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Infertilidade e Traição: O Divórcio
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Capítulo 1

Ana Lúcia sentia o peso do mundo em seus ombros, mas também um orgulho imenso. A bolsa de estudos que a família de Pedro lhe concedeu não foi um presente, foi um investimento que ela fez valer cada centavo. Durante anos, ela se dedicou de corpo e alma aos estudos de engenharia de petróleo em uma das melhores universidades do exterior, longe de casa, longe de tudo que conhecia. Ela não queria apenas se formar, queria ser a melhor, para provar a si mesma e aos pais de Pedro que era digna da confiança deles. E ela conseguiu.

Em dois anos, seu nome já era comentado nos círculos acadêmicos e profissionais. Tornou-se uma engenheira renomada antes mesmo de ter experiência prática substancial.

O convite para trabalhar na PetroVargas, a gigantesca empresa da família de Pedro, foi o passo seguinte e natural. Era a validação de todo o seu esforço. Pouco tempo depois, ela e Pedro se casaram em uma cerimônia suntuosa, que foi mais um evento de negócios do que uma celebração de amor. Ana Lúcia, no entanto, estava disposta a fazer funcionar. Ela mergulhou de cabeça não apenas no casamento, mas na empresa. Via o potencial da PetroVargas e queria fazer parte de seu crescimento, queria retribuir a oportunidade que lhe foi dada. Ela não era apenas a esposa do herdeiro, era um ativo valioso.

Nos anos seguintes, sua dedicação foi total. Ela passava noites em claro analisando relatórios, otimizando processos e desenvolvendo um projeto inovador que prometia revolucionar a forma como a empresa explorava petróleo, um projeto que poderia triplicar os lucros e garantir o futuro da PetroVargas por décadas. Ela sacrificou fins de semana, feriados e sua vida social, tudo pela família e pelos negócios. E os resultados apareceram. Sob sua influência, a empresa prosperou. Ela sentia que finalmente estava conquistando seu espaço, não apenas como a esposa de Pedro, mas como uma líder.

O dia da consagração chegou. O conselho de administração se reuniu para anunciar sua promoção à presidência da PetroVargas. Era o auge de sua carreira, o reconhecimento final de todo o seu trabalho. Ela estava na sala de reuniões, o coração batendo forte de expectativa, o discurso de agradecimento pronto na ponta da língua. Os membros do conselho, homens mais velhos e de feições sérias, a observavam. Os pais de Pedro, sentados na cabeceira da mesa, sorriam para ela, um sorriso que ela interpretou como aprovação. Então, a porta se abriu.

Pedro entrou. E ele não estava sozinho. Ao seu lado, uma mulher com um vestido justo exibia uma barriga proeminente de gravidez. O silêncio na sala foi imediato, denso e desconfortável. Ana Lúcia congelou. Ela conhecia aquela mulher, era uma das secretárias da empresa. O sorriso de Pedro era cruel, triunfante. Ele caminhou até o centro da sala, a mão possessivamente na cintura da amante.

"Antes de continuarmos com essa farsa," a voz de Pedro cortou o ar, "acho que todos precisam saber a verdade."

Ele olhou diretamente para Ana Lúcia, e não havia um pingo de remorso em seus olhos, apenas desprezo.

"Como podemos nomear uma presidente que não consegue nem cumprir o papel mais básico de uma mulher? Uma presidente que não pode sequer dar um herdeiro para garantir a linhagem da família Vargas?"

A humilhação a atingiu como uma onda de água gelada. Cada palavra era um golpe. O ar lhe faltou. Ela olhou para os pais de Pedro, esperando que eles o interrompessem, que a defendessem. Mas eles permaneceram em silêncio, seus rostos agora eram máscaras de decepção, não para com o filho, mas para com ela.

"Do que você está falando, Pedro?", ela conseguiu sussurrar, a voz trêmula.

A mulher grávida sorriu, um sorriso debochado.

"Ele está falando sobre o fato de que você é estéril, querida," a amante disse, a voz cheia de veneno. "Uma mulher incompleta. Enquanto eu, bem, eu estou carregando o futuro da PetroVargas aqui dentro."

A sala inteira parecia girar. Os murmúrios dos acionistas eram como o zumbido de abelhas raivosas. Ela era a arquiteta do sucesso recente da empresa, a mente por trás do projeto que todos elogiavam, e agora, tudo isso era reduzido a sua capacidade de procriação. O machismo daquela situação era tão denso que ela mal conseguia respirar.

"Isso... isso não tem nada a ver com a minha capacidade profissional," Ana Lúcia tentou argumentar, buscando em seu interior uma força que não sabia se ainda possuía. "Minha vida pessoal não interfere na minha liderança."

Pedro soltou uma gargalhada alta e ofensiva.

"Sua vida pessoal? Ana Lúcia, você não entende? Tudo é sobre a família. Sobre legado. E você falhou. Você nos enganou, fingindo ser a esposa perfeita, a nora perfeita, mas no final, você é um beco sem saída. Um investimento que não deu o retorno esperado."

O pai de Pedro, até então calado, pigarreou e falou, a voz grave e sem emoção.

"Pedro tem razão. A continuidade da família é primordial. A presidência exige alguém que compreenda a importância da linhagem."

A mãe de Pedro, a mulher que um dia a chamou de filha, a olhou com frieza.

"Nós te demos tudo, Ana Lúcia. E você não pôde nos dar a única coisa que realmente importava. Um neto."

Ana Lúcia sentiu o chão desaparecer sob seus pés. Ela estava sozinha. Completamente sozinha, cercada por lobos que, até um momento atrás, usavam peles de cordeiro. A dor da traição era insuportável, mas por baixo dela, uma nova emoção começava a borbulhar: a raiva. Uma raiva fria e cortante. Ela respirou fundo, endireitou a coluna e os encarou, um por um.

"Vocês não sabem de nada," ela disse, a voz baixa, mas firme. "Vocês não fazem a menor ideia do que está acontecendo nesta empresa."

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