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A Última Herdeira da Lua Rubra
img img A Última Herdeira da Lua Rubra img Capítulo 1 🌕 A LUA QUE ME CHAMA
1 Capítulo
Capítulo 6 🌕 A ARQUITETURA DA CONFIANÇA img
Capítulo 7 🌕 A CHEGADA DO INEVITÁVEL img
Capítulo 8 🌕 O OLHAR img
Capítulo 9 🌕 ESTRADA ENTRE DESTINOS img
Capítulo 10 🌕 SOB A LUA DE VAL'DARAN img
Capítulo 11 🌕 O CHAMADO DA MONTANHA img
Capítulo 12 🌕 ENTRE DOIS MUNDOS img
Capítulo 13 🌕 O INSTINTO DO SILÊNCIO img
Capítulo 14 🌕 FANTASIA E VERDADE img
Capítulo 15 🌕 FUNDAÇÃO INVISÍVEL img
Capítulo 16 🌕 DE VOLTA A REALIDADE img
Capítulo 17 🌕 O RETORNO img
Capítulo 18 🌕 O ECO DAS MONTANHAS img
Capítulo 19 🌕 A SEMANA DO SILÊNCIO img
Capítulo 20 🌕 O SONHO COM A FLORESTA img
Capítulo 21 🌕 A MONTANHA NA MINHA CABEÇA img
Capítulo 22 🌕 O HOMEM QUE NÃO CONSEGUE ESQUECER img
Capítulo 23 🌕 O UIVO QUE ATRAVESSOU AS MONTANHAS img
Capítulo 24 🌕 OS LOBOS QUE VIVEM ENTRE HUMANOS img
Capítulo 25 🌕 ECOS NA MANTANHA img
Capítulo 26 🌕 REUNIÃO DOS ALFAS img
Capítulo 27 🌕 A LENDA OU PROFECIA img
Capítulo 28 🌕 A CIDADE DOS TERRITÓRIOS SILENCIOSOS img
Capítulo 29 🌕 CONVERGÊNCIA img
Capítulo 30 🌕 COLISÃO DE TERRITÓRIOS img
Capítulo 31 🌕 O CAFÉ DEPOIS DA TENSÃO img
Capítulo 32 🌕 O CHAMADO DAS MONTANHAS img
Capítulo 33 🌕 ENTRE DOIS LOBOS img
Capítulo 34 🌕 O ECO DE UM SONHO QUE NÃO ERA DELE img
Capítulo 35 🌕 O CIÚME DO LOBO img
Capítulo 36 🌕 INSTINTOS QUE NÃO OBEDECEM img
Capítulo 37 🌕 SOMBRAS DO PASSADO img
Capítulo 38 🌕 O PROJETO DOS SONHOS, DE QUEM img
Capítulo 39 🌕 A MANSÃO DO LOBO PRATEADO img
Capítulo 40 🌕 A MANSÃO QUE NÃO PODE TER OUTRO DONO img
Capítulo 41 🌕 O NINHO DO LOBO PRATEADO img
Capítulo 42 🌕 SOB MEUS OLHOS img
Capítulo 43 🌕 A CAIXA SOB A MONTANHA img
Capítulo 44 🌕 O LIVRO QUE NÃO DEVERIA EXISTIR img
Capítulo 45 🌕 O SANGUE QUE A MONTANHA ESCONDEU img
Capítulo 46 🌕 O PESO DO DESPERTAR img
Capítulo 47 🌕 O ALMOÇO QUE MUDOU O RUMO img
Capítulo 48 🌕 ENTRE RISOS E PRESSÁGIOS img
Capítulo 49 🌕 O UIVO NA ESCURIDÃO img
Capítulo 50 🌕 A ROTINA DA PROTEÇÃO img
Capítulo 51 🌕 A NOITE QUE NÃO ESTAVA PLANEJANDA img
Capítulo 52 🌕 A PEDRA SOB A LUA img
Capítulo 53 🌕 QUANDO MARTE BEIJA A LUA 🌖 img
Capítulo 54 🌕 O CHEIRO DA CHUVA 🌨 img
Capítulo 55 🌕 A NOITE DOS UIVOS FERIDOS img
Capítulo 56 🌕 O LOBO PRATEADO 🐺 img
Capítulo 57 🌕 SANGUE NA CHUVA 🌨 img
Capítulo 58 🌕 CHAMADO URGENTE img
Capítulo 59 🌕 A MULHER DA CIDADE 🏘 img
Capítulo 60 🌕 RASTROS INVISÍVEIS img
Capítulo 61 🌕 VERDADES QUE FEREM img
Capítulo 62 🌕 O CIÚME QUE ENCONTRA POUSO img
Capítulo 63 🌕 O CHAMADO DA LUA 🌖 img
Capítulo 64 🌕 O SILÊNCIO ENTRE DOIS CORAÇÕES ❤️❤️ img
Capítulo 65 🌕 O VÍNCULO QUE NINGUÉM VÊ img
Capítulo 66 🌕 A MANHÃ DEPOIS DA NOITE RUBRA 🌖 img
Capítulo 67 🌕 O PESO DA LUA RUBRA img
Capítulo 68 ☀️ O SOL SOBRE A MONTANHA ⛰️ img
Capítulo 69 🌕 LINHAS DE PODER img
Capítulo 70 🌕 A MATILHA QUE A CERCAVA img
Capítulo 71 🌕 CIÚME DE UM HOMEM img
Capítulo 72 🌕 O QUE EXISTIA ANTES img
Capítulo 73 🌕 O LAÇO ETERNO img
Capítulo 74 🌕 DEPOIS DA TEMPESTADE img
Capítulo 75 🌕 O CÓDICE img
Capítulo 76 🌕 O SANGUE QUE NÃO DEVERIA EXISTIR img
Capítulo 77 🌕 O UIVO QUE RASGA E SANGRA img
Capítulo 78 🌕 A NOITE DO BEIJO DE MARTE img
Capítulo 79 🌕 A LOBA RUBRA NASCE img
Capítulo 80 🌕 A VERDADE SOB A PELE img
Capítulo 81 🌕 A VERDADE QUE NÃO CONTARAM img
Capítulo 82 🌕 O PESO DO SANGUE img
Capítulo 83 🌕 O LIVRO QUE FICOU ABERTO img
Capítulo 84 🌕 AS PALAVRAS QUE SOBREVIVERAM img
Capítulo 85 🌕 O PESO QUE NÃO ERA DELA img
Capítulo 86 🌕 A MONTANHA EM LUTO ⛰️🪦 img
Capítulo 87 🌕 O PESO DO SOBRENOME ⚜️ img
Capítulo 88 🌕 O CHALÉ VAZIO 🏡 img
Capítulo 89 🌕 CORRIDAS NA NOITE 🐾 img
Capítulo 90 🌕 O CHEIRO DA DESPEDIDA img
Capítulo 91 🌕 O PLANO DO ANCIÃO 🧓 img
Capítulo 92 🌕 O LOBO NEGRO SE APROXIMA img
Capítulo 93 🌕 A CIDADE QUE NÃO CURA 🏘 img
Capítulo 94 🌕 BARCELONA 🏛 img
Capítulo 95 🌕 HORA DE TRAZER A ALFA img
Capítulo 96 🌕 O VENENO QUE OBSERVA img
Capítulo 97 🌕 ANTES DO AMANHECER 🌤 img
Capítulo 98 🌕 A MULHER E A LOBA VOLTAM A RESPIRAR img
Capítulo 99 🌕 A VOLTA DO LOBO PRATEADO 🐺 img
Capítulo 100 🌕 O QUE FICOU ENTRE NÓS img
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A Última Herdeira da Lua Rubra

