Minha cabeça gritava que não era boa ideia, que misturar trabalho e isso -fosse o que fosse- podia acabar mal. Mas meu corpo já estava decidindo por mim. Sem dizer nada, peguei a mão dele e deixei que me levasse para a pista de dança.
O baile foi intenso desde o primeiro segundo. Lisandro me segurou com força, colocou uma mão na minha cintura e a outra entrelaçada com a minha. Nos movíamos no ritmo da música, cada roçar, cada olhar, era como brincar com fogo.
Sentia a respiração dele perto do meu pescoço, o corpo tão colado ao meu que eu podia notar o calor que ele desprendia. Meu coração batia louco, e eu não sabia se era pela música, por ele ou pelas duas coisas juntas.
-Não sabia que você dançava tão bem -disse, tentando quebrar o silêncio carregado entre nós.
-Tem muita coisa que você não sabe de mim. Me mover bem é uma delas -respondeu, a voz baixa, quase colada no meu ouvido.
Um arrepio me percorreu inteira. Quis dizer algo esperto, algo que me devolvesse o controle, mas não encontrei as palavras. Então senti alguém mais perto. Virei a cabeça e vi Leonardo Varela, o cliente insuportável da reunião, parado a poucos passos com um sorriso que me deu mau pressentimento.
-Que surpresa te ver aqui, Valeria. Lisandro te convenceu de que era melhor passar tempo com ele do que comigo? -disse, com um sarcasmo que me deixou desconfortável.
Lisandro se tensionou na hora. Sua mão apertou minha cintura com mais força, como se quisesse me proteger ou marcar território.
-Não sabia que você era tão insistente, Varela -rebateu, a voz fria como gelo.
Varela soltou uma risada baixa, mas não se mexeu. Eu me senti presa no meio de algo perigoso, como se estivesse entre duas torres prestes a desabar.
-Só estou sendo amigável -disse Varela, me olhando de um jeito que me fez sentir suja.
Lisandro deu um passo à frente, se colocando entre ele e eu.
-Ela não precisa da sua amizade -disse, cortante.
Varela levantou as mãos, como se estivesse se rendendo, mas aquele sorriso dele não desapareceu.
-Tá bom, não quero problemas, só vim me divertir -disse, e se afastou, não sem antes me lançar um último olhar que deixou um nó no meu estômago.
Quando ele foi embora, Lisandro me olhou, ainda sério. Lentamente, soltou minha cintura e cravou os olhos nos meus.
-Toma cuidado com ele, não é alguém com quem você quer se meter -avisou, com tom sério.
Eu, ainda confusa com tudo o que tinha acabado de acontecer, respondi:
-E com você? Você é alguém com quem eu quero me meter?
Lisandro me deu um sorriso misterioso.
-Isso depende de quanto você se atreve -disse, e se afastou, me deixando na pista com o coração a mil e a cabeça uma bagunça.
Saí do lugar um pouco depois, só mandei uma mensagem para Sebastián. Não queria estragar o encontro dele com meu tédio.
Na manhã seguinte acordei com o corpo pesado, como se não tivesse dormido nada. O que aconteceu no clube continuava na minha cabeça, girando como uma música que você não consegue tirar.
Ontem à noite tinha sido um desastre, ou talvez algo incrível, ainda não sabia definir. Lisandro me teve tão perto enquanto dançávamos, com as mãos firmes na minha cintura, o corpo duro roçando no meu.
Cada movimento dele me fazia tremer, e aqueles olhos escuros me prendiam como se não houvesse escapatória. Naquele momento só existia ele, o calor dele, a forma como me fazia sentir viva e perdida ao mesmo tempo.
Levantei da cama com as pernas moles e o pijama grudado na pele pelo suor. Fui ao banheiro e me olhei no espelho. Meu cabelo estava bagunçado, as bochechas vermelhas, e meus olhos tinham um brilho que me assustava.
"Você tá louca, Valeria", murmurei, mas não consegui evitar um sorriso torto. Lavei o rosto com água fria, tentando tirar aquelas imagens da cabeça, mas não funcionava. Fechava os olhos e o via: jeans escuros marcando as pernas, camisa preta colada no peito, aquela forma de se mover que arrepiava minha pele.
