Como odiar um CEO em 48 horas
img img Como odiar um CEO em 48 horas img Capítulo 2 Quanto tempo tenho de vida (II)
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Capítulo 6 Babilônia (II) img
Capítulo 7 Heitor Casanova img
Capítulo 8 Heitor Casanova (II) img
Capítulo 9 O fim de um ciclo de quase dez anos img
Capítulo 10 O fim de um ciclo de quase dez anos (II) img
Capítulo 11 Conversando sobre o CEO img
Capítulo 12 Conversando sobre o CEO (II) img
Capítulo 13 Um novo encontro desastroso img
Capítulo 14 Um novo encontro desastroso (II) img
Capítulo 15 Uma conversa sobre oral img
Capítulo 16 Uma conversa sobre oral (II) img
Capítulo 17 Sebastian Perrone img
Capítulo 18 Sebastian Perrone (II) img
Capítulo 19 Hazard img
Capítulo 20 Hazard (II) img
Capítulo 21 Você gozou img
Capítulo 22 Você gozou (II) img
Capítulo 23 Por que eu te amo tanto img
Capítulo 24 Por que eu te amo tanto (II) img
Capítulo 25 Mandy Novaes img
Capítulo 26 Mandy Novaes (II) img
Capítulo 27 Salma img
Capítulo 28 Salma (II) img
Capítulo 29 Senhora Bongiove img
Capítulo 30 Senhora Bongiove (II) img
Capítulo 31 24 horas img
Capítulo 32 24 horas (II) img
Capítulo 33 Ainda não passou as 24 horas img
Capítulo 34 Ainda não passou as 24 horas (II) img
Capítulo 35 Allan C e o início das 48 horas img
Capítulo 36 Allan C e o início das 48 horas (II) img
Capítulo 37 48 horas img
Capítulo 38 48 horas (II) img
Capítulo 39 O fim das 48 horas img
Capítulo 40 O fim das 48 horas (II) img
Capítulo 41 Allan Casanova img
Capítulo 42 Allan Casanova (II) img
Capítulo 43 Eu odeio um CEO img
Capítulo 44 Eu odeio um CEO (II) img
Capítulo 45 A senhorita Connor acaba de chegar img
Capítulo 46 A senhorita Connor acaba de chegar (II) img
Capítulo 47 A gente mira e nem sempre acerta o tiro img
Capítulo 48 A gente mira e nem sempre acerta o tiro (II) img
Capítulo 49 Jardel img
Capítulo 50 Jardel (II) img
Capítulo 51 Eu não sou gay, Bárbara img
Capítulo 52 Eu não sou gay, Bárbara (II) img
Capítulo 53 Oi vida, oi sorte! img
Capítulo 54 Oi vida, oi sorte! (II) img
Capítulo 55 Desclassificado img
Capítulo 56 Desclassificado (II) img
Capítulo 57 Eu não sei me comportar img
Capítulo 58 Eu não sei me comportar (II) img
Capítulo 59 Me desculpe img
Capítulo 60 Me desculpe (II) img
Capítulo 61 Eu fiz uma burrada img
Capítulo 62 Eu fiz uma burrada (II) img
Capítulo 63 Heitor + Bárbara img
Capítulo 64 POV Heitor Casanova I img
Capítulo 65 POV Heitor Casanova II img
Capítulo 66 POV Heitor Casanova III img
Capítulo 67 POV Heitor Casanova IV img
Capítulo 68 POV Heitor Casanova V img
Capítulo 69 Diga... Obrigada! img
Capítulo 70 Diga... Obrigada! (II) img
Capítulo 71 Eu aceito img
Capítulo 72 Eu aceito (II) img
Capítulo 73 Meu coração está na North B. img
Capítulo 74 Meu coração está na North B. (II) img
Capítulo 75 Você é médico também img
Capítulo 76 Você é médico também (II) img
Capítulo 77 Não sei se mato você agora... Ou depois. img
Capítulo 78 Não sei se mato você agora... Ou depois (II) img
Capítulo 79 Agora! img
Capítulo 80 Agora! (II) img
Capítulo 81 O que você está fazendo aqui img
Capítulo 82 O que você está fazendo aqui (II) img
Capítulo 83 Celine Casanova img
Capítulo 84 Celine Casanova (II) img
Capítulo 85 Nós precisamos de você img
Capítulo 86 Nós precisamos de você (II) img
Capítulo 87 Vamos discutir a relação img
Capítulo 88 Vamos discutir a relação (II) img
Capítulo 89 Tony img
Capítulo 90 Tony (II) img
Capítulo 91 Você é doida, Bárbara img
Capítulo 92 Você é doida, Bárbara (II) img
Capítulo 93 Estamos fodidos img
Capítulo 94 Estamos fodidos (II) img
Capítulo 95 Espero que você tenha um bom advogado img
Capítulo 96 Espero que você tenha um bom advogado (II) img
Capítulo 97 POV Heitor img
Capítulo 98 POV Heitor (II) img
Capítulo 99 POV Heitor img
Capítulo 100 POV Heitor (II) img
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Capítulo 2 Quanto tempo tenho de vida (II)

