Melissa: - Seja bem-vinda à nossa família, Estela! - suas palavras reverberavam em minha mente. Aquelas boas-vindas soavam tão sinceras quanto sua voz calorosa, mas eu podia sentir a complexidade que se escondia por trás daquelas palavras. Estava claro que Melissa, de alguma forma, estava tentando me entender melhor, como se eu fosse um quebra-cabeça a ser desvendado. Pairava no ar a curiosidade sutil, como se ela se perguntasse sobre a razão de uma garota estar acompanhando seu filho, como se nosso encontro fosse uma espécie de apresentação de namorados.
Miguel: - Vamos... - Miguel quebrou o momento ao me guiar até a sala, com Melissa à frente. Juntos, nos acomodamos no sofá.
Mateus: - Mãe, essa aqui é a minha... - antes que eu pudesse concluir, Estela me interrompeu.
Estela: - Amiga! Sou amiga do seu filho. - trocamos olhares, conscientes da necessidade de esclarecer a natureza do nosso relacionamento naquele momento. Esfrego a minha coxa discretamente e dou o meu melhor sorriso para o casal na minha frente, com medo de que eles pensem errado.
Melissa
"Ela está constrangida, Miguel..." - sutilmente, transmito meus pensamentos para Miguel, compartilhando um momento de humor interno diante da situação.
Miguel
"O Mateus puxou essa parte de mim, tadinha da garota." - escuto a risada silenciosa de Melissa através da nossa conexão única, e me uno a ela, ambos reconhecendo a dinâmica peculiar que o nosso filho herdou de nós.
Mateus
"Por que a Estela não me deixou falar nada? Eu queria apresentá-la como minha namorada... Tudo no seu tempo." - pondero, precisando internalizar essa lição ou daria tudo errado.
Mateus: - Estela, essa daqui é a minha mãe, Melissa, e esse é o meu pai, Miguel... - os apresenta formalmente, embora eu já conhecesse os nomes. - O jantar já está pronto? - pergunta a Melissa, que assente com um aceno de cabeça.
Melissa: - Sim, só estávamos esperando por vocês. A Aurora saiu, então só somos nós quatro hoje... - nos levantamos e nos dirigimos à cozinha. Estela, por um momento, parece hesitar, ficando para trás. Nesse instante, percebo que o jantar está acontecendo por ela. Ultimamente, nossas refeições em casa têm sido escassas, restringindo-se às refeições na empresa, uma encenação para esconder a verdade de que meus pais têm deixado de se alimentar. A luta contra a fraqueza, uma consequência da situação em que me encontrava, já estava deixando meu corpo exausto. Cansado de vomitar e de resistir ao impulso de consumir sangue, percebia que a batalha contra minha própria natureza vampírica estava minando minhas forças. No entanto, todas essas dificuldades pareciam desaparecer quando o via. Em sua presença, eu me sentia descontroladamente perdido, como se uma tempestade interna tomasse conta de mim, desviando-me do controle racional que tentava manter.
Estela
Recebo uma mensagem de um número desconhecido e decido abri-la.
"Isso não vai ficar assim, Estela... Isso é uma ameaça!"
Guardo imediatamente meu telefone, sentindo um arrepio de medo percorrer minha espinha. Faço o possível para não demonstrar a ansiedade que se instala, mas ao encarar os olhares desconfiados ao meu redor, percebo que talvez não esteja conseguindo mascarar totalmente a inquietação que se apoderou de mim.
Melissa: - Aconteceu alguma coisa, Estela?
Estela: - Não, dona Melissa. - limpo a minha boca com o guardanapo e nego balançando a cabeça.
Melissa: - Pode me chamar só de Melissa. - ela me oferece um sorriso sincero, e só agora percebo que são muito jovens para terem dois filhos. Não parecem os pais convencionais. a dinâmica familiar deles é intrigante. Após o jantar, Mateus me leva até seu quarto e exibe sua coleção de carros. "Um homem desse ainda tem uma coleção de carros?" a incredulidade ao vê-los falava mais alto e eu não conseguia controlar a minha curiosidade em avaliá-los. Eram bonitos pelo menos.
