Vidas Quebradas
img img Vidas Quebradas img Capítulo 5 Um Novo Começo
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Capítulo 6 Refúgio e Renovação img
Capítulo 7 A Porta da Oportunidade img
Capítulo 8 Labirinto de Sombras img
Capítulo 9 Noite de Cinema e Revelações img
Capítulo 10 O Peso do Medo img
Capítulo 11 Conexões Ocultas img
Capítulo 12 Vozes do Passado img
Capítulo 13 Caminhos de Cura img
Capítulo 14 O Peso da Verdade img
Capítulo 15 O Caminho da Redenção img
Capítulo 16 Preparativos para a Noite de Celebração img
Capítulo 17 O Despertar da Noite img
Capítulo 18 Encontros e Desencontros img
Capítulo 19 Medos e Possibilidades img
Capítulo 20 Cicatrizes da Alma img
Capítulo 21 A Solidão da Noite img
Capítulo 22 Caminhos Divergentes img
Capítulo 23 Ecos da Madrugada img
Capítulo 24 Encontros Profissionais img
Capítulo 25 A Viagem img
Capítulo 26 O Colapso Emocional de Silvia img
Capítulo 27 Tyron Quebra o Silêncio img
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Capítulo 5 Um Novo Começo

O dia da entrevista na Solutions Corporate foi um dos momentos mais agradáveis para Silvia. Fazia dias que ela estava vivendo altos e baixos emocionais, e naquele dia em especial, havia uma serenidade que aquecia seu coração. Bem vestida, com um terno elegante que acentuava sua postura confiante e uma maquiagem suave que realçava suas características, ela entrou no edifício espetacular.

As paredes de vidro refletiam a luz do sol, criando um ambiente vibrante e acolhedor. À medida que caminhava pelo saguão, Silvia sentiu seu coração acelerar, não apenas pela ansiedade comum antes de uma entrevista, mas também pela sensação de que algo positivo estava prestes a acontecer. O ambiente moderno e dinâmico da empresa parecia promissor, e a ideia de fazer parte daquela equipe a enchia de esperança.

Ao se registrar na recepção, foi recebida por um sorriso caloroso da recepcionista, que a direcionou para a sala de espera. Silvia respirou fundo, tentando manter a calma. Olhou ao redor e notou outros candidatos, todos tão bem preparados quanto ela, mas, em vez de se sentir intimidada, sentiu que estava no lugar certo. A atmosfera era de competição saudável, e isso a motivava ainda mais.

Quando foi chamada para a entrevista, entrou na sala com a cabeça erguida. Os entrevistadores, um painel de profissionais experientes, a saudaram cordialmente. Ela começou a apresentar-se, sua voz firme e clara, demonstrando a confiança que havia trabalhado para cultivar. Compartilhou suas experiências anteriores, destacando suas habilidades e conquistas, e como elas poderiam agregar valor à Solutions Corporate.

À medida que a entrevista avançava, Silvia sentiu que estava se conectando com os entrevistadores. Eles faziam perguntas desafiadoras, mas ela estava preparada. Cada resposta parecia fortalecer sua convicção de que aquela era a oportunidade que ela havia buscado. Ela falava sobre sua visão de futuro, seus objetivos e a paixão que tinha pelo trabalho que poderia realizar na empresa.

No final da entrevista, um dos entrevistadores fez uma pergunta que pegou Silvia de surpresa: "O que você faria se encontrasse um obstáculo significativo em seu caminho?" Ela hesitou por um momento, lembrando-se das dificuldades que enfrentara nos últimos tempos. Mas, em vez de se deixar abalar, decidiu usar essa experiência como um exemplo de resiliência.

"Eu acredito que os obstáculos nos ensinam a ser mais fortes e mais criativos na busca por soluções. Recentemente, passei por uma fase desafiadora em minha vida, mas isso me ensinou a importância de buscar apoio e ser proativa. Se eu encontrar um obstáculo, não hesitaria em analisá-lo, buscar ajuda e encontrar a melhor maneira de superá-lo", respondeu Silvia, sua voz cheia de sinceridade.

