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A Última Herdeira da Lua Rubra
img img A Última Herdeira da Lua Rubra img Capítulo 4 🌕 A CIDADE QUE ECOA
4 Capítulo
Capítulo 6 🌕 A ARQUITETURA DA CONFIANÇA img
Capítulo 7 🌕 A CHEGADA DO INEVITÁVEL img
Capítulo 8 🌕 O OLHAR img
Capítulo 9 🌕 ESTRADA ENTRE DESTINOS img
Capítulo 10 🌕 SOB A LUA DE VAL'DARAN img
Capítulo 11 🌕 O CHAMADO DA MONTANHA img
Capítulo 12 🌕 ENTRE DOIS MUNDOS img
Capítulo 13 🌕 O INSTINTO DO SILÊNCIO img
Capítulo 14 🌕 FANTASIA E VERDADE img
Capítulo 15 🌕 FUNDAÇÃO INVISÍVEL img
Capítulo 16 🌕 DE VOLTA A REALIDADE img
Capítulo 17 🌕 O RETORNO img
Capítulo 18 🌕 O ECO DAS MONTANHAS img
Capítulo 19 🌕 A SEMANA DO SILÊNCIO img
Capítulo 20 🌕 O SONHO COM A FLORESTA img
Capítulo 21 🌕 A MONTANHA NA MINHA CABEÇA img
Capítulo 22 🌕 O HOMEM QUE NÃO CONSEGUE ESQUECER img
Capítulo 23 🌕 O UIVO QUE ATRAVESSOU AS MONTANHAS img
Capítulo 24 🌕 OS LOBOS QUE VIVEM ENTRE HUMANOS img
Capítulo 25 🌕 ECOS NA MANTANHA img
Capítulo 26 🌕 REUNIÃO DOS ALFAS img
Capítulo 27 🌕 A LENDA OU PROFECIA img
Capítulo 28 🌕 A CIDADE DOS TERRITÓRIOS SILENCIOSOS img
Capítulo 29 🌕 CONVERGÊNCIA img
Capítulo 30 🌕 COLISÃO DE TERRITÓRIOS img
Capítulo 31 🌕 O CAFÉ DEPOIS DA TENSÃO img
Capítulo 32 🌕 O CHAMADO DAS MONTANHAS img
Capítulo 33 🌕 ENTRE DOIS LOBOS img
Capítulo 34 🌕 O ECO DE UM SONHO QUE NÃO ERA DELE img
Capítulo 35 🌕 O CIÚME DO LOBO img
Capítulo 36 🌕 INSTINTOS QUE NÃO OBEDECEM img
Capítulo 37 🌕 SOMBRAS DO PASSADO img
Capítulo 38 🌕 O PROJETO DOS SONHOS, DE QUEM img
Capítulo 39 🌕 A MANSÃO DO LOBO PRATEADO img
Capítulo 40 🌕 A MANSÃO QUE NÃO PODE TER OUTRO DONO img
Capítulo 41 🌕 O NINHO DO LOBO PRATEADO img
Capítulo 42 🌕 SOB MEUS OLHOS img
Capítulo 43 🌕 A CAIXA SOB A MONTANHA img
Capítulo 44 🌕 O LIVRO QUE NÃO DEVERIA EXISTIR img
Capítulo 45 🌕 O SANGUE QUE A MONTANHA ESCONDEU img
Capítulo 46 🌕 O PESO DO DESPERTAR img
Capítulo 47 🌕 O ALMOÇO QUE MUDOU O RUMO img
Capítulo 48 🌕 ENTRE RISOS E PRESSÁGIOS img
Capítulo 49 🌕 O UIVO NA ESCURIDÃO img
Capítulo 50 🌕 A ROTINA DA PROTEÇÃO img
Capítulo 51 🌕 A NOITE QUE NÃO ESTAVA PLANEJANDA img
Capítulo 52 🌕 A PEDRA SOB A LUA img
Capítulo 53 🌕 QUANDO MARTE BEIJA A LUA 🌖 img
Capítulo 54 🌕 O CHEIRO DA CHUVA 🌨 img
Capítulo 55 🌕 A NOITE DOS UIVOS FERIDOS img
Capítulo 56 🌕 O LOBO PRATEADO 🐺 img
Capítulo 57 🌕 SANGUE NA CHUVA 🌨 img
Capítulo 58 🌕 CHAMADO URGENTE img
Capítulo 59 🌕 A MULHER DA CIDADE 🏘 img
Capítulo 60 🌕 RASTROS INVISÍVEIS img
Capítulo 61 🌕 VERDADES QUE FEREM img
Capítulo 62 🌕 O CIÚME QUE ENCONTRA POUSO img
Capítulo 63 🌕 O CHAMADO DA LUA 🌖 img
Capítulo 64 🌕 O SILÊNCIO ENTRE DOIS CORAÇÕES ❤️❤️ img
Capítulo 65 🌕 O VÍNCULO QUE NINGUÉM VÊ img
Capítulo 66 🌕 A MANHÃ DEPOIS DA NOITE RUBRA 🌖 img
Capítulo 67 🌕 O PESO DA LUA RUBRA img
Capítulo 68 ☀️ O SOL SOBRE A MONTANHA ⛰️ img
Capítulo 69 🌕 LINHAS DE PODER img
Capítulo 70 🌕 A MATILHA QUE A CERCAVA img
Capítulo 71 🌕 CIÚME DE UM HOMEM img
Capítulo 72 🌕 O QUE EXISTIA ANTES img
Capítulo 73 🌕 O LAÇO ETERNO img
Capítulo 74 🌕 DEPOIS DA TEMPESTADE img
Capítulo 75 🌕 O CÓDICE img
Capítulo 76 🌕 O SANGUE QUE NÃO DEVERIA EXISTIR img
Capítulo 77 🌕 O UIVO QUE RASGA E SANGRA img
Capítulo 78 🌕 A NOITE DO BEIJO DE MARTE img
Capítulo 79 🌕 A LOBA RUBRA NASCE img
Capítulo 80 🌕 A VERDADE SOB A PELE img
Capítulo 81 🌕 A VERDADE QUE NÃO CONTARAM img
Capítulo 82 🌕 O PESO DO SANGUE img
Capítulo 83 🌕 O LIVRO QUE FICOU ABERTO img
Capítulo 84 🌕 AS PALAVRAS QUE SOBREVIVERAM img
Capítulo 85 🌕 O PESO QUE NÃO ERA DELA img
Capítulo 86 🌕 A MONTANHA EM LUTO ⛰️🪦 img
Capítulo 87 🌕 O PESO DO SOBRENOME ⚜️ img
Capítulo 88 🌕 O CHALÉ VAZIO 🏡 img
Capítulo 89 🌕 CORRIDAS NA NOITE 🐾 img
Capítulo 90 🌕 O CHEIRO DA DESPEDIDA img
Capítulo 91 🌕 O PLANO DO ANCIÃO 🧓 img
Capítulo 92 🌕 O LOBO NEGRO SE APROXIMA img
Capítulo 93 🌕 A CIDADE QUE NÃO CURA 🏘 img
Capítulo 94 🌕 BARCELONA 🏛 img
Capítulo 95 🌕 HORA DE TRAZER A ALFA img
Capítulo 96 🌕 O VENENO QUE OBSERVA img
Capítulo 97 🌕 ANTES DO AMANHECER 🌤 img
Capítulo 98 🌕 A MULHER E A LOBA VOLTAM A RESPIRAR img
Capítulo 99 🌕 A VOLTA DO LOBO PRATEADO 🐺 img
Capítulo 100 🌕 O QUE FICOU ENTRE NÓS img
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Capítulo 4 🌕 A CIDADE QUE ECOA