Meus olhos vidraram na direção dele. Que ginecologista sarcástico e cruel.

- Uma dieta saudável e prática de exercícios físicos ajudam a reduzir os sintomas, embora não sejam suficientes para resolver todo o problema.

Peguei a receita, os exames arquivados numa pasta, junto com toda a minha agonia e despedi-me dele.

Assim que desci do elevador, no térreo e vi a luz do dia fora do prédio, peguei meu celular:

- Google, me diga tudo sobre endometriose.

Fui ouvindo enquanto me dirigia para casa, caminhando.

A consulta foi final de tarde e ainda atrasou trinta minutos. O dia tinha sido livre, já que meu emprego temporário acabou na semana que passou.

Então agora eu tinha que procurar outro emprego, pois dinheiro não caía do céu. E além de tudo, eu tinha a tal endometriose que não era nada simples.

Quando o Google acabou de falar, tenho a impressão de que doutor Ginecologista pode ter copiado tudo que me disse dali. Ou ele explicou muito bem, porque o senhor Google não tinha nenhuma novidade além do que me foi dito.

Cheguei em frente ao meu prédio e fiquei cansada só de pensar em subir as escadas. A porcaria do elevador passava mais tempo estragado do que funcionando. Isso que dava morar em prédio velho. Cobravam um valor absurdo de condomínio por um péssimo serviço prestado.

O lugar onde eu morava ficava no centro de Noriah Norte, próximo de quase tudo. Embora o aluguel fosse alto, diminuía despesas com transporte. Eu divida aluguel com dois amigos: Benício, que chamávamos de Ben, e Salma.

Salma era minha amiga desde sempre. Viemos juntas da cidade onde morávamos para dividir o aluguel e estudarmos. Eu fui para a faculdade e ela foi ser dançarina numa boate. Nunca passou nem na frente da faculdade.

Ben eu conheci na faculdade. E desde que o vi a primeira vez já sabia que seríamos melhores amigos. Um mês depois ele foi morar conosco, porque era mais perto da faculdade.

O incrível é que não fazíamos o mesmo curso e por coincidência, na primeira matéria que cursamos, que era básica e envolvia quase todos os cursos, nos encontramos e foi amor à primeira vista.

Subi as escadas contando os passos, já imaginando se aquilo faria bem para minha endometriose. Bem, não deixava de ser um exercício físico. Pobre era assim: fazia da correria diária exercício físico. Eu sonhava um dia poder viver uma vida diferente, sem precisar contar os centavos para pagar as contas ao final do mês. Assim como ser menos azarada com tudo que acontecia na minha vida.

Porque sinceramente, às vezes eu achava que Deus me colocou na terra e disse: "Vamos ver o quanto esta Bárbara Novaes aguenta. Hum... Acho que vou testar a força das mulheres nela". Então eu olhei para ele e mostrei o dedo do meio e disse:

- É só isso que você tem para mim? Manda mais que eu suporto.

E assim Ele ficou puto comigo e continuou mandando coisas ruins... Até agora. Inclusive pensou: "Onde ela morar vou acabar com o sossego dela." "Elevador, pare de funcionar". Daí alguém vinha e arrumava. "Elevador, pare de novo". Deus não se dava por vencido quando o assunto era eu.

Meu negócio com Deus é que fui obrigada a minha inteira a frequentar a missa aos domingos, junto da minha avó. Ela sempre falou que era preciso termos fé para conseguir as coisas. E mesmo estando na casa de Deus todo este tempo, Ele não foi nada justo comigo. Então um dia eu decidi que não acreditaria mais Nele. E não exerceria mais a minha fé. Buscaria sozinha o que eu precisava.