O painel trocou olhares significativos, e Silvia sentiu que havia tocado em algo profundo. A entrevista terminou com uma nota positiva, e ao sair da sala, Silvia não pôde deixar de sorrir. Sentia que havia dado o seu melhor e que, independentemente do resultado, aquele dia tinha sido uma vitória pessoal.

Enquanto caminhava de volta pelo saguão, uma onda de alívio e realização a invadiu. A serenidade que a acompanhou desde o início do dia agora se transformava em empolgação. Ela sabia que, independentemente do que acontecesse, havia se afirmado e enfrentado seus medos. O caminho para a independência estava se tornando mais claro, e Silvia estava pronta para abraçar o que o futuro lhe reservava.

Antes de terminar o dia jantando com sua melhor amiga Rachel, Silvia recebeu uma mensagem inesperada: a confirmação de sua contratação na Solutions Corporate, solicitando que apresentasse os documentos necessários para iniciar na empresa a partir da outra semana. Um sorriso largo se espalhou pelo seu rosto ao ler a mensagem, e a alegria instantânea a envolveu como um cobertor quentinho.

O jantar com Rachel estava quase completo, mas Silvia não conseguia conter a excitação de compartilhar a notícia. No entanto, ao olhar para sua amiga, percebeu que algo não estava certo. Rachel a observava com um olhar curioso e um leve franzir de testa. "Oi, você está bem? Parece um pouco distante hoje", perguntou Rachel, com um tom de preocupação.

Silvia balançou a cabeça, tentando se recompor. "Desculpe, Rach. Estou bem, apenas... muita coisa na cabeça. Acabei de receber uma notícia incrível sobre o meu trabalho", disse, tentando esconder a distração. Mas, mesmo enquanto falava, sabia que não estava completamente presente.

"Notícia incrível? O que aconteceu?" Rachel perguntou, imediatamente intrigada, seus olhos brilhando de curiosidade. A ideia de que Silvia estava passando por uma mudança significativa a animava.

"Eu fui contratada pela Solutions Corporate! Vou começar na próxima semana", Silvia respondeu, um entusiasmo contido na voz. Ao mencionar a empresa, seus olhos brilhavam, como se a realização de um sonho estivesse finalmente ao seu alcance.

"Uau, Silvia! Isso é fantástico!" Rachel exclamou, sua voz cheia de entusiasmo. "Você sempre foi tão talentosa e dedicada. Estou tão orgulhosa de você!" Ela levantou o copo de vinho em um brinde, e Silvia fez o mesmo, um sorriso genuíno agora iluminando seu rosto.

No entanto, mesmo com a alegria da conquista, Silvia sentia-se um pouco perdida. O jantar estava repleto de risadas e histórias, mas sua mente ainda estava dividida entre a empolgação por sua nova posição e as sombras do passado que ainda a assombravam. O que antes era uma conversa leve sobre catalogar os homens bonitos do restaurante agora parecia distante e superficial.

Rachel, percebendo a mudança no clima, tentou puxar Silvia de volta à leveza. "Então, vamos celebrar! Olha aquele cara ali, com certeza é um 10. O que você acha?" Ela fez um gesto discreto em direção a um homem que estava sentado em uma mesa próxima, tentando animar o espírito da amiga.

Silvia forçou uma risada, mas a distração persistia. "Sim, ele é bonito, mas... não sei, Rach. Parece que estou em outra dimensão hoje", Silvia admitiu, olhando para o prato à sua frente.

"Ei, tudo bem ficar um pouco introspectiva, mas não deixe que isso ofusque sua vitória! Você merece aproveitar esse momento", Rachel disse, com um tom encorajador. "Estamos aqui para celebrar sua nova jornada, e isso é incrível! Vamos fazer planos para a próxima semana, depois que você começar. Podemos até fazer um jantar de celebração!"

Silvia sorriu, sentindo-se um pouco mais leve. A presença de Rachel sempre a fazia sentir-se segura e apoiada. "Você tem razão. Eu mereço aproveitar isso e não deixar que as coisas do passado me atrapalhem. Vamos celebrar, sim!"

