Fomos divididos entre vôlei e basquete pelo próximo mês, e escolhi vôlei, já que Ethan e Kieran não estavam nesse grupo, mas, para minha decepção, Jessy estava.
Minhas opções não eram nada boas: basquete com os gêmeos intrometidos ou vôlei com os comentários maldosos de Jessy - eu preferia os comentários maldosos mil vezes.
Embora a camiseta de ginástica tamanho M me servisse confortavelmente, só havia shorts no tamanho P. Apesar de eu ser magra, meus quadris eram largos e meu bumbum grande, fazendo com que o short ficasse subindo pelas coxas e parecesse prestes a rasgar a qualquer momento, mesmo que o tecido de malha fosse bastante resistente.
De alguma forma, consegui sobreviver a quinze minutos desviando da bola de vôlei, até que algo aconteceu.
Quando Jessy sacou a bola e alguém do outro time a rebateu diretamente para o meu rosto, eu me preparei para o impacto, mas, em vez de ser atingida, fui subitamente derrubada no chão.
Minha cabeça bateu no piso de linóleo com um estalo assustador, e um gemido atordoado escapou dos meus lábios enquanto meus dentes batiam uns nos outros.
"Merda, Sophia. Você está bem?", perguntou a voz familiar de Lilian, que estava acima de mim.
Ela estendeu a mão, e eu a peguei, agradecida.
Enquanto ela me ajudava a me levantar, o mundo girou um pouco, e eu sabia que teria uma dor de cabeça terrível no dia seguinte, mas eu sobreviveria.
"O que diabos aconteceu?", perguntei, tocando o lado da minha cabeça procurando por algum vestígio de sangue.
Quando olhei para Lilian, vi os olhos presunçosos de Jessy, rindo com outra garota, e ao me pegar olhando, ela acenou para mim com provocação.
"Foi a Jessy", respondi à minha própria pergunta, cerrando os dentes.
Nesse momento, percebi que o resto da turma havia parado de jogar basquete para observar o que acabara de acontecer.
Meus olhos percorreram os outros alunos até pousarem em Ethan e Kieran, e meu coração quase parou ao ver seus corpos suados e cabelos bagunçados - meu sangue gelou diante dos seus olhares assassinos.
"Lilian, leve Sophia para a enfermeira. Todos os outros, voltem a jogar!", o professor de educação física ordenou.
Alguns apitos depois, era como se nada tivesse acontecido.
Lilian me levou até a enfermaria, onde nos sentamos para esperar.
"Volto num instante, querida. Um pobre garoto vomitou na aula de ciências", disse a enfermeira, se estremecendo antes de sair da sala.
"Pelo menos você não é a única tendo um dia ruim", Lilian brincou.
"Pois é", respondi com uma risada seca, minha cabeça começando a latejar. "Pelo menos todos viram ela me derrubar."
"Nada vai acontecer com ela", Lilian fez uma careta.
"Por que não? Todos viram ela me derrubar. Desde quando isso é normal?"
"Desde que ela é Jessy, o brinquedinho favorito de Kieran", Lilian riu com desdém.
Balancei a cabeça. "Qual é o problema dessas pessoas? Como elas não se metem em problemas?"
"Os pais deles são praticamente os donos da cidade. Ninguém quer ficar mal com eles, principalmente com os gêmeos", Lilian deu de ombros.
"Isso precisa mudar. Você não precisa ficar aqui comigo, sabe."
"Qualquer desculpa para faltar à aula de educação física está ótima para mim. Como está sua cabeça?", Lilian perguntou com uma risada.
"Como se eu precisasse de uma nova", respondi, esperando que a enfermeira me desse algum analgésico.
"Ah, isso me fez lembrar. Vai ter uma festa neste sábado, e quero que você vá comigo. Vou convidar Kat também depois da escola", disse Lilian com um sorriso.
"Como isso te fez lembrar de uma festa?", perguntei, balançando a cabeça.
"Não faço ideia, mas você está interessada?"
Lilian era uma daquelas garotas que transitavam bem por todos os grupos sociais, tendo muitos amigos atletas, mas conseguindo se adaptar a qualquer lugar.
"Acho que sim", respondi com um encolher de ombros.
Eu só trabalhava das oito da manhã às seis da tarde, então teria tempo para tomar banho e me arrumar.
"Ótimo! Use um vestido ou algo do tipo. Tenho esses saltos que estou louca para usar."
"Não tenho vestidos e prefiro ficar confortável", respondi, dando de ombros.
Eu não pretendia beber ou fumar, só estava indo para acompanhar uma amiga, e a última coisa que eu queria era chamar a atenção.
"Espere, os gêmeos estarão lá?", perguntei com uma carranca, pois definitivamente não iria se eles fossem.
"Eles nunca vêm às nossas festas. Eles devem achar que as deles são melhores ou algo do tipo. Quem faz festa no meio da floresta? Que esquisitos."
"Isso é estranho e um pouco assassino", concordei.
Lilian teve que voltar para a aula quando a enfermeira trouxe um garoto com uma cara verde para a sala.