O certo é que cada vez que a vida tentasse me derrubar, ela ia ganhar em troca um dedo do meio.

Abri a porta e vi Ben e Salma sentados no sofá, comendo pipoca e assistindo filme clichê, daqueles que já assistimos 435 vezes e ainda assim chorávamos no final. Sim, tínhamos uma seleção de filmes por lista: "para chorar", "para gritar", "para rir", "para fingir que está vendo".

- Babi, vem olhar um filme com a gente. – Chamou Ben, me dando espaço ao lado dele.

Sentei e já vi a cena de "Um amor para recordar".

- Vocês não precisam deste filme para chorar. – falei, pegando um punhado de pipoca. – Chorem ouvindo o que descobri hoje no ginecologista.

Os dois me olharam.

- Fala, Babi. – Salma me olhou, curiosa.

- Tenho uma doença chamada endometriose.

- Babi, isso não é tão sério. E tem remédio. Minha mãe tem. – Ben voltou a olhar para a TV.

- Ben, não faz isso comigo. Me fale tudo sobre isso, por favor.

- Depois que acabar o filme, amorzinho. – me puxou para junto do corpo dele.

Ben era aquele tipo de pessoa que ter como amigo era um privilégio: carinhoso, inteligente e fiel. Era magro, tinha os cabelos compridos, que geralmente usava para penteados criativos e originais. Os olhos eram claros e a pele tipo porcelana, que ele barbeava diariamente e usava tantos cremes quanto conseguia passar ao longo do dia.

Ele era formado em moda e trabalhava numa revista. Ben era uma mulher que nasceu por acidente no corpo de um homem. Foi aquele que Deus quando foi colocar no corpo acabou se confundindo e botando no errado. E meu amigo que lutasse.

Embora eu convivesse com Salma praticamente a vida inteira, Ben tinha meu coração e era muito mais sábio em conselhos.

Assim que o filme acabou, Ben me tranquilizou com relação a doença. Ouvi-lo falar de forma tão tranquila e simples me fez bem.

- Conseguiu emprego? – Salma perguntou, enquanto buscava água na geladeira, vestindo somente uma calcinha larga e camiseta branca rasgada, daquelas que parece que vieram da guerra.

- Nada... Nadinha. – resmunguei, chateada.

- Só faz uma semana, Babi. – Ben disse. – Logo vai encontrar algo.

- Estou cansada de empregos temporários. Além de pagarem mal não tenho nenhum benefício. Um ano que pulo de galho em galho. – reclamei.

- Não precisa ficar sem emprego. Sempre tem vaga de dançarina na Babilônia.

Arqueei a sobrancelha e ri:

- Ainda não desistiu de mim, Salma?

- Claro que não. Você daria uma ótima dançarina. Corpo perfeito, linda... Seria contratada na hora, Babi.

- Sem desmerecer seu trabalho, amiga, mas não estudei pra isso. Além do mais, você me imagina dançando numa caixa de vidro enquanto todo mundo me olha? – comecei a gargalhar. – Eu pago para não ser notada.

- Sem contar o fato que se algum homem se engraçasse com ela, Babi seria capaz de arrancar o coração dele com as próprias mãos. – Ben completou.

- Eu já disse que não sou garota de programa, gente. – Salma se justificou enquanto bebia a água na própria garrafa.

- Eu não quis dizer isso, Salma. – Ben se justificou.

- Quero saber quando vocês vão lá, para ver o que eu realmente faço.

- Quando tivermos grana, bem. – Ben revirou os olhos. – A entrada é quase metade do meu salário de comentarista de moda de celebridades, iniciante numa revista decadente.

Começamos a rir.

- No meu caso, nem salário tenho. Mas sinceramente, acho que pagam muito bem vocês, Salma. Mas claro que a entrada é altíssima também. Mas sim, quero conhecer aquele lugar um dia. E ver se realmente as dançarinas não se envolvem com os frequentadores.

- Eu juro que não, Babi.

- Mesmo que fosse... Eu não tenho nada a ver com sua vida e suas escolhas, amiga.

- A opinião de vocês importa. – disse Salma. – Assim como você deveria ter levado em conta a nossa e não ter perdido oito anos da sua vida.

- Querem mesmo falar de Jardel?

- Sim. – os dois afirmaram ao mesmo tempo.

            
            

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