Quando ficção e realidade colidem.

RÚBIA VALLEN MOREAU

Para mim, aquilo soou como uma porta fechada na minha cara. Eu não gosto de portas fechadas, especialmente quando envolvem meu trabalho. Eu não projeto no escuro. Eu não aceito um cliente que quer controlar a conversa antes mesmo de olhar meu rosto.

- Entendo.

Respondi firme, mantendo o tom profissional.

- Antes de marcarmos qualquer reunião presencial, eu preciso ver o briefing do projeto. Uma ideia do terreno, referências, exigências, cronograma. E eu quero uma videochamada com o cliente.

Do outro lado, houve um silêncio curto, mas perceptível.

- O cliente não costuma fazer esse tipo de contato direto.

- Então ele não costuma trabalhar comigo.

Retruquei sem elevar a voz, mantendo cada palavra no lugar exato.

- Eu não me desloco para lugar nenhum sem entender o que está sendo pedido e sem olhar nos olhos de quem vai me contratar. Pode ser uma videochamada de dez minutos. Eu só quero ver o projeto e entender o que ele espera.

Ouvi um suspiro contido do outro lado da linha, como se o homem estivesse medindo até onde eu iria.

- Eu posso repassar suas condições. Ele retornará.

- Ótimo. Quando ele retornar, me envie antes as informações básicas do terreno e a proposta de contrato. Depois fazemos a videochamada. Só depois disso eu considero encontro presencial.

- Certo, senhora Moreau.

A formalidade repentina me fez sorrir sozinha. Eu não era senhora de ninguém. Eu era só Rúbia. Mas também era uma mulher acostumada a ser subestimada por ser jovem, e aprendi cedo a estabelecer limites antes que alguém tentasse me empurrar.

- Aguardo. Boa tarde.

Desliguei antes que ele acrescentasse qualquer coisa.

