeza e o apoia sobre os joelhos. O olhar permanece fixo no dela, sereno e cruelmente tranquilo.
Em um gesto seco, ele desliza a lâmina pela sola do pé, mas desta vez, o metal não somente ameaça: ele corta.
É sutil, preciso, mas suficiente para fazer o sangue surgir.