O jantar continuou, e Silvia começou a se abrir mais. Ela compartilhou seus planos para a nova posição, suas expectativas e, lentamente, começou a relaxar. A conversa com Rachel fez com que ela se sentisse um pouco mais conectada ao presente, e a alegria da amizade começou a dissolver as nuvens que ainda pairavam sobre sua mente.

Rachel, uma morena espetacular e muito atraente, não pôde deixar de notar a palidez de sua amiga. A vivacidade que costumava brilhar nos olhos de Silvia parecia ofuscada, e isso a preocupava. Com um sentimento de urgência, decidiu iniciar um interrogatório que, embora bem-intencionado, seria difícil de superar.

"Silvia, me conta de verdade, o que está acontecendo com você? Você não parece a mesma", Rachel começou, sua voz carregada de preocupação. "É por causa da entrevista? Ou tem a ver com algo mais? Sabe que pode me contar tudo, certo?"

Silvia hesitou, a tensão subindo por seu corpo. Ela não queria compartilhar os detalhes de suas lutas internas, mas também sabia que Rachel estava apenas tentando ajudar. "Não, não é a entrevista. É só que... tem sido um período difícil para mim, sabe? Muita coisa na cabeça", respondeu, evitando o olhar penetrante da amiga.

Rachel não se deixou levar por essa resposta superficial. "Silvia, eu conheço você. Isso não é só 'muita coisa na cabeça'. O que está te incomodando? Você sabe que estou aqui para você, independente do que seja", insistiu, sua expressão séria.

A pressão do interrogatório começou a pesar sobre Silvia, e ela se sentiu exposta. Lembranças da agressão e da luta para se reerguer invadiram sua mente. "Rachel, é complicado. Eu... eu passei por algumas coisas que me marcaram, e não sei se estou pronta para falar sobre isso ainda", disse, a voz trêmula.

"Complicado como? Silvia, você não pode guardar isso para si mesma. Isso só vai te fazer mal. Você precisa desabafar, e eu prometo que não vou te julgar. Você é minha melhor amiga, e eu me preocupo com você", Rachel disse, pegando a mão de Silvia e segurando-a firmemente.

A sinceridade e a preocupação nos olhos de Rachel tocaram Silvia de uma forma que ela não esperava. "Eu... eu fui agredida, Rachel. E isso ainda está me afetando. Eu estou tentando seguir em frente, mas é como se a dor estivesse sempre ali, me lembrando do que aconteceu", Silvia revelou, as lágrimas começando a se formar em seus olhos.

Rachel ficou em silêncio por um momento, permitindo que as palavras de Silvia se instalassem entre elas. O impacto da revelação era profundo, e a amiga sentiu um misto de raiva e tristeza pela dor que Silvia estava enfrentando. "Silvia, por que você não me contou antes? Eu poderia ter te ajudado! Você não precisa passar por isso sozinha", disse Rachel, a voz cheia de empatia.

"Eu tinha medo, Rachel. Medo de não ser acreditada, de ser julgada. E, honestamente, eu ainda estou tentando entender tudo isso. Parece tão confuso e doloroso", Silvia confessou, sentindo-se vulnerável, mas também aliviada por compartilhar.

Rachel olhou para Silvia, sua expressão carregada de preocupação e curiosidade. "Silvia, você pode me contar como foi esse cretino? Eu preciso entender quem ele é, para que possamos lidar com isso da melhor maneira possível", perguntou, seu tom sério.

Silvia respirou fundo, reunindo coragem para descrever Tyron. "Ele é um homem imponente, sem dúvida. Alto, com uma estatura que parece dominar qualquer ambiente. Seu físico é robusto e forte, os músculos definidos de uma maneira que não passa despercebida. A presença dele é quase opressiva, e é difícil não se sentir intimidada quando ele está por perto", começou Silvia, sua voz carregada de emoção.

"Mas o que mais me assusta são os olhos dele. Eles são frios, quase como se não conseguissem transmitir emoção alguma. Um tom claro, quase azul, que parece observar tudo ao redor com um olhar calculista. Quando ele me olhava, sentia como se estivesse sendo avaliada, medida, e isso me deixava desconfortável. Não havia traços de compaixão ou empatia neles, apenas uma frieza que gelava o ambiente", continuou, tentando se distanciar emocionalmente da lembrança.