Autor: LynneFigueiredo
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Capítulo 1 🌕 A LUA QUE ME CHAMA

Quando o chamado é mais forte, e é a única que eu respondo.

ADRIÁN SALVATORE PETRONIK

36 ANOS.

É sempre assim em Barcelona.

Quando o inverno chega, eu não sinto frio. Nunca senti. O que eu sinto é outra coisa. Uma inquietação que começa silenciosa, quase imperceptível, e cresce dentro do peito até se tornar impossível de ignorar. Não é o vento cortando as ruas. Não é a névoa que se instala sobre os prédios antigos do Eixample. É um chamado que não depende da temperatura, não depende do calendário, não depende de nada que possa ser explicado em uma reunião de conselho.

Uma necessidade de me afastar.

De silenciar o mundo.

De ficar só.

E é sempre ela que me chama.

A lua prateada.

Ela surge sobre a cidade como um lembrete de que, por mais alto que eu esteja, por mais vidro e aço me cercando, existe algo em mim que não pertence a esse cenário urbano. Eu observo a lua refletida nas fachadas espelhadas dos edifícios e sinto o peso do que carrego se mover sob a pele, como se despertasse com o frio do inverno.

Todos os anos é igual.

Quando dezembro se aproxima, eu começo a contar os dias sem perceber. As reuniões ficam mais longas. O conselho mais impaciente. Os investidores mais exigentes. Minha equipe observa cada gesto meu esperando decisões rápidas, números fechados, estratégias perfeitas. Eu entrego tudo. Entrego resultados, lucros, expansão. Mas nada disso me atinge de verdade.

O que me atinge é a proximidade da lua cheia.

E do chalé.

O chalé nas montanhas é simples, discreto, isolado do mundo. Não há luxo exagerado ali. Apenas madeira antiga, lareira de pedra, o cheiro constante da terra úmida e o silêncio absoluto que não existe em Barcelona. É o único lugar onde eu posso respirar sem precisar sustentar a postura de CEO mais jovem da Europa, sem precisar vestir a máscara do homem que nunca falha.

Ali eu corro.

Ali eu me lembro de quem sou.

Ou do que sou.

Mas ainda não é hora de ir.

