Enquanto jogava as roupas na máquina de lavar, olhei em volta e percebi que minha casa estava uma bagunça. Meus gatos miavam e brincavam no meio do caos, e minha paciência estava se esgotando rapidamente.
Mas, por dentro, eu também estava me questionando. Que tipo de site de namoro não lhe notifica sobre futuros pretendentes, encontros, conversas? Era algo que me intrigava profundamente.
Da última vez que entrei naquela plataforma, não havia mensagem alguma. A tela estava preta, como se aquele site nunca tivesse existido. Comecei a me sentir curiosa e até um pouco frustrada. O que estava acontecendo?
Por que eu parecia ser a única que não recebia notificações de interesse? Aquela sensação de incerteza sobre minha vida amorosa estava começando a me consumir, e eu sabia que precisava descobrir o que estava acontecendo com aquele misterioso site de namoro.
- Até parece que é você quem precisa de um namorado. – Murmurei, enquanto jogava as peças com certa raiva, dentro da máquina. – Você não tem dois filhos para criar?
- Quer duvidar da minha maternidade? – Franziu o cenho.
- Quero que lembre que eu não sou sua filha, e estou feliz sozinha.
- Deixa de mentir. – Ela bateu no mármore. – Está com uma calça de moletom de quando ainda era uma adolescente. – Apontou.
- Eu amo essa calça, deveria cuidar das suas rugas.
Ela fez uma cara de espanto e ofendida.
- Você é malvada. – Tocou no rosto. – Eu só quero que seja feliz. – Começou a chorar.
Arfei, revirando os olhos. Talvez eu tenha passado do ponto.
- Desculpa – Baixei os ombros. – É que você não para de falar. Isso já está me deixando irritada. – Cruzei os braços, pensando. – Já fazem dois dias. Eu preenchi a droga do formulário, o que está acontecendo? Será que os caras não me acham interessante?
- Você é interessante, linda, inteligente.
- Está tentando me acalmar? – Levantei a sobrancelha.
- Se não acha um cara no site, então devia ir a um bar. Foi assim que conheci o Tom.
Enquanto ela continuava a encher minha cabeça com preocupações sobre minha vida amorosa, eu não podia evitar me questionar o que estava errado comigo.
Suas palavras constantes haviam feito com que eu começasse a acreditar que talvez houvesse algo intrinsecamente errado dentro de mim.
A ideia de ir a um bar e tentar encontrar alguém para conversar parecia deprimente demais no momento. Eu não estava preparada para enfrentar isso. Então, enquanto eu olhava para a bagunça ao meu redor, a campainha tocou.
Aquilo me pareceu estranho, e minha irmã bisbilhoteira se levantou rapidamente e foi até a porta. Quando ela voltou para a cozinha, em suas mãos havia um envelope preto com detalhes em dourado, algo que chamou minha atenção imediatamente.
Eu não podia deixar que Agatha abrisse aquele envelope antes de mim, então corri e o peguei de suas mãos antes que ela pudesse dar uma espiada.
- Quem entregou isso? – Perguntei, quando o envelope estava a salvo nas minhas mãos.
- Um cara, estranho, de terno. Pareci um garçom ou um mordomo.
Isso é estranho. Acreditei que fosse um engano até ver meu nome, escrito em letras douradas. Arregalei os olhos. Então, passei a encarar a minha irmã.
- Só uma pergunta – Cerrei os olhos e me aproximei dela. – Isso é alguma armação sua?
- O quê? – Ficou chocada. – Por que eu faria isso?
- Por que? – Levantei a sobrancelha.
- Posso estar desesperada para arranjar um namorado para você, mas fazer essa cena é demais.
Eu concordo, contudo, o que estava acontecendo?
- Veremos. – Comecei tirando o lacre dourado, abrindo o envelope, enquanto a minha irmã se aproximava de fininho. Minha cabeça começou a maquinar. Poderia ser uma carta de algum cara, mas isso é muito estranho. Então, lembrei da primeira mensagem: você receberá um convite. – O que é isso:
Carta: Você foi selecionada para participar do nosso encontro de casais.
- Encontro de casais? – Falei em voz alta.
- Como assim? – Agatha roubou a carta e leu em voz alta, mesmo que eu tenha tentado pegar da sua mão.
Espere ter uma experiência digna de um filme. Faça as malas e entre na nossa limusine. Você será levada para o aeroporto, onde embarcará para o seu futuro.
- Isso só pode ser alguma quadrilha querendo roubar meus órgãos. – Achei bizarro e ela continuou.
Pode achar estranho, mas receberá um link no seu e-mail, explicando como tudo irá ocorrer, e para mais segurança e a sua confiança, entraremos em contato constante, durante a sua participação, com um membro de confiança da sua família.
Fiquei olhando para Agatha, esperando mais coisa, mas ela parou de ler.
- Era só isso. – Disse com o rosto brilhando. – Você vai para o México.
- Não vou não!
- Hanna! – Disse com aquela voz que diz: fala sério?
- Você quer que eu vá para algum luar suspeito com pessoas suspeitas? – Achei que estava na cara o quão ridículo era isso. – Está ficando doida.
- Cadê seu celular? – Ela saiu de perto de mim, buscando pelo aparelho. Eu fui mais rápida, pois sabia onde ele estava. Ao pega-lo, impedi que ela invadisse, novamente, a minha privacidade. – Isso acaba agora. Eu não vou para lugar nenhum.