Fui para a sala, decidida a deixar tudo para trás. Lá estava Sebastián, largado no sofá com um café na mão e o sorriso de sempre. Quando me viu, os olhos dele se iluminaram como se tivesse encontrado ouro.
-Bom dia, rainha do caos -disse, deixando a xícara na mesa com um gesto exagerado-. Dormiu bem? Ou melhor, sonhou bem? Porque essa cara de "me acabaram de botar fogo" não engana ninguém.
Revirei os olhos e me joguei ao lado dele, roubando um travesseiro para abraçar.
-Não começa, Sebas. Foi uma noite longa, só isso.
Ele soltou uma gargalhada tão forte que quase caiu do sofá.
-Uma noite longa? Querida, o que eu vi ontem à noite não foi só uma noite longa. Foi um incêndio nível nuclear. Aquele homem te tinha colada nele como se você fosse dele, e você não estava dizendo não. Sério que vai fingir que não aconteceu nada?
Cruzei os braços, tentando parecer tranquila.
-Foi só uma dança, Sebastián. Não faz novela disso.
Ele se aproximou mais, apoiando o cotovelo no sofá e me olhando como se fosse me arrancar a verdade com alicate.
-Uma dança? Já! Valeria, eu sou gay, não cego. A forma como ele te pegou, como te olhava como se quisesse te devorar viva ali mesmo na pista... Isso não foi um simples passinho. E você, meu amor, estava tremendo nos braços dele. Me diz a verdade: o que sentiu quando ele te teve tão perto?
Senti meu rosto esquentar, mas não conseguia escapar dele.
-Não sei do que você tá falando -menti, olhando para o travesseiro como se fosse a coisa mais interessante do mundo.
Sebastián estalou a língua e se inclinou mais, baixando a voz como se me contasse um segredo suculento.
-Não vem com essa, eu te vi, Valeria. Te vi derretendo como sorvete no meio do verão. Vamos, solta: o que passou pela sua cabeça quando Lisandro te teve grudada nele? Ficou nervosa? Deu calor? Quis arrancar aquela camisa sexy que ele tava usando?
Olhei para ele, surpresa, mas não consegui evitar rir.
-Sebastián, pelo amor de Deus! O que deu em você hoje?
Ele deu de ombros, sorrindo como um diabinho.
-Nada, só quero os detalhes quentes. Não tenho um chefe gostoso pra fantasiar, então vivo através de você. Anda, me conta: o quão mal ele te deixa?
Suspirei, me rendendo um pouco.
-Tá bom, sim, senti algo. Foi intenso, não sei explicar. Quando ele me tocou, foi como se todo o resto apagasse. Só existiam ele e eu, e eu não conseguia pensar em mais nada.
Sebastián bateu palmas como se tivesse ganhado um prêmio.
-Eu sabia! Sabia que esse homem tinha te virado do avesso. Agora me diz, o quão intenso? Deu formigamento? Imaginou pular em cima dele ali mesmo?
Dei um empurrão leve nele, rindo.
-Para, louco! Não vou te dar um relato pornô. Mas sim, foi muito. As mãos dele, o olhar... Tudo. Até sonhei com ele depois. Tá contente?
Os olhos dele se abriram enormes e ele soltou um grito exagerado.
-Meu Deus do céu! Um sonho safado com o chefe? Isso é melhor que novela. Conta tudo, não esconde nada. O que ele fazia? O que você sentia? Você tava nua?
Joguei o travesseiro na cara dele, rindo mais alto.
-Você é doente! Não vou te contar isso. Mas sim, acordei suando e com o coração a mil. E agora não sei como vou olhar pra ele no escritório sem ficar vermelha como tomate.
Sebastián ficou sério por um segundo, algo raro nele.
-Escuta, Valeria, não tem nada de errado em sentir isso. Ele é seu chefe, sim, mas também é um homem que te sacode inteira. E pelo que vi ontem à noite, você também o sacode. A forma como ele te olhava... Não sei, tinha fogo ali, algo quente e perigoso. Só toma cuidado.