Mateus: - Me conta um pouco de você, Estela... - peço e me deito na cama enquanto ela se senta na beirada, abaixando o olhar para as mãos. Observo como ela lida com o assunto delicado, parecendo seguir o exemplo de Dulce Maria ao enfrentar questões difíceis.
Estela: - M-minha mãe faleceu, meu pai enfrenta o alcoolismo, e isso já é do conhecimento de toda a escola, aliás... - me viro, encarando o garoto que parece ler a minha alma e estar atento a cada palavras que sai de minha boca. - Trabalho meio período, gosto de me divertir... - apesar da minha vida ser corrida e eu ter muitos problemas, gosto de sair, ler e assistir filmes, pelo menos esqueço enquanto estou imersa nessas atividades. - A-antes, eu costumava sair com a Yasmin, mas depois que ela me traiu, não tenho mais ninguém, exceto você, que está conversando comigo, e a sua família... - revelo com uma certa reserva, percebendo o quão vulnerável estou naquele momento, deixando transparecer para alguém tudo o que se passava e passou. Quando Mateus me abraça e esconde o rosto em meu pescoço, sinto-me como uma estátua. A presença dele mexe profundamente comigo, indo além do que eu esperava sentir.
Mateus: - Agora, você tem a mim, e esqueça a sua ex-amiga ingrata. Ela perdeu alguém maravilhoso. Vou te ajudar a tirar seu pai da bebida; sempre cumpro o que prometo. - ele se afasta, delicadamente colocando uma mecha do meu cabelo para trás da orelha, e sorri afetuoso. As palavras dele são carregadas de compromisso. - Minha mãe costuma dizer que precisamos ter esperança e lutar por nossas conquistas. Minha conquista é você, Estela. Só tenho olhos para você, meu anjo de luz. - suas últimas palavras ressoam no ar, e não posso deixar de tremer os lábios. É uma expressão de carinho tão profundo, mas, ao mesmo tempo, a ideia de ser um "anjo de luz" me parece distante e inatingível. Eu, que sou tudo, menos isso. A vulnerabilidade toma conta de mim, e, por um momento, a luz que ele enxerga parece distante demais para ser minha realidade.
Estela: - Que brega, Mateus! Não tem outro apelido não? - pergunto, rindo. Sua boca se aproxima da minha orelha, causando-me arrepios pelo corpo.
Mateus: - Que tal, bebê? - balança a cabeça negando. - Vou te chamar de flor, gostou?
Estela: - Gostei, mas não me chame assim na frente dos outros.
Mateus: - Então você prefere que eu te chame assim quando estivermos a sós? - provoco, vendo suas orelhas ficarem vermelhas, um sinal de que a deixei envergonhada.
Estela: - Eu preciso voltar para casa... - mudo de assunto, buscando uma fuga.
Mateus: - Dorme aqui hoje.
Estela: - Não, Mateus. Ainda não aceitei o seu pedido, e meu pai já deve estar em casa.
Mateus: - Então eu te levo... - ela não diz nada, e pego sua mão. Descemos as escadas, e encontro meus pais se agarrando no sofá. Quando nos veem, se separam, e Estela desvia o olhar.
Melissa: - Desculpe-nos pela cena íntima... - Melissa, oferece um pedido de desculpas, reconhecendo a situação constrangedora com uma abordagem descontraída diante da exposição inadvertida. Miguel apenas observa a situação sem se preocupar conosco.
Mateus: - Até porque existe um lugar chamado quarto para isso, não é? - brinca, levantando uma das sobrancelhas, e aperto sua mão. Sua observação acrescenta humor à situação, fazendo referência ao óbvio enquanto mantém um tom descontraído. A dinâmica entre mãe e filho revela uma relação próxima e confortável, baseada em brincadeiras amigáveis.
Melissa: - E eu não te perguntei nada, seu enxerido! - ela apenas reage com sarcasmo. Eles estão à vontade com essas trocas de palavras espontâneas e diretas, o que me deixa constrangida.
Mateus: - Magoou o meu coração, mamãe. - ele toca o próprio coração de maneira dramática, e eu mordo os lábios para não rir. - Eu vou levar a Estela em casa.
Estela: - Tchau, Melissa e Miguel! - me despeço educadamente, encerrando a visita de maneira cortês.
