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Arrematada Pelo Meu Chefe
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Capítulo 4 Matteo Ricci

Dar aula para universitários só me provou que eu nunca teria paciência com alunos. Entretanto, uma aluna me chamou a atenção.

Entre uma turma de vinte e cinco pessoas, lá estava ela parada na porta, estática, simplesmente como se tivesse visto fantasmas na sua frente. As cores de sua roupa mostravam um pouco de sua personalidade, como se ela fosse o próprio sol ao iluminar tudo ao seu redor. Olhos azuis que me tiraram do eixo. A postura inocente, que fez com que o meu pau vibrasse na calça, fato que me deixou surpreso, pois ela não faz nem um pouco meu tipo.

Ela fixou seus olhos nos meus e foi como eu tivesse sido arrebatado para outra dimensão, onde existia apenas eu e ela.

E porra! Que conexão inexplicável era aquela?

Assim que tive sua prova em mãos, reparei em seu nome: Maria West.

Em meus sonhos, ela veio e me atormentou. Sonhei tendo ela debruçada sobre aquela mesa de sala de aula, sem me importar que outros estivessem ali e nos vissem. No sonho pude euvir seus gemidos enquanto ela gozava, mas em um certo momento em que ela olhou sobre o ombro, não era mais a jovem, mas sim a porra da minha ex, Aurora.

A irritação por ter sonhado com aquela vagabunda me tirou toda a probabilidade de ter um bom dia, então decidi evitar mais uma discussão sem fim com meu pai e ir direto para o escritório.

- Senhor Ricci, bom dia! - Martha saudou assim que me viu saindo do elevador.

- Buongiorno, Martha.

- Vou preparar o seu café, senhor. - Martha sabe que quando chegou bem antes do meu horário é porque provavelmente não tomei café em casa.

- Obrigado! - Desabotoei meu paletó assim que entrei em minha sala, me jogando na poltrona que ficava no canto da sala.

A voz de meu pai nunca está silenciada em minha cabeça, reiterando o tamanho da responsabilidade que tenho que assumir. Ser a porra do chefe. Cresci sendo treinado pra isso, houve um tempo em que eu estava excitado com essa ideia, mas agora, quando enfim a realidade está caindo sobre mim, eu só queria me enfiar em um buraco e sumir.

- As pastas com os dados das candidatas estão em sua mesa. - A doce voz de Martha me trouxe de volta a realidade, juntamente com o cheiro do café que me fez sentir água na boca.

- Certo!

Martha se sentou ao meu lado para passar minha agenda do dia. Essa deveria ser a função da nova secretária, já que Martha trabalha mais na parte empresarial e o que estou precisando urgentemente era de uma secretária pessoal.

- O senhor tem reunião às quatro com o comitê trabalhista para discutir os novos projetos selecionados aos novos empregadores.

- Remarque essa para a próxima sexta, por gentileza. Preciso ler mais uma vez o contrato, há algumas cláusulas que são infundadas e que tem que ser refutadas.

- Ok! Às seis o senhor terá uma reunião para remanejar o quadro de funcionários da Gossip, a nova empresa que o senhor comprou.

- Certo.

- Aqui estão os currículos. - Estendi o braço e peguei a pasta parda, abrindo para olhar os currículos.

- Alguma indicação? - Sinalizei para a pasta em minhas mãos com o queixo e Martha estreitou os olhos para lembrar. Isso é quase um tique seu.

- Tem uma candidata que gostei do perfil dela, não sei, senti uma boa aura. O Senhor sabe que sou mais ligada com esse negócio de energia. - Assenti- Candidata número quatorze.

Fui direto para o número e praticamente tive uma síncope, porque bem ali estava o currículo de nada mais nada menos que Maria West, a aluna de Romeo que fodeu com a minha mente desde que a vi.

- Martha, a senhorita Maria West

- Achou ela muito jovem e sem experiência para a vaga? - pergunta se retraindo.

- Não. Ligue para ela e peça que venha o quanto antes.

- Claro, senhor.

- Desmarque com as outras candidatas, por favor.

- Mas...

- A vaga é da West - sentencio e ela não questiona mais nada.

Martha concordou e se levantou em seguida, me deixando sozinho na sala.

Caminhei até minha mesa e abri o notebook, precisava revisar alguns processos de alguns milionários envolvidos em nosso comércio ilegal. Esses casos são pré-selecionados por mim e repassados a Romeo.

Tentei manter o foco no trabalho nas duas horas que se seguiram, mas a universitária tomou conta de meus pensamentos. Algumas vezes cheguei a ler três vezes o mesmo parágrafo para conseguir compreender o texto, de tanto que estava disperso após lembrar dela.

Fiquei concentrado em um processo até que o Romeo entrou na minha sala.

- Não te ensinaram a bater antes de entrar? - resmunguei.

Romeo deu de ombros.

- Semana que vem vai ter um leilão, vamos?

- Não, tenho outros planos.

- Qual?

Nesse momento, Martha bateu na porta e assim que a abriu, me avisou que a senhorita West me aguardava.

Um sorriso surge nos meus lábios.

- É sério? - Romeo perguntou. - Vai sair com uma ragazza?

- É uma entrevista. Preciso de uma secretária, não é mesmo?!

