Alguns dos meus amigos, aqueles que ainda tinham esperança em nós, correram até mim.
"Ellie, o que está acontecendo?" perguntou Chloe, com os olhos alternando entre mim e o casal feliz do outro lado da sala. "Todo mundo está dizendo que vocês dois terminaram. É sério dessa vez?"
Consegui esboçar um sorriso pequeno e cansado. "É. Dessa vez é sério."
As palavras soavam sólidas, reais. Não como as ameaças vacilantes do passado.
Uma onda de choque percorreu meus amigos. "Mas... vocês são Jax e Eliana", disse Madison, como se fosse uma lei imutável da física. "Vocês deveriam estudar juntos na UCLA."
"Lembra do primeiro ano do ensino médio, quando ele encheu seu armário inteiro de gardênias porque você disse que gostava do cheiro?" Chloe relembrou, com um olhar triste no rosto. "Ele me disse que gastou toda a mesada do mês com elas."
"E o que dizer daquela vez em que ele recusou um encontro com aquela líder de torcida veterana porque disse que estava 'guardando todas as suas danças para a Ellie'?", acrescentou outro amigo.
Cada lembrança era uma pequena e aguda pontada. Doía lembrar do menino que ele costumava ser, o menino que me amou com tanta intensidade, o menino que eu me convenci de que ainda existia sob as camadas de sua arrogância. O passado era uma lembrança linda e ensolarada, mas o presente era uma realidade fria e cruel. Aquele menino havia desaparecido.
"Ele era ótimo", reconheci, com a voz calma, mas firme. "Mas as pessoas mudam." Acenei com a cabeça discretamente para o outro lado da sala. "E como você pode ver, ele está muito bem. Eles parecem felizes juntos."
Meu olhar encontrou o de Jax por cima da multidão. Ele me observava, com uma expressão complexa no rosto. Ao ouvir minha declaração calma, seu maxilar se contraiu. Parecia esperar lágrimas, uma cena, um ataque de ciúmes. Algo assim. Minha indiferença claramente não fazia parte de seus planos.
Em vez de desviar o olhar, ele puxou Catalina para mais perto deliberadamente, sua mão deslizando mais para baixo em suas costas, e sussurrou algo em seu ouvido que a fez rir e pressionar o corpo contra o dele.
Foi uma atuação. Uma atuação deliberada e cruel, planejada para me provocar, para reafirmar seu controle. Ele estava esperando que eu cedesse.
Mas eu já estava destruído. Não havia mais nada que pudesse ser quebrado.
Simplesmente me virei para meus amigos, com um sorriso sereno no rosto, e comecei a falar sobre planos para o verão, sobre Nova York, sobre qualquer coisa, menos sobre ele.
Pelo canto do olho, vi seu sorriso vacilar. Um lampejo de incerteza, de pânico, cruzou seu rosto. Isso não estava nos planos. Eu deveria estar correndo atrás dele, implorando, lembrando-o do que estava perdendo. Minha indiferença era uma variável que ele não havia previsto, uma ameaça à sua autoestima profundamente arraigada.
Eu o vi dar um passo em minha direção, mas Catalina apertou o braço dele com mais força, fazendo beicinho. Ele hesitou, depois soltou um suspiro exasperado e permaneceu onde estava.
Mais tarde, alguém sugeriu um jogo de Verdade ou Desafio. A garrafa girou e o ar da noite ficou carregado de uma nova tensão. Inevitavelmente, a garrafa parou em Catalina.
"Desafio!" ela exclamou, seus olhos já encontrando Jax no círculo.
A garota que girava a garrafa, uma das novas amigas de Catalina, deu um sorriso malicioso. "Eu te desafio a dar um beijo de verdade, apaixonado, no cara mais gato daqui."
Um "Uau!" coletivo percorreu o grupo. Todos os olhares no círculo se voltaram para Jax. Ele era, sem dúvida, o cara mais gato ali.
O sorriso de Catalina se alargou. Ela olhou diretamente para mim, os olhos brilhando com malícia. "Eliana, você não se importa, não é? Quer dizer, é só um jogo."
A amiga dela interveio, com a voz carregada de falsa simpatia. "Ela é a ex dele, Catalina. Ela não tem mais voz ativa nisso."
A humilhação era física, um calor intenso que subia pelo meu pescoço. Eu sentia todos os olhares sobre mim, esperando minha reação. Olhei para Jax. Seu olhar era intenso, queimando em mim. Ele estava esperando. Me desafiando a protestar. Me desafiando a mostrar que eu ainda me importava.
Este era o teste dele. Sua última e cruel demonstração de poder, arquitetada para reafirmar seu domínio. Ele acreditava que, mesmo agora, eu não suportaria vê-lo com outra garota. Pensava que uma palavra de protesto minha seria suficiente para reafirmar seu controle, para provar que eu ainda era dele, à disposição dele sempre que ele decidisse me querer de volta.
Levantei o queixo, com uma expressão de fria indiferença. "Por que eu me importaria?", disse, com a voz clara e firme. "Não tem nada a ver comigo."
A mudança em sua expressão foi instantânea. A arrogância desapareceu, substituída por um lampejo de fúria crua e desenfreada. Seu rosto ficou rígido, seu maxilar se contraiu com tanta força que eu podia ver o músculo saltar. Minha indiferença não apenas o surpreendeu; o enfureceu. Era uma rejeição que ele não conseguia engolir, um desafio direto ao seu narcisismo profundamente enraizado.
Uma risada fria e sem humor escapou de seus lábios. "Você a ouviu", disse ele, com a voz perigosamente suave. Ele agarrou o rosto de Catalina com uma aspereza que pareceu surpreender até mesmo ela, e pressionou seus lábios contra os dela.
Não foi um selinho qualquer. Foi um beijo profundo e punitivo, um espetáculo público de possessão e fúria. Ele a estava beijando, mas estava tentando me machucar. O silêncio que se abateu sobre o grupo foi pesado e sufocante.
Eu assistia, com o coração pesado como chumbo no peito. Sentia os olhares de todos, sentia a pena, a curiosidade mórbida. Era como assistir a um acidente de carro. Horripilante, mas impossível de desviar o olhar.
Quando ele finalmente se afastou, Catalina estava sem fôlego, com os lábios inchados.
A amiga dela, aproveitando o momento, perguntou com um sorriso malicioso: "E aí, Jax? Como foi? Melhor que você-sabe-quem?"
Jax não tirou os olhos de mim. Eram escuros, repletos de uma crueldade fria e triunfante.
"Muito melhor", disse ele, em voz alta o suficiente para que todos ouvissem. "Catalina beija muito melhor do que Eliana jamais beijou."