Guardei o telefone no bolso e permaneci alguns segundos parada, ouvindo o som das máquinas no canteiro como se precisasse daquele ruído constante para voltar ao eixo. O vento passou mais forte entre os contêineres, trazendo o cheiro de cimento úmido misturado ao metal frio das estruturas expostas. Puxei o casaco para mais perto do corpo e tentei rir de mim mesma.

Era só um trabalho.

Só uma casa.

Só uma montanha.

Mesmo assim, a sensação no meu peito não desapareceu. Ela ficou ali, discreta e insistente, como a lembrança de um sonho que eu não consigo repetir, mas também não consigo esquecer.

O expediente terminou mais tarde do que eu esperava. Entrei no carro e segui para o escritório para organizar alguns contratos pendentes. Assim que entrei, percebi que algo estava diferente. O clima estava pesado, carregado de murmúrios contidos.

Sandra, a mais dramática da equipe, veio direto até mim.

Ela entrou na minha sala sem bater, o que por si só já era um sinal de que algo estava fora do eixo.

O rosto dela estava pálido demais para alguém que costuma resolver problemas estruturais com uma planilha na mão e um comentário sarcástico nos lábios.

- Você não viu as reportagens?

Mantive os olhos na tela por alguns segundos antes de responder.

- Não. Eu estava trabalhando. Algum prédio caiu e esqueceram de me avisar?

Ela fechou a porta atrás de si como se o corredor inteiro não pudesse ouvir o que estava prestes a dizer.

- É sobre uma cidade nas montanhas da Espanha. Está em todos os portais regionais.

Franzi levemente a testa.

- Espanha é grande demais para isso ser alarmante.

Sandra deu dois passos na minha direção e apoiou as mãos na mesa.

- Val d'Aran. Já ouviu falar?

O nome não me trouxe nenhuma memória concreta, apenas uma sensação leve e estranha que descartei imediatamente.

- Não. E deveria?

Ela engoliu seco antes de continuar.

- Moradores estão denunciando um... um lobisomem.

A risada escapou antes que eu pudesse conter.

- Você está falando sério?

- Não é exatamente lobisomem, tipo lua cheia e transformação dramática. É pior. Estão dizendo que são pessoas. Pessoas que viram lobos.

Recostei-me na cadeira, cruzando os braços.

- Sandra, você está me interrompendo por causa de teoria de internet?

Ela respirou fundo, claramente incomodada.

- Um caçador foi encontrado morto. Ataque animal, mas não era urso, não era lobo comum. Testemunhas disseram que viram algo enorme correndo entre as árvores antes dos tiros. Um homem. Depois um lobo.

- E você acredita nisso?

- Eu não sei no que eu acredito. Só sei que é estranho demais para ser coincidência.

Balancei a cabeça.

- Você assistiu Crepúsculo ultimamente? Porque isso está com cheiro de roteiro adolescente.

Ela estreitou os olhos.

- Você acha mesmo que todo mundo está inventando?

- Acho que quando o inverno chega e a neve cai, as pessoas ficam entediadas demais.

Peguei meu casaco da cadeira.

- Pessoas não viram lobos, Sandra. Isso se chama ficção. Cinema. Série de streaming.

- Mas e se for algo diferente?

- Não existe "e se" quando o assunto é biologia básica.

Caminhei até a porta.

- Eu tenho prazos reais para cumprir. Se alguém estiver assustado com sombra na floresta, sugiro terapia ou menos internet.

- Você está mesmo ignorando isso?

Abri a porta e sorri.

- Eu ignoro coisas que não existem.

Saí antes que ela pudesse responder.

Mas enquanto atravessava o corredor, aquela sensação incômoda voltou, discreta e persistente. Não por causa de lobisomens.

Por causa do nome da cidade.

Val d'Aran.

Eu não sabia por quê, mas o som dele permaneceu na minha cabeça durante o resto do dia.

Quando cheguei em casa, tirei as botas e o casaco, acendi a lareira e fui até a cozinha preparar um chocolate quente cremoso. O aroma doce e intenso tomou o ambiente enquanto eu me jogava no sofá, tentando convencer a mim mesma de que tudo aquilo era absurdo.

Meus pensamentos voltaram para Sandra. Para o olhar dela. Não que eu estivesse mudando de ideia, mas a insistência dela ecoava. Peguei o tablet e pesquisei a reportagem.

Um homem falava com firmeza diante da câmera que desde muito jovem ouvia histórias de homens que viravam lobos. Ele dizia que viu. Um lobo cinza, forte, grande, com olhos verdes intensos.

O sorriso que nasceu em mim foi involuntário.

Ainda assim, uma parte racional tentou organizar aquilo.

Matilhas não gostam de se sentir ameaçadas. Se algo reagiu, certamente foi provocado.

Eu fechei a tela e deixei o tablet de lado.

Era ridículo.

Mas naquela noite, antes de dormir, a imagem do lobo cinza de olhos verdes permaneceu comigo mais tempo do que deveria.

Ele deve ser lindo.

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