"Cat", ela suspirou, uma mistura de choque e alívio em seus olhos. "Você abriu mão de tudo por ele. Sua arte, seus amigos... você construiu sua vida inteira em torno de ser a esposa perfeita do Don."
Um sussurro cru e cansado escapou de mim. "Cansei de tentar."
Inclinei-me para frente, minha voz baixando. "Ela voltou, Jules."
O rosto de Giuliana ficou pálido. "Isabella?"
Eu assenti. Tudo fazia sentido agora. A obsessão de Alessandro por privacidade, a maneira como ele guardava seu celular e seu passado - era uma fortaleza construída para proteger a memória dela.
Ele era uma contradição viva - um homem que exigia sigilo absoluto em nosso casamento, mas deixava um monumento público para um amor do passado.
Lembrei-me da noite em que ele me levou ao seu restaurante "favorito" em nosso primeiro aniversário. Ele estava quieto, nostálgico. Pensei que ele estava se abrindo para mim.
Agora eu sabia a verdade.
Ele estava apenas revivendo uma memória com ela, e eu era apenas a substituta, a atriz reserva desempenhando o papel dela.
Fui moldada para caber no espaço vazio que ela deixou para trás.
"Vou preparar os papéis da separação até o final do dia", disse Giuliana, sua voz firme, me puxando de volta para o presente.
"Mas você sabe como ele vai ver isso. Para um homem como Alessandro, isso não é um divórcio. É um ato de guerra. Um desafio à sua autoridade."
"Eu sei", eu disse, minha voz baixa. Ele não veria uma esposa de coração partido; ele veria uma posse tentando escapar.
Lembrei-me das palavras de Giuliana para mim depois do meu casamento, sussurradas na fila do guarda-volumes enquanto Alessandro era o centro das atenções.
"Ele te olha como uma pintura recém-adquirida, Cat", ela disse. "Bonita, valiosa, algo para pendurar na parede dele. Não como a mulher sem a qual ele não pode viver."
Eu não quis ouvir na época. Passei cinco anos tentando provar que ela estava errada.
"Você pode dizer a alguém cem vezes que o fogão está quente", murmurei, olhando para o meu café. "Mas a pessoa só entende de verdade quando toca nele."
Lá fora, o céu se abriu, uma chuva repentina escurecendo as ruas.
Um momento depois, a porta do café se abriu e um homem entrou, sacudindo um grande guarda-chuva preto. Era Marco, o noivo de Giuliana, um dos Soldados mais leais do meu marido.
Ele nos viu e seu rosto sério se abriu em um sorriso caloroso. Ele se aproximou da nossa mesa, inclinou-se e beijou Jules suavemente.
A intimidade entre eles era tão fácil, tão natural. Era uma parceria.
Meu casamento era uma transação.
"Pronta para ir, mia cara?", Marco perguntou a ela. Ele olhou para mim. "Sra. De Luca. Posso te dar uma carona? Está caindo o mundo lá fora."
Eu balancei a cabeça, conseguindo um pequeno sorriso. "Obrigada, Marco, mas vou esperar a tempestade passar."
Eu os observei sair, o braço de Marco protetoramente em volta de Giuliana enquanto ele segurava o guarda-chuva sobre a cabeça dela.
Eles eram uma equipe.
A pergunta que me assombrou por cinco anos ecoou no espaço vazio que eles deixaram para trás. Por que era tão difícil para Alessandro me amar?
E pela primeira vez, uma resposta simples e devastadora me atingiu com a força de um golpe físico.
Nunca foi sobre mim.
Ele simplesmente não me amava. E nunca amaria.