"E a maneira como ele se move... é como se tivesse um controle absoluto sobre seu corpo, cada passo é confiante e decidido. Ele sabe que sua aparência e força física podem intimidar, e ele usa isso a seu favor. Não é apenas um homem forte, é um homem que se sente poderoso, e isso transparece em cada gesto e palavra", Silvia concluiu, sentindo um misto de raiva e vulnerabilidade ao relembrar a figura que a atormentava.

Rachel escutou atentamente, seu olhar cheio de compreensão e apoio. "É realmente uma figura aterradora. Mas você é mais forte do que pensa, Silvia. Ele não pode controlar sua vida agora", disse Rachel, tentando encorajar a amiga a ver sua própria força diante daquela sombra do passado.

"Por que você não denuncia à polícia?" Rachel perguntou, a preocupação evidente em sua voz. "Isso é um crime sério, e ele precisa ser responsabilizado pelo que fez!"

Silvia hesitou, sentindo o peso da pergunta. "Rachel, já passaram semanas. Eu não tenho provas concretas e... não quero ser exposta mais do que posso suportar. A ideia de reviver tudo isso em um depoimento me assusta. Não sei se consigo enfrentar mais esse tipo de pressão", respondeu, a voz trêmula, refletindo a angústia que a consumia.

Rachel franziu a testa, percebendo a luta interna de Silvia. "Mas e se ele fizer isso com outra pessoa? Se você não falar, ele pode continuar a machucar outras mulheres. Você pode ser a voz que precisa ser ouvida", argumentou, sua determinação evidente.

"Eu entendo, mas a ideia de passar por um julgamento, de ter que relatar cada detalhe, me deixa paralisada. E se ninguém acreditar em mim? E se eu for julgada por isso? A pressão emocional é demais", Silvia explicou, a angustiante sensação de impotência transparecendo em seu olhar.

Rachel respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas. "Você não está sozinha, Silvia. Eu estarei ao seu lado se você decidir fazer isso. Existem recursos, apoio e pessoas que podem te ajudar a passar por isso. Não precisa ser algo que você enfrente sozinha", disse, buscando encorajar sua amiga.

"Eu aprecio isso, Rachel, mas neste momento, sinto que preciso me concentrar em minha recuperação. Denunciar pode ser um passo que eu considere mais tarde, mas agora, só quero encontrar um jeito de seguir em frente sem mais dor", Silvia respondeu, decidida a priorizar seu bem-estar emocional antes de qualquer outra coisa.

Rachel assentiu, compreendendo a complexidade da situação. "Tudo bem, Silvia. O importante é que você faça o que for melhor para si. Estou aqui, não importa o que você escolher", afirmou, desejando que sua amiga encontrasse a paz e a força necessárias para enfrentar seus desafios.

"Você é incrivelmente forte por ter enfrentado isso, mesmo que tenha sido em silêncio. E agora, você precisa buscar ajuda. Não só de mim, mas de profissionais que possam te apoiar de verdade. Existem grupos e pessoas que entendem o que você está passando. Você não precisa carregar esse peso sozinha", Rachel sugeriu, a determinação em sua voz encorajando Silvia a considerar a ideia.

Silvia olhou para Rachel, sentindo uma onda de gratidão. "Obrigada, Rach. Eu realmente preciso de apoio, e talvez você esteja certa. Estou pensando em procurar um grupo de apoio. A médica mencionou isso, e agora parece que é hora de dar esse passo."

O olhar de Rachel suavizou, e um sorriso de alívio surgiu em seu rosto. "Isso é ótimo! Vamos juntas, se você quiser. Você não está sozinha nessa. Eu vou te apoiar em cada passo do caminho", prometeu Rachel, segurando a mão de Silvia mais apertado.

A conversa se transformou em um momento de conexão profunda, e Silvia sentiu que um peso havia sido retirado de seus ombros. Embora o caminho à frente ainda fosse incerto e desafiador, ela não estava mais sozinha. Com a amizade de Rachel ao seu lado, estava um pouco mais disposta a enfrentar os demônios que a assombravam.

                         

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