Miguel: - Foi um prazer te conhecer, Estela.
Melissa: - Volte mais vezes e não esqueça de se prevenir, que esse daí é cabeça dura... - lanço um olhar feio para minha mãe, que não para de rir, e não sei onde enfiar a cara. Eles estão deixando Estela constrangida.
Mateus: - Mãe! - Grito e saio de casa, segurando a mão de Estela. - ao perceber o desconforto de Estela, decido intervir, chamando a atenção de minha mãe para encerrar a situação e deixar a casa. Segurar a mão de Estela simboliza meu apoio e a intenção de tirá-la do constrangimento.
Melissa: - Pirralho, eu só estava brincando.
Miguel: - Você também, está muito engraçadinha... - puxa a gola da minha camisa, dando-me um sorriso malicioso, e sei bem o que ele significa.
Melissa: - Eu vou te mostrar a engraçadinha... - me puxa, e saio andando junto com ela.
Miguel: - Melissa, meu amor, eu só estava brincando... - faço carinha de anjo, mas na verdade, quero que ela faça o que quiser comigo. Mas o que diz no momento seguinte, acaba com a minha alegria.
Melissa: - Já que você estava brincando, eu não vou fazer nada. Agora, se me der licença, estou indo para o meu quarto... - Melissa, me solta e sai correndo para o andar de baixo.
Miguel: - Eu vou te achar, sua diabinha!
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Mateus: - Me desculpe pelo que a minha mãe disse, ela às vezes passa dos limites. - entro no carro, e ele dá partida, ajudando-me a colocar o cinto de segurança.
Estela: - Não precisa se desculpar, eles são bem legais.
Mateus: - E muito. O Pedro e o Jeremias são mais doidos que eles.
Estela: - A sua família é toda assim, alegre?
Mateus: - Sim, mas por dentro existe solidão e um passado que eles querem esquecer. A minha mãe e o meu pai passaram por tantas coisas, a minha avó e o vovô, eles são os que mais sofreram... - guerras passadas deixam marcas profundas, por mais que estejam enterradas no passado.
Estela: - Você pode me contar um pouco das histórias de cada um?
Mateus: - Infelizmente não. O que eu posso te dizer é só isso... - ainda não está na hora de contar para ela. A Estela precisa confiar em mim primeiro. Chego em frente à casa dela e vejo um homem sentado no beiral da escada com uma garrafa de cerveja na mão. Seu olhar procura o meu com medo.
Estela
"Droga, por que meu pai tem que estar bebendo justo do lado de fora?"
Meus pensamentos se tornam tumultuados enquanto observo a figura conhecida do meu pai lá fora. A garrafa de cerveja em suas mãos parece enfatizar a complexidade das minhas emoções, criando uma mistura desconfortável de vergonha e frustração. A cena, por um lado, é familiar, mas neste momento, ela se torna um incômodo lembrete de desafios pessoais. O peso emocional se intensifica, e eu me sinto dividida entre a gratidão pela noite agradável com Mateus e a tristeza pela realidade complicada que meu pai representa.
Estela: - Então, muito obrigada pelo jantar... - a expressão de agradecimento sai de meus lábios, tentando manter uma atmosfera de normalidade, apesar da presença desconfortável de meu pai ali fora. Saio do carro, buscando uma fuga momentânea. - Não precisa, Mateus. - minha tentativa de minimizar o impacto da situação é ignorada por Mateus, que segue em frente e cumprimenta meu pai, que nos encara. A atmosfera tensa entre Mateus e meu pai é palpável, e eu me sinto como uma testemunha silenciosa de dois mundos colidindo.
Mateus: - Prazer, senhor. Eu me chamo Mateus Alencar, amigo de sua filha.
Paulo: - O prazer é meu, me chamo Paulo. Que bom que a minha filha está fazendo novos amigos, pois ela só tinha a Yasmin como amiga. - ele me cumprimenta, mas suas palavras saem meio emboladas devido ao álcool.
Estela: - Mateus, por favor, vá embora. - tento conter a sua invasão, preocupada com a situação delicada em que meu pai se encontra. No entanto, Mateus parece não ouvir meu apelo e persiste, abaixando-se para ficar na altura do meu pai.