Estou parado diante da janela do meu apartamento, no último andar, observando as luzes da cidade pulsarem como um organismo vivo. Abaixo de mim, carros cruzam avenidas, pessoas entram e saem de restaurantes, casais discutem, riem, se beijam. Vidas seguem seus próprios rumos, acreditando que o mundo é exatamente o que conseguem enxergar.

Eu poderia ter qualquer uma dessas vidas se quisesse.

Mas eu não quero.

A batida na porta do quarto interrompe meus pensamentos.

Duas batidas suaves. Confiantes.

Ela entra antes que eu responda.

O vestido preto delineia o corpo dela com precisão. O salto alto está pendurado nos dedos. O perfume invade o quarto antes mesmo que ela feche a porta. Ela se move com a segurança de quem já esteve ali outras vezes e sabe que será recebida.

- Você sempre fica assim depois. Distante. Como se eu não estivesse aqui.

Eu não respondo de imediato. Mantenho o olhar na cidade. O reflexo dela no vidro é mais nítido do que sua presença física atrás de mim.

Ela se aproxima até quase tocar minhas costas.

- Por que você é sempre tão frio, Adrián? Você nunca quer assumir nada com mulher nenhuma. Eu sou só mais uma?

Viro o rosto lentamente.

- Eu não procuro mulheres. São vocês que vêm até mim. Eu entrego o que querem. Vocês me entregam o que eu quero.

Minha voz não se altera.

Ela arqueia a sobrancelha.

- E o que você quer?

- Minha paz.

Ela sorri, aproximando o corpo do meu, os dedos deslizando pelo colarinho da minha camisa.

- Então, antes que eu te dê sua paz, me dê o que eu vim buscar.

O beijo parte dela.

Intenso, urgente, carregado de expectativa. Não há romantismo ali. Não há promessa. Apenas necessidade física, simples e direta. Eu correspondo porque é o que se espera de mim. Porque meu corpo responde com eficiência. Porque é fácil.

As mãos encontram pele. O vestido desliza pelo corpo dela e cai no chão. Minha camisa segue o mesmo destino. Não há palavras entre nós. Apenas respiração acelerada e o ritmo conhecido de algo que não deixa marcas.

Eu nunca prometo nada.

Nunca insinúo nada.

Nunca ofereço mais do que o momento.

Ela busca prazer. Eu entrego.

Eu busco silêncio. Elas entregam.

Quando tudo termina, eu me afasto primeiro.

Levanto da cama sem olhar para trás. Visto a camisa com calma, ajusto os botões como se estivesse me preparando para uma reunião qualquer. Caminho até o bar discreto no canto da sala e sirvo um uísque. O líquido âmbar desce queimando, a única sensação que realmente permanece depois que o quarto volta ao silêncio.

Retorno à janela.

A lua está mais alta agora.

Ela se move na cama atrás de mim.

- Posso dormir aqui essa noite?

Não olho para ela.

- Eu já te dei o que você veio buscar. Agora me dê minha paz.

O silêncio que se segue é carregado de irritação contida. Ouço o som do zíper sendo puxado, o tecido deslizando contra a pele, o salto sendo calçado com firmeza.

- Você é impossível.

A porta se fecha com força.

Fico sozinho.

Sempre sozinho, e gosto assim.

Apoio a testa no vidro frio e fecho os olhos por um instante. A cidade continua viva lá embaixo, alheia ao que existe nas sombras.

Não é você.

O pensamento surge como sempre surge, sem que eu precise convidá-lo.

Não é nenhuma delas.

Eu não sei quem é você. Não sei onde está. Não sei sequer se existe. Mas sei que ainda não encontrei. E enquanto não encontrar, nada do que me oferecem é suficiente para preencher o espaço que cresce dentro de mim toda vez que a lua aparece.

A lua prateada me observa do alto.

Sinto o chamado aumentar a cada noite que se aproxima da lua cheia. O corpo começa a reagir antes da mente aceitar. Os músculos ficam tensos. Os sentidos mais aguçados. O sono se torna leve demais, superficial demais.

Eu poderia ignorar.

Mas nunca ignoro.

Em poucos dias estarei dirigindo para as montanhas. Deixarei Barcelona para trás, o concreto, as reuniões intermináveis, os contratos bilionários e as mulheres que confundem desejo com sentimento.

Vou para o chalé.

Para o silêncio.

Para a floresta que não me julga.

Ali eu posso correr.

Ali eu posso ser inteiro.

A cidade lá embaixo continua acreditando que monstros pertencem aos livros, às lendas antigas, aos filmes exagerados. Humanos caminham pelas ruas convencidos de que o mundo é exatamente o que veem.

Eles não sabem.

E é melhor que continuem não sabendo.

Endireito o corpo e termino o uísque de um gole só.

A lua reflete no vidro, e por um segundo meus olhos parecem absorver a mesma tonalidade prateada que ilumina o céu.

Não é você.

Mas eu vou continuar procurando.

Porque todos os invernos ela me chama.

E eu sempre atendo.

Fecho os olhos e minha respiração muda.

            
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