FLASHBACK
_Maria Alessandra, vá se aprontar, já são oito da manhã!_gritou minha mãe, terminando de preparar o café, o cheiro forte já pairava pela casa e eu calcei meus tênis, enquanto meu pai assistia o jornal.
_Papai, você irá até lá me ver?_perguntei, ansiosa.Afinal, era a minha primeira apresentação no colégio aquele ano e eu tinha ensaiado muito a música de natal que iríamos cantar.
_Como eu poderia perder? Você só fala nisso, Maria, estou tão ansioso quanto você!_ele respondeu me dando um abraço apertado e me fazendo cócegas, antes da minha mãe entrar na sala e me apressar, para não perder o ônibus que passava todos os dias as 8:30.
Eu tinha onze anos de idade e minhas melhores companhias eram meus pais e minhas bonecas, quando não estava na escola, estudando, estava em casa, vendo desenhos e brincando com o meu pai, ele era um homem extraordinário que procurava de todas as formas nos ver bem sempre.
_Tchau minha filha, daqui a pouco estarei lá, eu prometo!_ele disse antes que eu entrasse no ônibus, foi a última vez que o vi.
Quando chegou o momento da apresentação e eu não o vi, não entendi e com a minha inocência infantil, achei que ele talvez pudesse estar chegando ou que tivesse tido algum problema até perceber que ele realmente não iria e ser chamada pela diretora logo após a apresentação.
_Maria, você irá precisar ficar mais um tempinho, sua mãe irá se atrasar um pouco para lhe buscar, houve um problema._ela disse, alisando minhas mãos.
_Que problema?E por quê minha mãe vai vir me buscar e não o meu pai?_perguntei, confusa.
_Eu acho melhor a sua mãe lhe contar, querida.
_Eu quero saber, Cordélia, o que aconteceu?_perguntei novamente, esperando que ela falasse.
_Maria, infelizmente aconteceu uma fatalidade._ela deu uma pausa e respirou fundo._O seu pai foi assassinado quando estava a caminho da sua apresentação.
Tudo ficou cinza naquele momento, as lágrimas saíram dos meus olhos instantâneamente, eu nunca tinha sentido aquilo antes, um vazio, como se tivesse levado um soco no meio do estômago.Cordélia não sabia se me abraçava ou se continuava afastada, não a julgava até porque eu era apenas uma criança e na cabeça dela já devia estar arrependida por ter carregado o fardo de ter me dado a notícia.
Posso dizer que aquele foi o pior dia da minha vida, Cordélia me levou para sua casa e passei uns dias lá com a autorização de minha mãe, enquanto ela resolvia as coisas do enterro e tudo mais.Enterro esse que eu não fui, não porquê não haviam deixado, mas sim porque eu não conseguiria ver meu pai naquela situação, era impossível para mim.
_Vai ficar tudo bem, Maria Alessandra, agora seremos você e eu._disse minha mãe naquele dia e eu prometi a mim mesma que cuidaria dela e que um dia, iria descobrir a razão pela qual levaram a pessoa que eu mais amava na vida.
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