Mateus: - O senhor já procurou ajuda para se livrar do álcool?
Paulo: - Ajuda pra que?? Nada cura a dor que eu estou sentindo aqui. - ele aponta para o peito, suas palavras carregadas de um peso emocional profundo.
Mateus: - Se quiser ajuda, eu posso ajudar. - ofereço-me de bom grado, consciente dos perigos do consumo excessivo de álcool. A preocupação com a saúde de Paulo é evidente em minhas palavras.
Paulo: - Muito obrigado, rapaz, mas o que eu realmente preciso é disso. - se levanta e entra na casa laranja, deixando claro que, neste momento, ele busca alívio nas garrafas.
Estela: - Era pra você ter ficado no carro. O meu pai não vai parar de beber nem se tratando. - começo a subir as escadas, mas ele puxa meu braço, colando-me ao seu corpo.
Mateus: - Você vai ver, o seu pai vai se curar, e eu vou ajudá-lo, Estela. - ela desvia o olhar do meu, e eu pego em seu queixo, fazendo seus olhos encontrarem os meus. - Eu vou fazer o seu pai se livrar da bebida. - se uma conversa não resolveu, imagina manda-lo para uma clinica de tratamento? Então eu apelaria para outro método. A Estela poderia me culpar mais tarde por fazer isso, mas agora nçao voltaria atrás da minha decisão.
Estela: - Eu acho que você está se entregando demais, Mateus. Nem somos... - sou interrompida com um beijo, e sinto os seus braços envolverem o meu corpo, apertando-o contra o seu. Enfio minhas mãos dentro de seu cabelo, dando espaço para a sua língua se entrelaçar à minha, formando uma dança entre nós. Sua boca desce lentamente em direção à minha clavícula, traçando beijos pelo meu corpo até chegar ao meu pescoço, onde pressiona seus dentes na minha carne sensível, puxando-a sem pudor. A dor é intensa, assim como o prazer que se forma em meu corpo. - Para, Mateus! - me debato contra os seus ombros, tentando empurrá-lo, e quando consigo, ele se afasta, virando-se, com medo de me encarar. Toco o lugar, sentindo a ardência tomar conta, e fecho os olhos para buscar o fôlego.
Mateus
"Droga, droga!"
As presas não voltam ao normal, e me sinto um idiota por pressionar as coisas. Estela disse que queria um tempo, e eu quase acabei estragando tudo... Ainda mais se ela me visse com a boca suja e as presas afiadas à mostra.
Mateus: - Me perdoe, Estela. Eu preciso ir agora. - saio antes que ela fale alguma coisa, entro no carro e dou partida para casa.
Estela
"O que aconteceu com o Mateus? E por que ele não quis se virar para mim?"
Fico por um momento encarando o vazio e entro dentro de casa ainda sentindo o calor dos lábios dele em minha boca. Ele me enfeitiça, e não sei como.
Mateus
Assim que chego em casa, subo direto para o meu quarto e pego uma bolsa de sangue. Bebo tudo de uma vez para ver se as presas voltam ao normal. Quase mordi a Estela, caralho! Tenho que tomar cuidado da próxima vez.... Sinto uma mistura de culpa e preocupação por ter ultrapassado meus limites. A Estela merece mais do que isso, e eu preciso controlar meus instintos para não colocá-la em perigo.
✧
Estela
Ao sair da escola, sinto uma coisa estranha rondar o meu corpo e quando olho para o lado, encontro o Mateus me acompanhando.
Estela: - AH! O que você está fazendo aqui?!
Mateus: - Vou te acompanhar até a sua casa, mi amor... - seu rosto cora e ela desvia o olhar. Não sei porque, mas sinto que há algo de errado com a Estela... Antes que ela dê mais um passo, suas mãos agarram a parede mais próxima, enquanto o seu corpo tremia e o seu rosto estava avermelhado, com as sobrancelhas franzidas.
Estela: - Me ajuda Mateus! - pego-a no colo, pegamos um táxi e o caminho todo a Estela se contorce de dor, me preocupando ainda mais.
Mateus: - Você está sentindo dor?
