Herança e um Casamento Forçado
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Capítulo 2

Sofia voltou para a Fazenda Alvorada com o coração pesado, mas com uma nova determinação em seus olhos.

A mansão na cidade parecia um túmulo, mas a fazenda, com seus campos de café a perder de vista e o cheiro de terra molhada, era o seu verdadeiro lar.

Era o legado de sua família, e ela não permitiria que abutres o roubassem.

Dona Clara a recebeu com um abraço apertado.

"Que bom que você voltou, menina."

"Eu precisava, Clara. É aqui que eu pertenço," respondeu Sofia, sua voz mais firme do que nos últimos dias.

A realidade, no entanto, era dura.

O advogado da família a contatou novamente, reforçando a urgência da situação.

"Senhorita Sofia, de acordo com as disposições do testamento de sua avó, a senhorita tem um prazo de três meses a partir da data do óbito de seus pais para se casar. Caso contrário, a administração do patrimônio passará para um conselho familiar, liderado por seus tios, até que a condição seja cumprida."

Três meses.

Era uma corrida contra o tempo.

Seus tios, os Mendes, já estavam agindo como se a fazenda fosse deles, dando ordens e questionando as decisões de Dona Clara.

A pressão era imensa.

Sofia sabia que não podia se casar com Camila. A simples ideia lhe causava repulsa.

Ela precisava de uma solução, e rápido.

Foi então que se lembrou de uma história que sua avó, Dona Alice, costumava contar. Uma história sobre uma antiga aliança, um pacto feito entre a família Viana e outra família tradicional e respeitada, os Albuquerque.

Um pacto selado com uma promessa de casamento entre seus herdeiros para unir as famílias e fortalecer seus negócios.

Sofia correu para o escritório de seu pai, um lugar que ela evitara desde a tragédia.

Com as mãos trêmulas, ela abriu o cofre antigo escondido atrás de um quadro.

Lá dentro, entre escrituras e documentos antigos, estava uma caixa de madeira entalhada.

Ela a abriu.

Dentro, em um pergaminho amarelado pelo tempo, estava o contrato de casamento, assinado por seu bisavô e pelo patriarca da família Albuquerque.

Era um documento legal, com selos e assinaturas reconhecidas.

Uma cláusula específica dizia que o pacto poderia ser ativado por qualquer uma das famílias caso a linhagem principal estivesse em risco.

Era a sua salvação.

Com a ajuda de Dona Clara, Sofia redigiu uma carta formal para a família Albuquerque, explicando sua situação e invocando os termos do antigo contrato.

Ela enviou a carta por um mensageiro de confiança, com a esperança queimando em seu peito.

Mas a esperança veio acompanhada de ansiedade.

O contrato era vago em alguns pontos.

Ele se referia ao "herdeiro ou herdeira primogênito" de cada família.

Sofia não sabia nada sobre os Albuquerque de hoje em dia. Quem era o herdeiro? Seria um homem velho? Uma criança? A incerteza era angustiante.

"E se... e se o herdeiro for alguém muito mais velho, Clara? Ou alguém com quem eu não consiga conviver?" , perguntou Sofia uma noite, a preocupação evidente em sua voz.

"Minha querida, sua avó sempre disse que os Albuquerque eram pessoas de honra. É um risco, sim, mas é um risco melhor do que cair nas mãos de seus tios e de Camila," respondeu Dona Clara, com sua sabedoria prática.

Sofia concordou.

Era um salto no escuro, mas era a única alternativa.

Ela tinha que confiar na honra de uma família que não conhecia e na sabedoria de seus antepassados.

Enquanto aguardava ansiosamente por uma resposta, a vida na fazenda continuava, e com ela, os tormentos.

Camila, aparentemente alheia à frieza com que fora tratada, voltou a aparecer.

Desta vez, ela veio com uma lista.

Ela encontrou Sofia no escritório, revisando as contas da fazenda.

"Já que vamos nos casar, preciso de algumas coisas," disse Camila, sem rodeios, colocando um pedaço de papel na mesa.

Sofia olhou para a lista.

Eram joias, vestidos de grife, uma bolsa de uma marca caríssima e até um adiantamento em dinheiro para "despesas pessoais" .

A audácia era inacreditável.

"Isso é para a nossa vida juntas," continuou Camila, com um sorriso presunçoso. "Como a Sra. da Fazenda de Café, preciso me apresentar de acordo. Você não quer que sua esposa pareça uma qualquer, quer?"

Sofia sentiu o sangue ferver, mas manteve a compostura.

A garota ingênua havia morrido. A mulher que estava ali agora era a herdeira da Fazenda Alvorada, e ela não se curvaria.

Ela pegou a lista, olhou para ela por um longo momento, e depois ergueu os olhos para encarar Camila.

"Entendo," disse Sofia, com uma calma que surpreendeu até a si mesma. "Vamos cuidar disso."

Camila sorriu, vitoriosa.

"Sabia que você entenderia."

Ela se virou e saiu do escritório, rebolando como se já fosse a dona do lugar.

Sofia ficou olhando para a lista, um sorriso frio e determinado surgindo em seus lábios.

Camila queria joias e vestidos?

Ótimo.

Sofia lhe daria exatamente o que ela merecia.

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