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Enquanto Eu Sangrava Até a Morte, Ele Acendia Lanternas Para Ela
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Enquanto Eu Sangrava Até a Morte, Ele Acendia Lanternas Para Ela

Autor: Lady Ann
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Capítulo 1 1

Uma sensação aguda e cortante rasgou o baixo-ventre de June.

Foi tão repentino, tão violentamente intenso, que seus dedos ficaram dormentes. O copo de água escorregou de sua mão.

Ele bateu no chão de madeira, estilhaçando-se em dezenas de pedaços pontiagudos. O som ecoou alto no enorme e vazio quarto principal da propriedade dos Compton.

June tentou dar um passo à frente, mas seus joelhos cederam.

Um suor frio brotou instantaneamente em sua testa, colando o cabelo em sua pele. Ela desabou sobre o caro tapete persa, com as mãos voando para o estômago.

Seus pulmões se esqueceram de como puxar o ar. A dor não era apenas uma dor surda; parecia uma lâmina serrilhada se contorcendo dentro de seus órgãos.

Sua visão ficou embaçada nas bordas, tornando-se cinza. Ela conhecia seu corpo. Era uma pesquisadora médica. Isso não era uma cãibra normal de gravidez. Seus sinais vitais estavam despencando.

Seu telefone estava na mesa de cabeceira, a um metro de distância. Parecia um quilômetro.

Tremendo violentamente, June arrastou seu corpo pelo chão. Os pedaços pontiagudos do vidro quebrado cravaram-se em seu joelho, mas ela nem conseguia senti-los por causa da agonia em seu abdômen.

Ela estendeu a mão para cima, seus dedos tateando cegamente a mesa de cabeceira até derrubar o telefone.

A tela brilhante feriu seus olhos. Seus dedos estavam escorregadios de suor frio. Ela pressionou a discagem rápida. Número 1.

Cole.

O telefone tocou uma vez.

June fechou os olhos com força, suas unhas cravando-se com tanta força em suas palmas que a pele se rompeu. Por favor, atenda. Por favor.

Tocou uma segunda vez. Cada segundo se arrastava, pesado e sufocante.

Então, um clique.

"O quê?" A voz de Cole soou pelo alto-falante.

Não era um cumprimento. Era uma parede de gelo. Ao fundo, June podia ouvir o tilintar de taças de champanhe e o jazz suave de uma banda ao vivo.

"Cole..." June ofegou, com a garganta apertada e seca. "Me ajude... o bebê..."

Antes que Cole pudesse responder, uma voz aguda e doce chegou pelo receptor.

"Cole, quem é? Vamos nos atrasar para o tapete vermelho."

Alycia.

O estômago de June revirou. A dor aumentou, enviando uma onda de náusea por sua garganta.

"June", disse Cole, seu tom baixando para um rosnado baixo e impaciente. "Se esta é sua tentativa patética de me impedir de ir à gala, é uma péssima estratégia."

"Não..." June engasgou. Ela sentiu um gosto metálico na boca. Sangue. "Estou sangrando. Por favor."

"Pare de fingir", Cole retrucou. Ela quase podia vê-lo ajustando suas abotoaduras caras, irritado com a existência dela. "Você está perfeitamente bem. Entraremos no palco em dois minutos. Não ligue para este número novamente esta noite."

"Cole, espere-"

A linha ficou muda.

O som de discagem zumbia na sala silenciosa. Parecia uma sentença de morte.

June encarou a tela escura. Seu telefone escorregou de seu aperto fraco, caindo no tapete.

Um calor súbito e aterrorizante se espalhou entre suas coxas.

June olhou para baixo. Uma poça escura e espessa de vermelho encharcava os padrões intrincados do tapete persa.

Sangue. Tanto sangue.

Um pânico primitivo tomou conta de seu peito. Ela estava perdendo o bebê.

Com a última gota de força em seus dedos trêmulos, ela pegou o telefone novamente e discou 911.

"911, qual é a sua emergência?"

"Compton Manor..." June sussurrou, sua voz mal saindo de sua garganta. "Hemorragia. Grávida. Por favor, se apressem."

