Gênero Ranking
Baixar App HOT
Bilionários Proibidos: Quando o Poder Deseja
img img Bilionários Proibidos: Quando o Poder Deseja img Capítulo 4 O Cerco Invisível
4 Capítulo
Capítulo 6 Resistência nas Sombras img
Capítulo 7 As Grades de Ouro img
Capítulo 8 Diplomacia sob Pressão img
Capítulo 9 O Banquete do Poder img
Capítulo 10 O Limite do Desejo img
Capítulo 11 Rachaduras na Armadura img
Capítulo 12 Verdades Escondidas img
Capítulo 13 O Código da Discórdia img
img
  /  1
img

Capítulo 4 O Cerco Invisível

Caio Moretti não era um homem de explosões temperamentais; ele era um homem de algoritmos e asfixia. No dia seguinte à reunião no Jockey Club, o escritório da Moretti Capital tornou-se o centro de comando de uma operação que não visava o lucro, mas o isolamento. Caio sentou-se diante de suas telas, observando o mapa de conexões da DuarteTech como um general observa os suprimentos de uma cidade sitiada.

Ele sabia que para derrubar Helena, não precisava de um ataque frontal - que ela já provara ser capaz de repelir com sua retórica de integridade -, mas de um cerco invisível que retirasse o oxigênio financeiro de sua operação.

O primeiro movimento foi silencioso. Caio fez três telefonemas para os diretores comerciais dos maiores provedores de infraestrutura de nuvem do país. Não houve ameaças explícitas, apenas lembretes cordiais sobre o volume de negócios que a Moretti Capital pretendia trazer para essas empresas no próximo trimestre sob a condição de uma exclusividade técnica que, por puro "acaso", inviabilizaria contratos com empresas do porte e do perfil da DuarteTech. Em poucas horas, as engrenagens começaram a girar contra Helena.

- Senhor Moretti, o conselho da SwiftCloud entrou em contato - informou Marcos, entrando na sala com um tablet em mãos. - Eles informaram que, devido a uma "reestruturação de servidores", a prioridade de banda da DuarteTech será reduzida drasticamente a partir da meia-noite. Alegaram manutenção técnica preventiva indeterminada.

- Ótimo - murmurou Caio, sem tirar os olhos do gráfico de fluxo de caixa da concorrente. - Quando os sistemas dela começarem a apresentar latência, os clientes vão reclamar. A confiança é um vidro fino, Marcos. Uma vez que trinca, o valor despenca.

Caio continuou sua ofensiva movendo peças nos bastidores do setor bancário. Ele sabia que a DuarteTech operava com uma saúde financeira invejável, mas toda empresa de tecnologia de crescimento rápido depende de antecipação de recebíveis para manter o ritmo de inovação. Com um jantar discreto e algumas promessas de gestão de patrimônio para figurões do sistema financeiro, Caio garantiu que as taxas de juros para qualquer nova linha de crédito solicitada pela empresa de Helena subissem para patamares proibitivos, enquanto garantias colaterais que antes eram aceitas passassem por uma "reavaliação de risco" súbita e rigorosa.

Ele sentia uma satisfação sombria ao ver o cerco se fechar. Para Caio, aquilo era mais do que negócios; era uma aula de realidade. Ele queria que Helena sentisse o peso do mundo que ela tentava desafiar. Queria que ela percebesse que a independência que tanto prezava era uma ilusão sustentada apenas enquanto ele, e homens como ele, permitissem que o mercado funcionasse de forma orgânica. Ao manipular as variáveis, Caio estava dizendo a Helena que a dignidade dela não pagaria a conta de luz, nem manteria os servidores refrigerados.

No final da tarde, Caio recebeu um relatório de sua equipe de inteligência de mercado. A DuarteTech estava enfrentando as primeiras baixas. Dois fornecedores de componentes críticos para os novos dispositivos de segurança de Helena haviam cancelado pedidos, alegando falta de estoque repentina, quando na verdade haviam sido subornados com contratos de exclusividade muito mais lucrativos assinados com subsidiárias do Grupo Moretti.

- Ela vai sentir a pressão nas próximas quarenta e oito horas - previu Caio, recostando-se na sua cadeira de couro. - O sistema financeiro vai apertar o cerco, os fornecedores vão sumir e os clientes vão começar a ver os primeiros erros de processamento. A integridade de Helena Duarte está prestes a encontrar seu ponto de ebulição.

Mas por trás da frieza estratégica, havia uma inquietação que Caio não conseguia domar. Ele se pegava revendo a gravação da recusa de Helena, analisando cada detalhe do rosto dela. A forma como ela não piscou quando ele ofereceu a fortuna. Ele se perguntava se ela já teria percebido o que estava acontecendo. Se ela estaria, naquele momento, sentada em sua sala minimalista, vendo os indicadores de sua empresa ficarem vermelhos um a um. Ele esperava uma ligação desesperada, um e-mail solicitando uma audiência privada para "renegociar os termos". Mas o telefone permanecia mudo.

A ausência de reação imediata de Helena o irritava e, simultaneamente, o excitava. Ele estava acostumado a adversários que clamavam por trégua ao primeiro sinal de tempestade. Helena, ao contrário, parecia estar se trancando dentro de sua própria fortaleza silenciosa. Caio decidiu aumentar a aposta. Ele instruiu seu departamento jurídico a iniciar uma série de questionamentos sobre patentes da DuarteTech, movendo processos judiciais genéricos, porém onerosos, que teriam como único objetivo drenar os recursos de tempo e dinheiro do departamento jurídico de Helena.

- Vamos ver quanto tempo a ética dela dura contra um exército de advogados e um caixa que está sendo drenado por todos os lados - sussurrou Caio para o vidro da janela, enquanto as luzes de São Paulo começavam a brilhar lá embaixo.

O cerco invisível estava completo. Financeiro, técnico e jurídico. Helena Duarte estava agora em uma ilha que diminuía a cada minuto. Caio sentia o poder fluir de volta para suas mãos, a sensação de controle restaurada. Ele acreditava verdadeiramente que estava fazendo um favor a ela, destruindo sua resistência para que ela pudesse finalmente aceitar a salvação que ele oferecia. Ele não via isso como crueldade, mas como a ordem natural das coisas: o mais forte consome o mais resiliente até que a resiliência se torne rendição.

Entretanto, enquanto se preparava para sair, Caio sentiu uma estranha pressão no peito. Não era remorso - ele não se dava ao luxo de tal sentimento -, mas uma antecipação eletrizante do confronto que ele sabia ser inevitável. Ele havia movido as peças, isolado a rainha e agora esperava o xeque-mate. Mas, no fundo de sua mente, uma voz insistente lembrava que Helena Duarte não jogava pelas regras tradicionais. O cerco invisível era sua obra-prima de manipulação, mas ele começava a suspeitar que, para Helena, as paredes que ele estava construindo poderiam não ser uma prisão, mas apenas mais um detalhe técnico a ser resolvido com a mesma precisão gélida com que ela o humilhara publicamente. O silêncio dela não era submissão; era o som da tempestade ganhando força antes de atingir o topo da sua torre de cristal.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022