Renascida: Meu Sacrifício, Sua Eterna Culpa
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Capítulo 2

Carla Raposo POV:

A luz penetrou em minha mente, e eu vi o futuro se desdobrar.

Não era mais um sonho, mas uma possibilidade, um caminho que eu podia moldar.

Eu tinha que agir rápido.

O primeiro arrependimento de Maurício: o casamento forçado.

Eu sabia o que tinha que fazer.

Eu voltei para casa, a cabeça zumbindo com a nova clareza.

Encontrei os papéis do divórcio que eu havia preparado em minha vida anterior, assinei meu nome, e com uma caneta que parecia pesada demais, eu forjei sua assinatura.

Não era justo, eu sabia.

Mas era necessário.

Era o primeiro passo para a liberdade dele.

E para a minha.

Maurício nunca deveria ter perdido Luna por minha causa.

Eu observei os papéis do divórcio sobre a mesa, sentindo um vazio no peito.

Um vazio que logo seria preenchido pela minha própria vida.

Eu segurei os papéis, sentindo o peso do meu sacrifício.

Eu o libertei.

Agora, eu tinha que esperar o momento certo para entregar.

Quando ele estivesse pronto para ver.

Mas antes, eu tinha que ver Luna.

Eu sabia o que a voz me disse.

"O segundo arrependimento de Maurício é a morte de Luna. Você deve salvá-la."

Eu não podia deixar que a história se repetisse.

Eu precisava chegar até Luna antes que fosse tarde demais.

Eu saí de casa com os papéis do divórcio em uma pasta, pronta para o que viesse.

Quando cheguei ao escritório de Maurício, ele estava lá, sentado em sua mesa, com uma expressão irritada no rosto.

"Onde você estava?" Ele perguntou, a voz áspera. "Eu te chamei várias vezes."

"Eu estava ocupada", eu respondi, controlando a minha voz.

Ele franziu a testa.

"O que é isso?" Ele perguntou, apontando para a pasta em minhas mãos.

Eu sabia que era o momento.

Mas eu precisava de mais tempo.

Eu precisava de uma oportunidade de falar com Luna.

"Não é nada que te interesse", eu disse, colocando a pasta sobre a mesa.

Ele estendeu a mão para pegar.

Mas eu o impedi.

"Ainda não", eu disse, com um sorriso enigmático.

Ele me olhou com desconfiança.

"Você está agindo de forma estranha", ele disse.

"Talvez eu esteja apenas cansada de agir da maneira que você espera", eu respondi.

Ele me encarou, e eu vi um brilho de algo parecido com curiosidade em seus olhos.

"Você está diferente", ele disse.

"Eu sou a mesma Carla de sempre, Maurício", eu disse, minha voz suave. "Apenas mais verdadeira."

"Verdadeira? Você mal fala comigo há dez anos", ele zombou.

Meu coração doeu.

Era verdade.

Eu me calei, observando-o.

"Você está tão linda, Maurício", eu disse, a verdade saindo da minha boca antes que eu pudesse contê-la.

Ele franziu a testa, surpreso com o elogio.

"Você vai encontrar a verdadeira felicidade com a mulher que você ama", eu disse, meu coração apertando.

Ele me olhou confuso.

"Você é patética", ele disse, virando as costas. "Sempre com essas suas fantasias."

Ele se afastou, e eu vi um leve tremor em seus ombros.

Ele estava irritado.

Mas eu também vi algo mais.

Uma pontada de incerteza.

Eu ouvi vozes vindo do corredor.

"Luna Frade? Teve um acidente grave. Vão levá-la para o hospital agora!"

Meu coração deu um salto.

Era agora.

Era o segundo arrependimento.

Eu me lembrei da dor de Maurício em minha vida anterior, da culpa que o consumia.

Eu não o deixaria passar por isso de novo.

Eu me lembrei de todas as vezes que Maurício me humilhou por causa de Luna.

Da festa de aniversário dele, quando ele me deixou sozinha na mesa para ir dançar com ela.

Eu me lembrei de suas palavras, cortantes como facas.

"Você é uma cardiologista, Carla. Não uma socialite. Saia da frente."

Eu me lembrei de como ele me ignorou, de como ele fez com que eu me sentisse invisível.

E agora, ele estava me pedindo para salvar a vida dela.

Eu teria dito não em minha vida anterior.

Eu teria deixado o destino seguir seu curso.

Mas não agora.

Não depois de tudo o que eu havia passado.

Não depois de ter sido "morta" pelo meu próprio amor.

Eu me lembrei de seus olhos desesperados, de sua voz implorando para que eu a salvasse.

Eu não o deixaria sofrer.

Maurício, de repente, voltou correndo para o escritório.

"Carla, você precisa me ajudar!" Sua voz estava embargada, os olhos marejados. "Luna... ela está no hospital. Ela precisa de uma cirurgia cardíaca de emergência! Você é a única que pode salvá-la!"

Ele estava implorando.

O homem que me desprezou por dez anos estava implorando por ajuda.

Eu não disse nada, apenas olhei para ele.

"Por favor, Carla!" Ele se ajoelhou na minha frente. "Eu te imploro!"

Pela primeira vez em dez anos, eu vi a verdadeira vulnerabilidade em seus olhos.

E meu coração se partiu.

Não por ele, mas pela dor que ele estava sentindo.

"Eu vou salvá-la", eu disse, minha voz calma.

Ele levantou a cabeça, surpreso.

"Você? Mas... você não a odeia?" Ele perguntou, a voz cheia de desconfiança.

"Não cabe a mim julgar", eu disse, minha voz firme. "Eu sou médica. E ela precisa de mim."

Eu sabia que ele não entendia.

Ele nunca entenderia.

Mas eu não estava fazendo isso por ele.

Eu estava fazendo isso por mim.

Para me libertar.

Para libertá-lo da culpa.

Eu me lembrei da primeira vez que o vi lutar por alguém.

Foi por um velho amigo, que estava em perigo financeiro.

Maurício arriscou sua própria fortuna para salvá-lo.

Eu me lembrei de sua ferida no braço esquerdo.

A cicatriz que ele carregava como um distintivo de honra.

Ele me salvou.

E agora, eu o salvaria.

Eu me lembrei de como ele costumava me dizer:

"Carla, você é uma mulher notável. Sua paixão pela medicina é inspiradora."

Ele mal me elogiava.

Mas ele me elogiou.

Eu me lembrei de como ele me ajudou a estudar para meus exames, de como ele me incentivou a seguir meus sonhos.

Ele era um homem complexo.

Um homem que eu amei, apesar de tudo.

"Você vai se arrepender disso", ele disse, sua voz cheia de desdém.

Eu não me arrependeria.

Eu sabia que não.

Eu me lembrei de como eu o salvei de um carro desgovernado, arriscando minha própria vida.

Ele me abraçou com força, seus olhos cheios de gratidão.

Eu me lembrei de como ele me ajudou a montar minha clínica, de como ele me apoiou em tudo.

Ele era meu herói.

Ele era meu tudo.

Então, tudo mudou.

A chegada de Luna.

A traição.

O desprezo.

Eu me lembrei de suas últimas palavras para mim, em minha vida anterior.

"Eu te odeio, Carla. Eu te odeio por ter tirado Luna de mim."

Eu não o odiava.

Eu o amava.

E eu o libertaria.

Eu não podia mudar o passado, mas eu podia mudar o futuro.

Eu podia salvá-lo da dor.

Eu podia salvá-lo da culpa.

Eu podia libertá-lo.

E ao fazer isso, eu finalmente me libertaria.

            
            

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