- Até que enfim. Martha anda meio irritada e aquela mulher de mau-humor é um saco. - Bufou - Ontem pedi para ela pedir meu almoço e ela perguntou se meu celular estava carregado. - Não aguentei ver a cara de derrota de Romeo e gargalhei.

- Ela é a secretária responsável por assuntos da empresa, não particulares.

- A Anna pedia.

- Porque ela tinha uma quedinha por você.

- Ela é casada, Matteo.

- Sinônimo de casada não é morta. - Levantei, indo até meu primo, que fez o mesmo que eu e envolvi seu pescoço com meu braço - Agora, se você me dá licença, preciso entrevistar uma nova secretária.

- É solteira? Porque espero que seja gostosa.

Meu maxilar travou na mesma hora. Porra ele é seu professor, será que já aconteceu algumas coisas entre eles? Não. Romeo é muito sério com sua mentoria, ele jamais se envolveria com uma aluna.

- Cai fora! - O empurrei pela porta, fechando logo em seguida, escutando seus xingamentos abafados do outro lado.

***

Romeo me encarou e riu quando Maria saiu da minha sala.

- Você está interessado na minha aluna? - questionou.

- Não, ela não faz o meu tipo - menti.

- Ah! Matteo! Conta outra - debochou.

- Não seja idiota, Romeo - bufei, esfregando os olhos como desculpa para tentar disfarçar minha irritação por ele conseguir me enxergar tão bem. - Avaliei todas as candidatas, tá bem? Ela parece ser a mais apropriada nesse momento.

- Espero realmente que seja isso, porque Maria é uma aluna exemplar.

- Quando foi que eu envolvi prazer com trabalho, Romeo?

- Preciso listar a quantidade de idas aos puteiros da famiglia?

Dispensei ele com uma mão e me levantei, apoiando as mãos em minha cintura.

- Que boceta é essa sua com ela, que dá abracinhos e a chama pelo primeiro nome? Sei que somos italianos e nosso costume é mais "liberal" - Fiz aspas com os dedos, enquanto me apoio em minha mesa - , mas para os americanos isso é questão de ter bastante intimidade.

- Sou tutor de Maria a dois anos...

- E por que não a incorporou entre os estagiários na última chamada? Ela foi a única aluna a gabaritar sua prova. E até eu tive que pensar bastante tempo para resolver aquela simulação de caso.

Romeo abriu a boca para me responder, mas fomos interrompidos por três batidas em minha porta e autorizei a entrada.

- Desculpa interromper vocês, mas chegou essa encomenda para o Senhor Matteo.

Martha me passou uma pequena caixa, um pouco maior que um palmo.

- Quem me enviou?

- Não sei, Senhor, mas passamos pela inspeção antes de trazê-la para cá.

- E o que há dentro?

- Eu não sei dizer, mas depois da inspeção, Richard - o responsável pela segurança do prédio - , não quis me dizer o que tinha dentro, que era melhor o senhor descobrir por si só.

- Ok. Obrigado, Martha.

Depositei o objeto sob a mesa e dei a volta pra sentar na minha cadeira, mas antes que eu pudesse puxar o embrulho para mim, Romeo já o abriu.

- Che Cazzo è questo? - Se exaltou e colocou uma das mãos na boca, com os olhos levemente arregalados.

- O que foi?

- Parece que a Lisa vai se casar! - Meu queixo deve ter caído no chão e Romeo riu da minha cara,

Recolhi o embrulho, tirando dele o convite para o jantar de noivado em nome da Lisa e Noah. Porra. Ela não pode fazer isso.

Olhei mais uma vez o embrulho e retirei de dentro o Rolex e vi um bilhete escrito a mão cair sobre a mesa. Romeo se inclinou para frente, como bom fofoqueiro que é e lancei um olhar de advertência. Ele, sem falar nada, levantou as mãos em rendição, sacando do bolso do casaco o celular.

Reconheci os traçados da escrita da Lisa, em italiano:

"Olá, mio caro, você deve ter levado um susto agora. E sinto muito por isso. Na verdade, não sinto. Você deveria estar aqui, Matteo.

Mas a vida é como os ponteiros desse relógio. Para você o tempo parou, mas para mim não. Por isso, não posso mais esperar você.

Com amor, Lisa."

Romeo jogou-se na poltrona à minha frente.

- Merda! - Joguei o envelope em cima da mesa.

- O quê? Não vai dizer que você pretende reconquistá-la?

- Se eu não conseguir um casamento por contrato, ela seria minha primeira opção, por mais que ela seja vazia e eu não tenha sentimentos - afirmei.

- Matteo, vamos ao club, lá você consegue um contrato e a arrematada pode ser exclusiva por um período de um ano.

- Você acha que uma desconhecida vai querer me dar um herdeiro? - Massageei as têmporas.

- Com um bom acordo, quem não?

- Vou reconquistar a Lisa, ela é fácil de manusear.

- Tudo bem! Você é quem sabe. - Romeo deu de ombros.

O fato de usar a Lisa apenas como uma foda me fez perdê-la, talvez o meu pai tivesse razão e ela seja a opção perfeita, mas o fato dela ser vazia me incomoda.

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