Depois de me examinar e me dar um analgésico, ela disse que eu poderia ir para casa.
"Não, obrigada. Uma amiga me leva para casa, e eu não estou com vontade de andar."
"Posso ligar para sua mãe", a enfermeira gordinha ofereceu com um sorriso gentil.
"Não, não. Não precisa. Ela está trabalhando e não ficará feliz se receber uma ligação."
"Bom, tudo bem, querida. Só fique tranquila e beba bastante água. Não faria mal se você fosse a um médico", aconselhou a enfermeira.
"Sim, claro. Vou pedir para um médico me examinar", menti, pois não havia chance de eu ir a um médico tão cedo.
Eu não fazia ideia de onde ficava o médico mais próximo e tinha certeza de que não tinha seguro.
Saí da enfermaria antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa e fui até meu armário.
Fiquei sentada no corredor por mais meia hora antes de encontrar motivação para me levantar do chão.
Ir para casa mais cedo não era uma opção, pois Darren provavelmente estaria em casa e iria direto para Lauren se me visse.
Quando o sinal do fim da aula tocou, me levantei do chão. Andei lentamente, abrindo meu armário e colocando meus livros na minha mochila velha.
Quando o segundo sinal tocou, os alunos começaram a sair das salas.
De repente, o cheiro familiar e inebriante de colônia e suor masculino invadiu meu nariz - resisti à vontade de suspirar e fechei meu armário.
"Parece que a bonequinha está tendo um dia ruim", disse Ethan com um sorriso, seus olhos escuros se desviando para o irmão e depois voltando para o meu rosto.
Ethan estava de um lado de mim, bem perto, euqnato Kieran estava do outro, seus olhos escuros olhando para minha cabeça.
"Como está sua cabeça, querida?", Kieran perguntou com uma voz rouca, com os cantos dos lábios curvados para baixo.
Os joguinhos mentais deles fizeram minha cabeça latejar novamente. Num minuto eles me insultavam, no outro Ethan não tirava as mãos de mim. Depois, eles me lançavam olhares de morte, para depois se preocuparem com minha cabeça.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Kieran segurou meu queixo, virando meu rosto para o dele - seu toque me causou um arrepio estranho, e eu me estremeci quando a respiração de Ethan atingiu meu ouvido.
A outra mão de Kieran era surpreendentemente gentil, o que me deixou ainda mais confusa, pois ele estendeu a mão e tocou o local onde eu havia batido a mão no chão da quadra.
Um gemido de dor escapou dos meus lábios com seu toque, e eu me afastei, me aproximando de Ethan.
"A bonequinha está machucada. Você sabe o que isso significa, Kieran", Ethan murmurou no meu ouvido.
"Vamos fazer você se sentir melhor, querida", disse Kieran num murmúrio áspero, seus dedos segurando meu queixo com força.
Meu coração batia forte no meu peito, e a vontade de correr era constante.
Eu estava em guerra comigo mesma: enquanto uma parte de mim queria fugir, outra se deleitava com o toque gentil deles e a atenção que estavam me dando.
Um grito de surpresa escapou dos meus lábios quando as mãos de Ethan seguraram minha cintura, com seus dedos provocando a barra da minha camiseta e tocando a pele macia por baixo.
"P-pare", murmurei, afastando suas mãos.
Ele afastou minhas mãos sem esforço enquanto Kieran inclinava minha cabeça.
"Shhh." O hálito de menta de Kieran pairava sobre meu rosto sedutoramente.
Quando ele inclinou minha cabeça para o lado, eu me assustei ao sentir um par de lábios macios colidir com meu pescoço.
"O que está fazendo?", gritei enquanto seus lábios desciam pelo meu pescoço.
Dizer que isso era bom seria um eufemismo, pois uma parte oculta de mim queria ficar nesse corredor vazio com eles, longe das tormentas da vida fora da nossa pequena bolha.
"Fazendo você se sentir melhor, boneca", Ethan murmurou, seus dedos traçando padrões na minha barriga nua.
Kieran era habilidoso com a boca, dando pequenos beijos e mordiscadas no meu pescoço e ombro, me fazendo ofegar de dor e prazer.
"Sophia?" A voz familiar de Kat ecoou pelo corredor, acompanhada de seus passos.
O relógio na parede distante mostrava 14h12, dois minutos após o segundo sinal.
Mais rápido do que eu poderia imaginar, Kieran e Ethan se afastaram de mim.
"Até a próxima, querida", Kieran murmurou no meu ouvido, sua barba rala fazendo cócegas na minha bochecha.
Estremeci visivelmente com sua voz rouca, meus olhos fixos no sorriso que seus lábios carnudos formavam - queria beijá-los, mas também queria afastá-los e correr.
Então, os gêmeos se viraram e me deixaram sozinha no corredor.
Kat apareceu um segundo depois, com um olhar estranho no rosto.
Bom, os gêmeos estavam certos em uma coisa: minha dor de cabeça agora era apenas uma lembrança distante.