Um perfume delicado emanava dela, não o tipo de perfume que se poderia esperar, mas algo estranhamente familiar, embora ele não conseguisse se lembrar onde já havia sentido esse cheiro antes.
Havia também uma característica peculiar nela que despertava uma lembrança vívida de Emilia.
Emilia sempre parecia delicada, mas por trás dessa suavidade havia uma firmeza inabalável.
Ela era extremamente independente e inabalavelmente determinada.
Por exemplo, quando decidia ir embora, nunca voltava atrás, sem dar uma segunda chance a ninguém e sem deixar qualquer margem para negociação.
De repente, Daniel percebeu que estava pensando em Emilia novamente, o que fez suas sobrancelhas se franzirem. Nos últimos cinco anos, ela surgia na sua mente vez ou outra, principalmente quando estava grávida de sete meses, e ele também pensava no filho que não havia nascido. Ele se pegava pensando que, se ela não tivesse decidido interromper a gravidez naquela época, o filho deles já teria cinco anos.
Naquela época, ele não tinha sentimentos tão profundos por ela, mas o divórcio nunca passou pela sua cabeça, e ele aguardava tranquilamente a chegada do filho. Uma frieza se instalou no semblante dele ao pensar nisso.
"Daniel, essa Amelia Morgan tem um temperamento e tanto. Por que não procuramos outra pessoa para seu avô? Há vários especialistas que entendem de antiguidades", sugeriu Isabel.
A expressão de Daniel se fechou. "Pode até haver, mas o vovô apenas a quer. Archie, investigue o passado dela. Quero saber de cada detalhe."
"Por que precisa investigá-la? Por acaso está... interessado nela?", perguntou Isabel com cautela.
A apreensão a dominava. Desde que Emilia desapareceu, ela ficava ao lado dele, mas ele nunca sequer mencionava se casar com ela.
Felizmente, por ser naturalmente distante e de difícil acesso, ele nunca demonstrou o menor interesse por qualquer outra mulher.
No entanto, a forma como ele olhou para Amelia despertou um breve e inquietante alarme no seu coração.
"Não tenho interesse nela. Mas como o vovô quer vê-la, é melhor termos certeza de quem ela é", respondeu Daniel friamente.
Ao ouvir isso, Isabel se tranquilizou um pouco, convencida de que ele só estava investigando Amelia por causa do avô dele.
Ela também supôs que Amelia era apenas uma mulher feia que se escondia atrás de um véu, alguém que ele jamais poderia achar atraente.
"Vamos para o hotel", disse Daniel, se virando e indo embora.
Emilia, enquanto isso, voltou para seu escritório, com a mão pressionada contra o peito e o coração batendo violentamente.
Agora ela se deu conta de que Daniel queria levá-la para avaliar algumas antiguidades. Após três anos casada, ela sabia melhor do que ninguém o quanto ele podia ser autoritário e dominador.
Provavelmente, ele iria atrás dela novamente. Ela havia deixado que ele a visse nesse dia, mas não conseguia saber se ele a reconheceu ou se logo começaria a investigar quem ela era de verdade.
Ela não podia correr o risco de ele descobrir algo sobre ela, muito menos a verdade sobre os filhos dela.
Pegando seu celular, ela discou um número. A ligação foi atendida quase que instantaneamente, e uma voz masculina grave e calma surgiu do outro lado da linha: "Querida, o que houve?"
"Preciso de um favor seu. Alguém pode começar a investigar sobre mim. Não posso deixar que ele descubra nada sobre mim", disse Emilia.
Sozinha, ela não tinha como impedir que Daniel investigasse seu passado, mas o homem do outro lado da linha com certeza tinha.
"Está bem", ele disse com uma indiferença despreocupada.
No momento em que ouviu a resposta dele, Emilia soube que a questão seria resolvida.
"Essa já é a terceira vez", comentou o homem abruptamente, num tom lento e ponderado.
"O quê?", Emilia não fazia a menor ideia do que ele estava falando.
"Nos cinco anos que nos conhecemos, já te ajudei três vezes. Então me diga uma coisa: quando chegarmos a cinco, você vai se casar comigo?", ele perguntou com um tom levemente provocador.
Alto e incrivelmente bonito, ele estava deitado no sofá com uma confiança descontraída, com seu roupão aberto, revelando um abdômen perfeitamente esculpido, enquanto um sorriso malicioso se curvava nos seus lábios, lhe dando um ar de sedução perigosa.
Ao ouvi-lo, Emilia estremeceu. Casar-se com ele era a última coisa que ela queria fazer. Esse homem provavelmente era ainda mais aterrorizante do que Daniel.
"Isso jamais vai acontecer. Você me ajuda, e eu ganho dinheiro para você. Assim, ficamos quites", ela respondeu com firmeza.
"Prefiro que você administre minha fortuna em vez de simplesmente fazê-la crescer", disse o homem.
"Então vá encontrar uma esposa gentil e virtuosa para administrar sua fortuna. Eu provavelmente fugiria com até o último centavo", ela retrucou.
"Que mulher sem coração", brincou o homem.
Após desligar a ligação, Emilia enviou uma mensagem para seu gerente solicitando dois dias de folga, depois respirou fundo para se acalmar, abrindo a porta do seu escritório. "Olivia, já terminei. Vamos... Olivia?"
Seus olhos vasculharam a sala, mas a garotinha não estava em lugar algum.
Enquanto isso, no estacionamento do subsolo, duas figuras minúsculas espreitavam com cautela por trás de uma parede. Com um suspiro discreto, Leo abriu seu notebook para limpar a bagunça que Asher havia feito.