Ela largou o telefone. Sua cabeça caiu para trás no chão.

Do outro lado do quarto, a enorme TV de tela plana estava no mudo, exibindo uma transmissão ao vivo da gala de caridade.

Através de seus olhos semicerrados, June viu Cole. Ele estava deslumbrante em seu smoking feito sob medida. Ele estava sorrindo.

Ele sorria para Alycia, que tinha o braço firmemente enrolado no dele. Alycia usava um deslumbrante vestido branco, parecendo uma noiva. Os olhos de Cole continham uma ternura que June não via em quatro anos de casamento.

O contraste era brutal. Ele estava sob os holofotes, abraçando outra mulher, enquanto sua esposa sangrava até a morte no chão do quarto dele.

O lamento das sirenes da ambulância perfurou o ar da noite, ficando cada vez mais alto.

No andar de baixo, as pesadas portas de carvalho se abriram com um estrondo. Passos apressados subiram as escadas.

A Sra. Lynch, a governanta-chefe, apareceu na porta. Ela não ofegou de horror com o rosto pálido de June. Em vez disso, seus olhos se voltaram para o chão.

"Céus", a Sra. Lynch murmurou com nojo. "Você estragou o tapete antigo."

Os paramédicos passaram empurrando a governanta. Eles largaram uma bolsa médica e se ajoelharam ao lado de June.

"Senhora? Consegue me ouvir?" um paramédico gritou, apontando uma lanterna de caneta para seus olhos.

June não conseguia falar. O quarto começou a girar.

Eles a levantaram para uma maca. O movimento enviou uma nova onda de agonia por sua pélvis, e uma lágrima silenciosa escorreu por sua têmpora.

Dentro da ambulância, as luzes fluorescentes piscavam.

"A pressão arterial está despencando!" um médico gritou por cima da sirene. "Oito por quatro! Suspeita de gravidez ectópica rompida. Acelera!"

As portas da sala de emergência se abriram bruscamente. As rodas da maca trepidavam violentamente contra o piso de linóleo. As luzes do teto passavam em um borrão vertiginoso.

Enfermeiras a cercaram. Tesouras cortaram suas roupas encharcadas de sangue.

"Onde está a família?" um médico exigiu, segurando uma prancheta. "Onde está o marido? Precisamos de consentimento para a cirurgia de emergência!"

Uma enfermeira se inclinou sobre June. "Sra. Compton? Onde está seu marido?"

June forçou suas pálpebras pesadas a se abrirem. Ela olhou para a enfermeira. Seus lábios tremeram.

"Ele..." A voz de June era um sussurro quebrado. "Ele não virá."

O médico não esperou. "Estamos perdendo ela. Levem-na para a sala de cirurgia agora!"

As pesadas portas da sala de cirurgia se fecharam. Uma máscara foi pressionada sobre seu nariz e boca.

O cheiro doce e químico da anestesia encheu seus pulmões. Seu último pensamento consciente foi o som de Cole desligando o telefone.

Horas depois, o bipe rítmico de um monitor cardíaco a despertou.

June abriu os olhos. O quarto do hospital estava escuro, iluminado apenas pelas luzes da rua de New York City que se infiltravam pelas persianas.

Seu abdômen parecia oco. Uma dor surda e latejante irradiava de suas incisões cirúrgicas.

O quarto estava completamente vazio. Não havia flores. Não havia marido sentado na cadeira ao lado de sua cama.

Uma enfermeira entrou para verificar seu soro. Ela lançou a June um olhar de profunda pena.

"Sra. Compton", a enfermeira disse suavemente. "Tentamos ligar para o número de contato de emergência listado em seu arquivo várias vezes. Um Sr. Compton. Ele... ele não atendeu."

June virou a cabeça lentamente para olhar pela janela. As luzes da cidade se transformaram em rastros de ouro e prata.

Ela não chorou. As lágrimas haviam sumido, substituídas por um bloco de gelo sólido e congelante em seu peito.

Ela fechou os olhos. A June que amava Cole Compton havia morrido naquela mesa de operação.

            
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