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Criando o Filho do Alfa
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Capítulo 3 Dahlia

Assim que chegou ao meu trabalho, atrasada novamente, meu chefe manda eu ir ao seu escritório. O local fede a cigarro barato e cerveja. Não posso perder esse trabalho, com tantas contas atrasadas e a ordem de despejo, preciso mais do que nunca me manter nesse lugar insuportável.

"Dahlia, você chegou atrasada novamente," meu chefe declara com a voz rouca e decepcionada. "Sendo que pedi ontem que precisava de você aqui mais cedo."

Respiro pela boca para não sentir o cheiro do seu hálito fedido.

"Sinto muito, senhor. Eu tentei chegar mais cedo, mas a escola do Leo..." começo a me explicar com pressa.

Meu chefe nega com a cabeça e faz um estalo com a língua, impedindo que eu continue a falar.

"Dahlia, você só arruma desculpas para sua incompetência. Aqui é uma empresa séria, correta", ele responde com ar de superioridade. "Não posso manter uma funcionária que não consegue cumprir com o básico."

O desespero começa a dominar o meu corpo. Não posso perder esse trabalho.

"Por favor, senhor, eu prometo que vou melhorar. Se o senhor puder mudar um pouco o meu horário de entrada, eu juro que irei fazer valer a pena," argumento desesperada.

Meu chefe se levanta da sua cadeira e anda na minha direção. A sua presença grotesca me causa enjoo, mas me mantenho firme. Ele fica parado na minha frente, com uma postura de dominador. Ele pega o meu queixo e me obriga a olhá-lo como uma submissa.

"Para eu poder dar o que você quer, Dahlia, você precisa dar algo que eu quero também," ele sugere com a voz rouca e nojenta.

Os dedos ásperos dele passam pelo meu rosto, ele enrola uma mecha do meu cabelo entre os dedos e seus olhos ficam maliciosos em minha direção. Coloco-me de pé em um salto, afastando-me do seu toque como se fosse veneno.

"Só posso oferecer minha competência como funcionária, nada mais além disso", respondo decidida.

Meu chefe me lança um olhar duro e feio. Ele se afasta e volta a se sentar em sua poltrona.

"Então sua competência terá que servir em outro lugar, Dahlia," ele rebate com a voz fria. "Você está demitida."

O pronunciamento me atinge como um soco no estômago, porém não me permito ficar abalada visivelmente. Não quero dar o gostinho para o meu chefe. Ex-chefe.

Saio do escritório com passos decididos e com o desespero contido.

***

Enquanto Leo janta, eu procuro atualizar meu currículo e começo a ver novas vagas de trabalho. Não posso ficar um dia sem trabalhar.

"Você foi mandada embora do seu trabalho por minha causa, mamãe?" Leo pergunta com a voz triste.

Abro um sorriso reconfortante para ele e nego com a cabeça.

"Claro que não, meu anjinho. Era um local bem feio, não gostava de lá," explico com tranquilidade.

Antes que Leo pudesse me perguntar mais alguma coisa, uma batida na porta quebra a nossa conversa. Tenho um sobressalto com o som e Leo também. Coloco-me de pé e sinto o meu coração martelar dentro de mim.

A batida na porta fica mais forte e mais alta também, me trazendo ainda mais apreensão.

"Leo, fique aí," ordeno, séria.

Sinto um medo percorrer meu corpo e a sensação de perigo latente, pego uma faca afiada de cozinha. Vou até a porta e vejo pelo vidro embaçado o contorno de um homem.

Abro um pouco a porta, o coração saltando do meu peito com a sensação de tensão. Do outro lado surge a figura de um homem alto, imponente, de cabelos castanhos lisos penteados para trás. Os olhos castanhos frios dele me atravessam como uma lança afiada. A semelhança entre ele e Leo é gritante.

Atrás dele, há dois outros homens enormes e intimidadores. Um deles possui cabelos pretos ondulados e os olhos castanhos claros puxados, o olhar dele cruza com o meu e sinto um enorme arrepio.

"Onde está o meu filho?" O primeiro homem indaga com a voz rouca e firme.

Ele invade o meu espaço pessoal, me empurrando junto com a porta para entrar em minha casa. O choque me atinge como um raio e eu seguro com mais firmeza a faca em minha mão.

"Ei! Você não pode invadir a casa das pessoas dessa maneira!" informo, incrédula.

Coloco-me na frente dele, impedindo que ele avance pela minha sala e vá em direção ao Leo. Levanto a faca e tento manter minha mão firme.

"Eu vou chamar a polícia se vocês não saírem imediatamente da minha casa!" Ameaço.

O homem solta uma risada curta, seca e zombeteira para mim. Ele avança mais na minha direção e segura a faca pela lâmina. Ele gira minha mão através da faca, meu pulso torce e sinto uma dor. Isso me obriga a largar a faca rapidamente.

"Chame a polícia, fêmea. Quero ver você explicar para eles que você ameaçou a vida do pai biológico dele," o homem declara com a voz cheia de autoridade.

Meu coração acelera ainda mais com as palavras ameaçadoras dele.

Leo surge correndo e empurra o rapaz pela cintura. A sua atitude é inusitada e pega todos nós desprevenidos.

"Sai de perto da minha mãe, seu monstro!" Leo grita decidido.

Sei que a força do meu filho é nada comparada ao tamanho do rapaz, mesmo assim, o homem cambaleia para trás, surpreso. Seguro Leo pelo ombro, afastando-o do sujeito.

Leo está com o olhar zangado e se agarra à minha cintura como se fosse possível me proteger dos três homens que nos encaram sérios.

O homem se agacha na frente do Leo e abre um sorriso de canto. Leo agarra ainda mais firme minha cintura.

"Você é um rapazinho muito corajoso", o homem diz com orgulho na voz. "Você vai se dar bem lá na alcateia."

Olho para ele, incrédula e confusa. Alcateia? O pai de Leo é um louco?

"Ele não vai a lugar nenhum com vocês!" afirmo com firmeza na voz e afasto Leo do sujeito.

O homem levanta o olhar frio em minha direção e um rosnado escapa por entre os seus lábios cerrados.

"Alfa Lakan, eles chegaram," diz o rapaz de cabelos castanhos. "Precisamos ir antes que eles avancem."

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