Acordo cedo e me arrumo com cuidado, hoje não haverá reunião formal com o senhor Miguel McNa então coloco uma roupa de trabalho mais confortável e que passa mais sobriedade, uma calça formal preta, uma blusa de mangas longas rosê, faço uma maquiagem leve, coloco alguns acessórios como um brinco e um colar, ambos discretos só que fazem a diferença no look final e deixo meus longos cabelos castanhos presos em um coque baixo.
Me olho no espelho e gosto do que vejo, estou pronta.
Vou para a cozinha tomo meu café da manhã com Lúcia e a aviso que vou chegar tarde hoje e não venho para almoçar, a Empires McNa fica um pouco mais longe de casa do que a empresa do meu pai então não quero que ela me espere e eu acabe não conseguindo vir almoçar.
Quando chego na recepção me deparo com uma moça me esperando, uma moça loira muito bonita.
– Amanda Martins?
– Eu mesma. – Respondo com um sorriso discreto.
– Ótimo, é um prazer ter você na nossa empresa, seja bem-vinda.
– Obrigada, é bom estar aqui. – Ela sorri para mim mais amplamente.
– Vou te acompanhar no seu primeiro dia até a sua sala e te apresentar melhor todos do seu setor. – Passamos a andar enquanto ela me mostra todas as dependências que passamos perto e as pessoas que entram no nosso caminho ela diz o nome e de que setor é.
Achei bem interessante a abordagem e me pus a pensar se era assim com todos ou apensa comigo por ordens diretas do CEO.
Quando chegamos no andar ela me apresenta todos inclusive Alysson Montenegro chefe do setor que me olha descaradamente com um sorriso petulante, o frio na espinha é instantâneo, um sentimento ruim. Ele é um homem de meia idade, com cabelos grisalhos.
– Bom dia senhorita Martins, vou adorar estar com você todos os dias. – Ele diz passando a mão no meu braço, me afasto dele e vou em direção da loira que descobri se chamar Sheryl, ela me olha com pesar e depois para o homem com cara fechada em forma de aviso, logo ela estende a mão me mostrando o caminho que devo ir e assim ela me leva até a minha sala.
– Tenha um bom trabalho senhor Montenegro. – Digo me afastando dele junto com ela o mais depressa possível.
Quando entro na minha sala vejo as pilhas e mais pilhas de documentos em cima da mesa. Passo a mão no rosto já me preparando, isso vai dar um trabalhão.
– Caramba, o pessoal caprichou nas boas-vindas. – Ela diz num tom de humor mais debochado.
– Para você ver, ninguém brinca em serviço por aqui. – Digo usando o mesmo tom.
– Agora que já está instalada e com bastante trabalho a fazer eu vou indo, qualquer coisa é só ligar no ramal da recepção, a lista deles está ao lado do telefone fixo.
– Pode deixar, se eu precisar ligo. Obrigada.
– Por nada. Boa sorte, com esse tanto de arquivo você vai precisar.
Sheryl logo sai da minha sala e eu vou logo em direção das pilhas separando o que vou ler e analisar primeiro. É muita coisa, mas vamos lá.
Separo os contratos dos últimos seis meses e começo a analisá-los e me admiro com a riqueza de detalhes, tudo muito bem planejado e estruturado, quem praticou os roubos sabia bem o que estava fazendo. As horas vão passando que nem vejo, fazer o que você gosta dá nisso, quando dou por mim já passa da hora do almoço.
Bom pelo menos analisei grande parte dessa papelada e até agora nada de errado com elas, decido comer alguma coisa, pego a minha bolsa, quando eu voltar começarei analisar os documentos dos últimos três meses. Mesmo com fome estou animada, eu amo esse trabalho. Aos quinze quando ainda morava no Brasil me sentia perdida nessa questão de emprego, carreira e faculdade. Sempre gostei e me identifiquei com a matemática e mesmo assim várias opções me pareciam boas, depois que meu pai me inseriu no seu mundo tudo fez sentido na minha cabeça e só fui, me joguei de cabeça.