Asher havia pichado o carro de Daniel. Cedo ou tarde, Daniel iria verificar as imagens de vigilância e, se eles fossem identificados, as consequências seriam sérias.
Após invadir o sistema de vigilância e apagar a gravação, Leo finalmente se sentiu um pouco mais aliviado.
A uma pequena distância, Asher estava ao lado de Olivia, esperando ansiosamente para ver a cara de Daniel quando descobrisse o que havia sido feito.
"Quem foi que fez isso!", alguém exclamou.
Um grupo de pessoas se aproximou deles, com Daniel à frente.
O rosto de Archie se contraiu de choque ao olhar para as palavras enormes pichadas no carro, as lendo em voz alta sem pensar: "Esse homem sem coração abandonou sua esposa e filhos. Uh... senhor Wright..."
Uma expressão de horror tomou conta do seu rosto enquanto ele olhava para Daniel, sem conseguir imaginar quem seria tão ousado, ou idiota, a ponto de fazer algo assim. Ele tinha certeza de que o culpado só podia estar completamente fora de si.
"Quem diabos foi que fez isso? Eles só podem estar completamente loucos", murmurou Isabel, com as sobrancelhas franzidas de irritação.
No momento em que Daniel viu a mensagem pichada, uma sombra tomou conta do seu rosto. As palavras mal escritas deixaram bem claro para ele que uma criança havia sido a responsável.
"Senhor, vou verificar as imagens de vigilância agora mesmo", disse Archie prontamente.
De repente, uma leve onda de risadas ecoou no ar.
A audição de Daniel era incrivelmente aguçada. Seu olhar se ergueu e ele se virou para onde o som vinha. No instante seguinte, ele avistou duas figuras minúsculas espreitando com cautela por trás da parede.
Asher foi o primeiro a reagir. "Eles nos viram. Olivia, corra!"
"Hã? O quê!" Pega de surpresa, Olivia estremeceu. Quando ela se virou, seus irmãos já estavam correndo bem à frente dela.
"Ei, esperem por mim!" Nervosa, Olivia correu atrás deles, mas a barra do seu vestido acabou se prendendo em algo. Após dar apenas um passo, ela tropeçou e caiu de cara no chão.
Nesse momento, Daniel já havia a alcançado. Agora, não havia mais chance de escapar. Deitada no chão, Olivia cobriu rapidamente os olhos com as mãos, esperando secretamente que eles não a notassem ali.
Sem dizer uma palavra, Daniel se aproximou. Após parar por um momento enquanto olhava para a garota, ele se abaixou e a puxou pelo braço.
Mesmo assim, ela mantinha os olhos bem fechados e as mãos firmemente pressionadas sobre o rosto, como se isso pudesse de alguma forma impedi-lo de reconhecê-la.
"Já estou te vendo. Pare de cobrir o rosto", disse Daniel friamente.
Convencida de que havia se escondido perfeitamente, Olivia abriu lentamente os olhos, com a confusão brilhando neles.
Ela não conseguia entender como havia sido descoberta, pois sempre que brincava de esconde-esconde com seus irmãos, era ela quem conseguia se esconder melhor.
Pouco a pouco, ela abaixou as mãos. Pendurada desajeitadamente no ar, ela mexia seus bracinhos e perninhas, mas não conseguia se soltar.
Então, ela olhou para Daniel com seus olhos grandes e redondos. Era a primeira vez que ela via seu pai tão de perto. Após piscar algumas vezes, ela percebeu que seus irmãos realmente se pareciam muito com ele.
Ela ficou secretamente feliz por ter herdado a aparência da sua mãe ao invés da do seu pai horrível.
Com esse pensamento, ela ergueu o queixo e fez uma careta.
Daniel a observou em silêncio e pôde perceber pela expressão no rosto dela que sua cabecinha estava cheia de pensamentos.
"Quem são seus pais e por que você pichou meu carro?" Não havia o menor indício de cordialidade no seu tom.
Mesmo assim, Olivia não ficou nem um pouco com medo dele. Pelo contrário, ela cerrou os lábios com ainda mais teimosia.
Sua mãe havia a avisado para nunca falar com pessoas ruins, e seu pai era definitivamente uma pessoa ruim, do tipo que a sequestraria e a manteria longe da sua mãe, então ela se recusou a dizer uma palavra a ele.
"Se você se recusar a falar, vou te entregar à polícia, e eles encontrarão seu pai", disse Daniel.
Ao ouvi-lo, Olivia piscou.
Ela achava Daniel um tolo inacreditável, já que ele era seu pai.
Daniel presumiu que uma criança da idade dela ficaria apavorada com a polícia, mas ela não parecia nem um pouco assustada.
"Quando uma criança causa problemas, são os pais que acabam pagando por isso. Vou colocar seu pai atrás das grades", acrescentou ele.
Na verdade, Olivia achou essa ideia bastante atraente e até esperava que ele fizesse isso.
Quando Daniel percebeu que ela ainda não reagia, mudou sua abordagem e disse: "Então vou atrás da sua mãe."
"Por que você quer pegar minha mãe? Vá pegar meu pai! Não minha mãe!", Olivia gritou, colocando as mãos na cintura e inflando as bochechas com raiva.
Daniel soltou uma risada breve e sem humor.
Observando como as reações dela eram completamente diferentes quando se tratava dos seus pais, ele concluiu que o pai dela devia estar fazendo um trabalho péssimo.