Estela: - Não, só é e-estranho, não sei como explicar isso... - mal consegue falar e desço do carro, pago o motorista e a tiro de dentro levando para dentro da mansão. Ela tentou protestar para que eu a colocasse no chão, mas ignorei os seus pedidos. - Você não está em condições de dizer nada Estela, só confie em mim. - abro a porta com um chute e encontro as minhas duas avós na sala.
Coloco a Estela no sofá e ela desmaia, se contorcendo de dor e o suor escorria pelo seu corpo, molhando os seus cabelos e roupas.
Mateus: - O que está acontecendo com a Estela?!
Cecília: - Não sabemos o que é... - deixo as duas examina-la e me afasto cruzando os meus braços. Isso não era normal.
Elizabeth: - É uma coisa muito estranha que ela está sentindo... - assinto, para que ela continue. a a Estela está ligada à magia.
Mateus: - Como?! Ela é apenas uma humana... - solto a pergunta surpreso e perplexo diante da ideia. Não senti qualquer sinal de magia vindo da Estela, e ela é uma simples mortal. "Como pode estar conectada à magia?, Como a minha presa pode ser um ser mágico, sem emanar sequer uma chama?"
Cecília: - Vou tentar me conectar com o passado dela, talvez eu possa encontrar alguma coisa. - acena com a sua mão irritado e fecho os meus olhos, adentrando sua mente, em busca de pistas. Surge diante de mim uma imagem da Estela pequena, numa cesta, em frente a uma casa. Uma mulher aperta a campainha, sai apressadamente e um casal aparece, pegando a cesta com hesitação antes de entrar na casa. Não há mais nada, exceto a visão fugaz da mulher misteriosa chorando num canto oculto, partindo sem deixar rastro. Abro os meus olhos recebendo um choque que interrompeu a busca, pois algo inexplicável me impedia de prosseguir.
Mateus: - Achou alguma coisa?
Cecília: - Não... - balança sua cabeça em negação e bagunço os meus cabelos, da mesma forma que minha mãe faz. Eu estava irritado comigo mesmo e por ela estar nesse estado lamentável, enquanto eu não podia fazer nada. Melissa me preparou para tudo, menos para uma situação como essa, quando você vê uma caça sua choramingando e tentando resistir aos infernos dentro de si. Era a mesma coisa, nas mãos de vampiros aproveitadores. Você morre e eles não deixam a pessoa em paz. - A Estela estava em um cesto, Mateus... Ela foi abandonada e entregue a outra família. Peço que não conte a ela. Vamos buscar informações dela, enquanto isso leve a menina para o quarto. A garota precisa descansar. - atraio sua atenção para mim, o tirando de seus pensamentos perturbadores e ele a pega, subindo as escadas.
Elizabeth: - Sei que não disse a verdade, Cecília. - nos sentamos no sofá, e ela suspira, revelando uma preocupação que vai além do que estamos percebendo.
Cecília: - Está certa, não queria preocupá-lo. A Estela tem uma ligação com a magia, só não sei como. Mas, alguma coisa está acontecendo no outro mundo para ela ficar assim... - suas palavras carregam uma ponta de incerteza, uma inquietação diante do desconhecido que paira sobre nós.
Elizabeth: - Acho que a mãe da Estela deve estar na Vila das Sombras para ela ficar assim. Um conflito entre as duas vilas deve estar acontecendo... - ela olha para o horizonte, como se pudesse visualizar o que está além do alcance dos olhos, e suas palavras revelam uma apreensão profunda.
Cecília: - Espero que nada aconteça com eles e nem com a vila... - um desejo sussurrado, carregado de preocupação, ecoa em minhas palavras. Não poderia acontecer outra guerra, ou esse mundo acabaria em pedaços, assim como no passado.
Lembro-me das ruínas e destroços deixados para trás, vestígios de uma matança que se tornou uma cicatriz na história. A sede de poder, a vingança e o rancor contra os vampiros e bruxas desencadearam uma guerra que consumiu tudo em seu caminho. Até mesmo aqueles que não se envolveram diretamente na luta pagaram o preço, vítimas de uma violência desmedida. A exclusão e o medo marcaram aqueles tempos sombrios, fazendo com que os outros seres temessem e evitassem qualquer associação conosco. Não podemos permitir que o passado se repita e é por isso que qualquer deslize pode se tornar em uma tragédia.