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O Preço da Humilhação
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Capítulo 4

O Senhor Antônio, o homem que eu ajudei a se reerguer tantas vezes, agora estava ao lado de Fernando, rindo e apontando para mim.

"Viu só, Fernando? Eu te disse que ele era um coitado. Acredita que ele achou mesmo que a festa era pra ele?", ele dizia, alto o suficiente para que todos ouvissem.

A raiva finalmente superou a dor.

"Um coitado?", eu gritei, minha voz ecoando no salão silencioso. "Eu paguei o aluguel desta casa por três anos! Eu paguei as contas de luz e água que você não pagava porque gastava tudo com bebida! Eu comprei os remédios para a sua pressão alta! Esse coitado aqui te manteve vivo!"

O rosto dele ficou vermelho de fúria.

Ele marchou na minha direção, o corpo balançando perigosamente.

"Seu moleque insolente! Como ousa falar assim comigo?", ele gritou, o hálito azedo me atingindo. "Você não fez mais que sua obrigação! Queria o quê? Um prêmio? A mão da minha filha? Você nunca esteve à altura dela!"

Meu peito doía.

Uma década de dedicação, de sacrifício, de amor filial que eu sentia por ele, tudo reduzido a nada.

"Dez anos, Senhor Antônio. Dez anos de amizade, de ajuda... não valem nada? Não valem mais do que uma garrafa de uísque que esse homem te prometeu?"

Ele riu na minha cara.

Uma risada feia, desdenhosa.

"Dez anos? E o que são dez anos? Fernando vai dar à minha filha uma vida de rainha em um dia. Você, em dez anos, só conseguiu alugar esse terno ridículo. Agora suma da minha frente antes que eu perca a paciência."

Ele se virou, me deixando ali, exposto.

Fernando, aproveitando o momento, se aproximou de mim com um sorriso cruel.

Ele olhou para a flor amassada no chão e depois para a que ainda estava na minha lapela.

Com um movimento rápido, ele a arrancou do meu terno.

O tecido barato rasgou um pouco.

"Essa florzinha aqui é bonita", ele disse, cheirando-a com ironia. "Combina mais com o meu terno do que com o seu trapo."

Ele caminhou até Mariana e entregou a flor a ela.

"Coloca em mim, amor", ele pediu.

Mariana, sem hesitar, pegou a flor que era para ser minha e, com um cuidado que ela nunca dedicou a mim, a prendeu na lapela do terno de seda de Fernando.

A cena foi a humilhação final.

Era um ato simbólico.

A transferência pública de tudo o que eu achava que era meu.

Meu lugar, meu futuro, meu amor.

Tudo agora pertencia a ele.

Ele se virou para mim, ajeitando a lapela com a flor.

"Viu só? Fica muito melhor em mim. Assim como a Mariana."

Os convidados riram, aplaudiram a "brincadeira".

Eu olhei para o meu terno.

A lapela rasgada, o espaço vazio onde a flor deveria estar.

Era um reflexo perfeito de como eu me sentia por dentro.

Rasgado, vazio, humilhado.

Não havia mais nada a ser dito.

Eles tinham tirado tudo de mim, até a minha dignidade.

Eu me virei para sair, cada passo pesando uma tonelada.

Eu só queria ir embora, fugir daquele pesadelo.

Mas eles ainda não tinham terminado comigo.

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