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Era uma tarde ensolarada na Toscana, e Laura decidiu explorar a antiga casa de campo que agora chamava de lar. Enquanto limpava e organizava a biblioteca empoeirada, ela notou uma prateleira no canto da sala, quase escondida atrás de uma cortina de tecido desbotado. Curiosa, puxou a cortina de lado e descobriu uma fileira de livros antigos, cobertos de poeira. Entre eles, um diário de capa marrom chamou sua atenção. Ao pegar o diário, Laura percebeu que estava prestes a desvendar um pedaço da história daquele vinhedo.
O diário pertencia a Sofia, uma enóloga do século XIX que compartilhava a mesma paixão por uvas e vinhos que Laura. Com cuidado, ela começou a folhear as páginas amareladas e delicadas. A caligrafia de Sofia era elegante e fluida, e a cada linha lida, Laura sentia-se mais conectada àquela mulher de outra época.
Sofia escrevia com paixão sobre sua vida no vinhedo. Ela descrevia a alegria de ver as videiras crescendo fortes sob o sol da Toscana, o prazer de pisar nas uvas durante a colheita e a satisfação de criar vinhos que enchiam o coração das pessoas de alegria. Mas o diário também revelava as dificuldades que Sofia enfrentou. Ela relatava as intempéries que ameaçavam destruir as colheitas, as pragas que atacavam as vinhas e os desafios de manter o vinhedo em funcionamento em tempos difíceis.
No entanto, o que mais tocava Laura eram as histórias pessoais de Sofia. Ela escrevia sobre seu grande amor, Marco, um viticultor dedicado que trabalhava ao seu lado no vinhedo. Sofia e Marco compartilhavam uma paixão não só pelo vinho, mas também um pelo outro. Juntos, enfrentaram os altos e baixos da vida no campo, fortalecendo seu amor a cada obstáculo superado.
Laura se viu completamente absorvida pelas palavras de Sofia. Ela sentia como se estivesse vivendo aquelas experiências junto com Sofia, compartilhando de suas alegrias e tristezas. À medida que lia sobre a relação entre Sofia e Marco, Laura não pôde deixar de pensar em seu próprio passado amoroso e nas decisões que a levaram a se afastar do amor. Uma passagem do diário chamou especialmente a atenção de Laura. Sofia descrevia uma técnica única de cultivo de uvas
que havia desenvolvido com Marco. Eles descobriram que, ao plantar determinadas flores entre as videiras, conseguiam repelir pragas de forma natural e melhorar a qualidade das uvas. Laura ficou fascinada com a inovação e decidiu colocar em prática essa técnica no vinhedo.
Com o diário de Sofia em mãos, Laura sentia-se mais determinada do que nunca a restaurar a glória do vinhedo. Ela começou a seguir as instruções detalhadas de Sofia sobre o cuidado das videiras, a colheita das uvas e a produção do vinho. Cada passo dado era uma homenagem ao legado de Sofia e uma oportunidade de criar algo verdadeiramente especial.
Ao longo das semanas seguintes, Laura passou muitas tardes lendo o diário e trabalhando no vinhedo. Ela se sentia como se estivesse seguindo os passos de Sofia, aprendendo com suas experiências e aplicando seu conhecimento. A cada dia, sua conexão com a terra e com a história do vinhedo se aprofundava. As descobertas de Laura no diário não apenas a ajudavam a melhorar o vinhedo, mas também proporcionavam um senso de propósito e renovação. Embora ainda guardasse lembranças de seu passado, Laura começava a encontrar uma nova direção em sua vida. A Toscana, com suas paisagens deslumbrantes e promessas de recomeço, oferecia a ela uma nova oportunidade de alcançar seus objetivos.