A paciência de Evelyn se esgotou. Ela derrubou uma torre de taças de champanhe, os copos se espatifando no chão. "Chega! Vocês estão espalhando mentiras sem provas. Onde estão as evidências?"
Champanhe espirrou por todos os lados.
A multidão não esperava sua explosão. Eles franziram a testa, mas ninguém conseguiu rebater.
Laura forçou um sorriso, tentando apaziguar a situação. "Ah, vamos lá, ninguém quis causar mal, Srta. Hayes. Não faça alarde e estrague o clima de todos."
Suas palavras provocaram acenos de cabeça dos outros.
Kristian, ansioso para se encaixar na alta sociedade, não arriscaria ofendê-los.
Ele se posicionou na frente de Evelyn, balançando discretamente o colar com pingente de relógio, seus olhos lançando um claro aviso.
O coração dela apertou, a respiração acelerando.
Encarando os rostos presunçosos ao redor, mordeu o lábio. "Desculpe. Fui mesquinha."
Vendo sua submissão, Kristian articulou silenciosamente: "Muito bem."
Mas a humilhação e a raiva criaram raízes em seu coração.
Ela queria um rompimento limpo, mas Kristian continuava a arrastá-la de volta, permitindo que essas pessoas a rebaixassem.
Ela lembraria seus nomes e acertaria as contas um dia.
Perdida em pensamentos, notou Ruby segurando uma caixa de sorteio. "Pessoal, preparei um jogo divertido. É uma verdadeira emoção. Quem será o primeiro?"
Laura levantou a mão e avançou, puxando um papel da caixa.
"Ah não, é um jogo de penalidade," disse, fingindo surpresa ao ler, "Andar na borda da varanda do vigésimo sétimo andar enquanto faz bungee jumping."
O estômago de Evelyn revirou. Isso parecia uma armadilha armada só para ela.
Com certeza, Laura se jogou nos braços de Kristian, lágrimas de crocodilo começando a surgir. "Kristian, estou com medo. Não pode deixar a Srta. Hayes ir no meu lugar?"
Kristian hesitou, mas a multidão rapidamente apoiou Laura.
"Laura é uma herdeira delicada. Ela não pode fazer algo tão arriscado."
"Deixe a Evelyn fazer. Ninguém se importa com a vida dela."
Quando Kristian não respondeu, Laura bateu o pé, fazendo beicinho. "Você sente pena dela? Tudo bem, eu vou."
Ela fez bico, esperando que ele cedesse.
"Certo, certo, o que você quiser," Kristian cedeu, seu tom impregnado de apaziguamento até que ela se animou.
Evelyn, testemunhando tudo, não teve nem chance de fugir antes que os seguranças a levassem para o terraço.
Na varanda do vigésimo sétimo andar, o vento frio feria seu rosto.
Ela lutou para se libertar, finalmente se desvencilhando dos seguranças, mas Kristian bloqueou a única saída.
Ele beijou sua bochecha, a voz suave mas cheia de pena. "Seja boazinha. Se Laura estiver feliz, podemos continuar vivendo no luxo. Aguente por mim."
Seu tom gentil carregava uma ponta gelada.
Ela riu, as lágrimas embaçando sua visão. "Kristian, não existe nós. Apenas você e eu. Se eu não conseguir escapar hoje, e morrer aqui, vou atormentar vocês como um espírito vingativo."
Kristian franziu a testa, irritado, e ordenou que os seguranças adicionassem uma corda de segurança extra.
Eles empurraram Evelyn para a beira, amarrando cordas de bungee jumping ao redor dela.
Laura e sua comitiva ficaram a uma distância segura, aplaudindo e zombando. "Pule logo. Vamos ver se você é tão inútil quanto dizem."
A risada irrompeu.
"Estou gravando isso. Evelyn vai parecer patética."
Evelyn os ignorou, fixando os olhos em Kristian.
O homem que prometeu protegê-la para sempre agora a colocava em perigo.
A dor era profunda. Ela amaldiçoou sua estupidez passada.
Quando não se moveu, Laura acenou de forma autoritária. "O que está esperando? Empurrem-na, seus inúteis."
Repreendidos, os seguranças, relutantes em contrariar seu empregador, fecharam os olhos e empurraram Evelyn da varanda.
Seu corpo despencou, o medo roubando-lhe a voz. Ela se agarrou às cordas, rezando por segurança.
Mas as cordas enroscaram, deixando-a pendurada de cabeça para baixo no oitavo andar.
Laura apareceu na borda da varanda, segurando uma pequena faca, a ponta tocando as cordas ancoradas. "Oh, Evelyn, que bagunça. Os seguranças erraram o comprimento da corda. Deixe-me ajudá-la."