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Tarde Demais, Sr. Johnston: Ela Se Foi
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Capítulo 4 4

Kairós era uma prisioneira na ala de hóspedes. Zelo havia confiscado as chaves do carro e instruído a equipe de segurança a não deixá-la sair da propriedade.

Ela sentou-se perto da janela, observando a chuva fustigar o vidro. O céu cinza espelhava sua paisagem interna.

Sua mente vagou de volta dez anos. Para a noite em que sua vida acabou e este purgatório começou.

O baile de caridade. A chuva caía exatamente como agora. Sua mãe, Ginga, estava ao volante. Kairós estava no banco de trás.

O carro aquaplanou. Ou foi o que disse o relatório policial. Kairós lembrava-se dos freios gritando, a sensação de falta de peso.

Então o impacto.

Ela se lembrava de rastejar para fora dos destroços, vendo o carro de Glória Raiz esmagado contra a barreira. Lembrava-se de um Zelo adolescente parado na chuva, o smoking encharcado, encarando o corpo sem vida de sua mãe.

Ele olhou para cima e cruzou o olhar com Kairós. O ódio em seu olhar a queimou na época, e a queimava agora.

Uma batida na porta a trouxe de volta ao presente.

Uma empregada entrou, carregando uma bandeja com um sanduíche frio. Ela o colocou no chão sem dizer uma palavra e saiu, trancando a porta por fora.

Kairós olhou para a comida. Não estava com fome, mas a náusea da quimioterapia estava aumentando. Ela se forçou a comer um pedaço do pão seco.

Risadas flutuaram do andar de baixo. A risada de uma mulher. Alta, tilintante, falsa.

Aura.

Kairós rastejou até a porta e pressionou o ouvido contra a madeira.

- Oh, Zelo, este quadro fica perfeito aqui - dizia Aura. - Glória teria adorado. Você tem tanto bom gosto.

- Ela conhece o gosto dela - respondeu Zelo. A voz dele era suave. Um tom que ele nunca usava com Kairós.

Kairós apertou a maçaneta até seus dedos estalarem. Aura estava usando uma máscara, interpretando o papel da socialite perfeita, enquanto Kairós estava trancada como um segredo sujo.

- Ela ainda está lá em cima? - perguntou Aura. A voz dela caiu para um sussurro conspiratório.

- Sim - disse Zelo.

- Não seja muito duro com ela, Zelo. Você conhece Ginga... talvez a loucura seja genética.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

- É melhor ela rezar para que Aço continue vivo - disse Zelo friamente. - Ele é a única razão pela qual ela ainda respira na minha casa.

Kairós escorregou pela porta até atingir o chão. Ela puxou os joelhos contra o peito.

Seu telefone vibrou no bolso. Era uma mensagem de Júbilo.

"Aço está estável, mas cortaram os remédios. Paguei três dias do meu bolso. Não posso fazer mais. Você precisa resolver isso."

Kairós encarou a tela. Três dias.

Ela se levantou. Foi até o armário e puxou uma mala escondida. Dentro do forro, encontrou um pequeno pendrive USB.

Ele continha os padrões digitais da coleção de noivas Altivo. Sua identidade secreta. Sua arte. E, o mais importante, seu fundo de emergência não declarado, um negócio completamente isolado de suas atividades como "O Fantasma".

Se ela não podia hackear o dinheiro, venderia os designs.

Ela abriu o laptop. Sem sinal.

Verificou as configurações de Wi-Fi. Bloqueado. A equipe de TI de Zelo havia colocado o endereço MAC dela na lista negra.

Ela tinha que sair. Fisicamente.

Kairós vestiu leggings pretas e um moletom com capuz. Esperou até que a casa ficasse quieta. Abriu a janela. Era uma queda do segundo andar, mas havia uma treliça coberta de hera.

Ela desceu. A chuva a encharcou instantaneamente, gelando-a até os ossos.

Seus músculos enfraquecidos tremiam enquanto ela descia. Uma dor aguda e dilacerante disparava em seu abdômen a cada movimento, e ela mordia o lábio para não gritar.

Apenas a adrenalina e o desespero a impediam de desmaiar.

Ela atingiu a grama e correu em direção ao portão dos fundos.

Sirenes tocaram. Holofotes se acenderam, cegando-a.

Kairós congelou.

Zelo saiu para o pátio dos fundos. Ele segurava uma taça de vinho tinto. Parecia um rei observando um camponês.

- Indo a algum lugar? - gritou ele. - Ou apenas indo encontrar seu amante?

Kairós protegeu os olhos da luz.

- Preciso ver meu avô.

Zelo desceu os degraus de pedra. Aproximou-se dela lentamente. A chuva colava o cabelo dele na testa, fazendo-o parecer selvagem.

- Você não sai desta casa sem a minha permissão.

Ele estendeu a mão e agarrou a corrente de prata no pescoço dela. Era o medalhão de sua mãe. A única coisa que lhe restava de Ginga.

- Ouro de assassina - cuspiu Zelo. - Isso não pertence a este lugar.

Ele puxou. A corrente arrebentou.

O medalhão voou de sua mão, um brilho prateado sob os holofotes fortes, e desapareceu na escuridão dos arbustos podados perto da garagem.

Kairós gritou. Ela não se importava com sua dignidade.

Tropeçou em direção aos arbustos, caindo de joelhos e cavando através das folhas molhadas e galhos.

Zelo a observou, a expressão ilegível.

- Patética - murmurou ele, e voltou para a casa.

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