Aperto o botão do elevador e vejo pelo display que ele está parado no último andar, logo ele vem descendo e quando abre dou de cara com meu chefe Miguel McNa com ninguém mais do que Tyler McNa, o irmão dele e simplesmente o deus do rock. Lindo e em carne e osso bem ali na minha frente. Pelo sobrenome renomado por causa da empresa um já é conhecido, mas o outro é um astro da música. Entro no elevador e dou boa tarde para eles que me respondem em uníssono.
– Senhorita Martins está indo almoçar? – meu chefe me pergunta enquanto eu fico no meio dos dois, estou até sem ar é muita testosterona num lugar tão pequeno, elevador que comporta até dezesseis pessoas pequeno, está bem Amanda.
– Sim senhor. – Respondo o olhando de lado.
– Gostaria de se juntar a nós? – ele pergunta ficando mais de frente para mim me olhando intensamente.
Meu Deus esse homem sabe o efeito que tem sobre mim? Acho que não porque se soubesse não me olharia desse jeito.
– Não quero incomodar senhor, obrigada pelo convite. – Digo e olho para o display tentando me concentrar nos andares descendo lentamente. Lentamente? Será que estou em câmera lenta?
– Não será incômodo – Dessa vez foi Tyler quem falou, sua voz é ainda mais linda falando pessoalmente. – Vamos?
Olho para ele e ele está sorrindo para mim. Deus para mim, abro um sorriso para ele também e depois para o meu chefe, não sei por que fiz isso pois foi nesse momento que esqueci como se fala. Como é bonito e cheiroso. Miguel me olha com atenção ainda esperando minha resposta quando as portas se abrem no andar do estacionamento.
– Então Senhorita Martins, aceita? – Ele pergunta me olhando nos olhos.
– Hum, certo. Aceito! Mas sigo vocês no meu carro, não quero demorar para voltar. Vou seguindo vocês. – Digo e saio em disparada até o meu carro que não está muito longe do dele, eu havia pegado a credencial para utilizar o estacionamento antes de ir embora ontem.
Vejo eles rindo de algo e Miguel empurra Tyler que não para de rir. Nossa!
Gostaria de saber o porquê de estar rindo do meu chefe que fecha a cara e segue para o seu próprio carro. Os sigo por cerca de dez minutos até chegar a um restaurante sofisticado de frutos do mar. Nossa eu amo! Meu estômago ronca alto só de pensar nisso. Saio do carro e os encontros na frente do mesmo, entramos juntos e depois de Miguel se identificar a hostess que nos acompanha até uma mesa um pouco mais reservada e ao lado de grandes janelas de vidro que dá vista direto para um jardim lindo. Miguel puxa a cadeira para mim e eu me sento passo os olhos em volta até o mesmo se acomodar e quando olho para eles encontro dois pares de olhos azuis como o céu me observando atentamente.
Eu acho que morri!
– Pensei que não o veria hoje senhor McNa. – Recuperei minha voz não sei de onde e fiz a primeira pergunta que me veio à mente.
– Miguel.
– Como? – Pergunto confusa e quase rio quando percebo que Tyler nos olha como se tivesse numa partida de tênis.
– Pode me chamar de Miguel, só aqui nessa mesa temos dois McNa. – Ele suspira e olha para o irmão que abre um sorriso zombeteiro.
– Sem gracinhas Tyler. – Miguel interrompe o irmão antes mesmo de ele abrir a boca e isso faz com que eu sorria mais amplamente enquanto soltamos nossas mãos.
– Posso fazer nada também. – O músico retruca emburrado.
– Respondendo sua pergunta, eu tenho compromissos hoje na parte da tarde que provavelmente irão até a noite.
– Compreendo.
– Já que vocês já sabem o que o outro vai fazer podemos fazer nossos pedidos agora? – Tyler pergunta já chamando o garçom que vem prontamente com os cardápios.
Dois irmãos como água e vinho.