Dois Pais, Um Destino: Salvando Leo
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Capítulo 2

Voltei para o quarto do Leo. Ele estava a dormir, a sua respiração superficial. A sua pele estava pálida contra os lençóis brancos do hospital.

Ele parecia tão pequeno, tão frágil.

Sentei-me ao lado dele, pegando na sua mãozinha. Estava fria.

O amor que senti por ele era avassalador, uma dor no meu peito. Ele era a minha vida inteira.

A enfermeira entrou para verificar os seus sinais vitais. Ela sorriu-me com tristeza. "Ele é um lutador."

"Eu sei," sussurrei.

Quando ela saiu, peguei no meu telemóvel e comecei a procurar. O chefe do Tiago. Sofia tinha mencionado que ele estava lá.

O Tiago trabalhava numa empresa de marketing chamada "InovaCresce". Uma pesquisa rápida no LinkedIn revelou o nome do CEO: David Andrade.

As fotos dele mostravam um homem alto, de cabelo escuro e confiante. Havia algo de familiar nos seus olhos.

Os olhos do Leo.

O meu coração parou por um segundo.

Continuei a procurar. Encontrei o perfil do David no Instagram. Estava cheio de fotos de festas, viagens de negócios e jantares de luxo.

E depois encontrei-a. Uma foto de há seis anos.

Era uma festa de empresa da InovaCresce. No meio da multidão, a rir, estava a Sofia. Ao lado dela, com o braço à volta da sua cintura, estava o David Andrade.

A data da foto era de cerca de nove meses antes do Leo nascer.

A prova estava ali, a brilhar no ecrã do meu telemóvel.

A minha respiração ficou presa na minha garganta. A traição era tão descarada, tão óbvia agora.

Todos os anos de dúvidas subtis, de pequenas inconsistências, vieram à tona. As horas extras da Sofia que nunca faziam sentido. O dinheiro que desaparecia da nossa conta conjunta. A sua distância emocional.

Eu tinha sido um tolo. Um tolo cego e apaixonado.

Nesse momento, o meu telemóvel tocou. Era a minha sogra, a Clara.

Atendi, a minha voz tensa.

"Miguel? A Sofia ligou-me, a chorar. O que lhe fizeste?" a sua voz era acusadora.

"Clara, não lhe fiz nada," respondi, a minha paciência a esgotar-se. "Descobri que não sou o pai biológico do Leo. Precisamos de encontrar o verdadeiro pai para um transplante de medula óssea."

"Que disparate!" ela retorquiu. "A minha filha nunca faria uma coisa dessas! És tu que estás a ser cruel e sem coração! Como te atreves a abandoná-la e ao teu filho doente?"

"Eu não os estou a abandonar! Estou a tentar salvar a vida do Leo!" a minha voz elevou-se. "A Sofia sabe quem é o pai. Ela precisa de nos dizer!"

"Ela não sabe de nada porque não há nada para saber!" gritou a Clara. "Tu és o pai! Para de inventar desculpas para fugir! És igual a todos os outros homens!"

Ela desligou-me na cara.

A família dela. Eles estavam todos a proteger-se uns aos outros, a tecer uma teia de mentiras.

E no centro de tudo, estava o meu filho a definhar.

Não. Eu não ia jogar o jogo deles.

Se eles não me iam dizer a verdade, eu ia encontrá-la sozinho.

            
            

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