"Você não é minha noiva," retrucou Sofia, com firmeza. "Você é uma aproveitadora. E aproveitadores pagam suas contas."
Camila, tentando salvar as aparências, bufou.
"Pois bem! Eu pago! Eu pago por aquele colar estúpido! Você acha que eu não tenho dinheiro?"
Ela marchou de volta para a joalheria, com Lucas em seu encalço.
Sofia a seguiu, curiosa para ver o desfecho da peça.
De volta ao balcão, Camila disse ao Sr. Abreu com toda a arrogância que conseguiu reunir.
"Eu vou levar o colar. Quanto custa?"
O gerente, agora agindo sob as ordens diretas de Sofia, consultou a etiqueta.
"O colar custa cinquenta mil reais, senhorita."
Camila engoliu em seco, mas manteve a pose.
"Certo. Pode... pode colocar no meu cartão."
Sofia interveio, com a voz suave, mas letal.
"Receio que não. Nossas lojas familiares, a partir de hoje, só aceitam pagamento em dinheiro ou cheque administrativo para valores altos. Uma nova política de segurança."
A desculpa era esfarrapada, mas a autoridade de Sofia era inquestionável.
O rosto de Camila passou de pálido para vermelho. Ela obviamente não andava com cinquenta mil reais na bolsa.
"Isso é ridículo!" , ela sibilou.
"Talvez," concordou Sofia. "Mas antes de se preocupar com o colar, acho que você deveria se preocupar com sua dívida preexistente."
Ela pegou a folha de papel que o Sr. Abreu havia preparado discretamente e a estendeu para Camila.
"O total de suas despesas pendentes em nossas propriedades nos últimos dois anos. Roupas, joias, restaurantes, tratamentos de beleza... tudo que você e sua mãe desfrutaram 'por conta da casa' ."
Camila olhou para o número no final da página.
Seus olhos se arregalaram em choque.
O total era astronômico. Centenas de milhares de reais.
"Trezentos e quarenta e dois mil reais," leu Sofia em voz alta, para que todos na loja pudessem ouvir. "Gostaria de pagar a vista ou prefere que eu envie a fatura para o seu endereço? Acho que o prazo de pagamento de trinta dias é razoável, não acha?"
Lucas parecia que ia desmaiar. Camila tremia de raiva e humilhação.
Ela agarrou o braço de Sofia e a puxou para um canto, a voz um sussurro venenoso.
"Escute aqui, sua vadia. Se você acha que pode fazer isso comigo e se safar, está muito enganada. Cancele essa dívida agora ou eu juro que farei você se arrepender. Eu não vou te perdoar por essa humilhação."
O tempo da chantagem e da ameaça havia passado.
Sofia olhou nos olhos de Camila, sem medo, apenas com um profundo desprezo.
"Perdoar? Você fala em perdão?" , disse Sofia, sua voz baixa e cheia de fúria contida. "Você e meu primo planejavam tomar tudo que é meu enquanto o corpo dos meus pais ainda não tinha esfriado. Você não tem o direito de falar em perdão."
Sofia se afastou dela e falou em voz alta, para toda a loja ouvir.
"Sr. Abreu, a partir deste momento, a Senhorita Camila e o Senhor Lucas Mendes estão proibidos de entrar em qualquer estabelecimento da família Viana. E quanto a essa dívida..."
Ela fez uma pausa dramática.
"Meus advogados entrarão em contato com a família da Senhorita Camila amanhã para iniciar o processo formal de cobrança. Se o pagamento não for efetuado, iremos aos tribunais."
A declaração foi uma bomba.
Ameaçar a família de Camila, que vivia de aparências e temia escândalos, era o golpe de mestre.
Camila perdeu o controle.
"Sua desgraçada! Eu te odeio! Você vai se arrepender disso! Você vai morrer sozinha e infeliz, rastejando por mim!" , ela gritou, o rosto distorcido pela raiva.
Lucas a puxou pelo braço, tentando arrastá-la para fora da loja antes que a cena piorasse.
Sofia apenas os observou partir, seu rosto uma máscara de frieza.
Ela não sentia prazer na humilhação deles, mas sim uma sensação de retidão.
Era o primeiro passo para limpar a sujeira que eles haviam criado em sua vida.
A guerra estava declarada, e Sofia estava pronta para lutar.
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