Depois de rabiscar a assinatura na parte inferior do contrato de divórcio, Natalie, sem sequer lançar um segundo olhar a Lucas acomodado no sofá, levantou-se e subiu as escadas às pressas em direção ao quarto.
Só quando ela ficou fora de vista dele que se encostou com fraqueza na porta fechada, seu corpo e espírito completamente esgotados.
Com tudo desmonorando assim, ela não sabia mais em quem colocar a culpa. Na verdade, talvez não houvesse ninguém para culpar, pois o amor não podia ser moldado à vontade de ninguém.
Dando um suspiro trêmulo, Natalie abriu o armário em silêncio e começou a colocar suas roupas dentro de uma mala.
Relembrando como seu casamento com Lucas começou por causa de uma gravidez inesperada, ela viu que, depois que o filho nasceu, dedicou todo o seu tempo à casa, negligenciando a própria aparência.
Quando ia às compras, ela só comprava roupas simples para facilitar o trabalho de cozinhar, limpar e cuidar de Lucas e Colin.
Três anos se passaram nessa casa, mas cada vestígio da sua vida cabia numa pequena mala.
Puxando a bagagem até a porta, Natalie percorreu com os olhos o quarto que fora seu por três anos, afastou o lampejo de hesitação que surgiu e saiu.
Lá embaixo, ela encontrou Lucas e tirou a aliança do dedo bem na frente dele.
"Tome", disse ela, oferecendo o anel na palma da sua mão.
Lucas olhou para a mão dela, com sua atenção voltada para a marca pálida deixada pela aliança, fazendo com que seus olhos se estreitassem ligeiramente.
Ela havia perdido peso só para que o anel coubesse, e não o tirou nem uma vez nesses três anos.
Vendo como ela entregava a joia tão facilmente despertou um sentimento em Lucas que ele não conseguia identificar.
Tentando esconder qualquer reação, ele desviou o olhar para a mala dela, e uma ruga se formou entre suas sobrancelhas. "Não precisa ir embora agora."
"Como assim?" Natalie franziu a testa para ele, com uma faísca de esperança surgindo antes que ela pudesse contê-la.
No entanto, essa esperança foi destruída no instante quando Lucas continuou: "O divórcio levará cerca de um mês para ser finalizado. Você terá tempo para encontrar outro lugar e se mudar quando estiver pronta."
Essas palavras geladas arrancaram-lhe um sorriso frágil e, balançando a cabeça, ela rejeitou a sugestão dele sem hesitar, com voz firme e inabalável. "Não faz sentido prolongar isso. Vamos manter as coisas simples e diretas."
Porque dessa forma, não haveria falsas esperanças.
Lucas cerrou os lábios, hesitando antes de desviar o olhar. "Como quiser."
"Vou ver como nosso filho está", disse ela.
Natalie mal havia se virado para ir quando a voz de Lucas ecoou no ar, monótona e insensível. "A saúde da minha avó foi abalada nos últimos meses. Ela não vai reagir bem a esse tipo de notícia. Não conte a ninguém sobre o divórcio."
À menção de Martha Thorpe, Natalie relembrou o sorriso gentil e as palavras calorosas da idosa.
De todos os Thorpes, Martha era a única que demonstrava bondade com ela, chegando até a repreender Lucas mais de uma vez por não tratá-la com carinho.
Por isso, Natalie não pretendia deixar que a notícia chegasse até a senhora, independentemente de Lucas avisá-la ou não.
"Não direi uma palavra."
Essa prontidão pegou Lucas de surpresa, pois ele esperava que ela usasse o afeto de Martha como uma arma e tentasse lutar pelo seu lugar na família.
Por um longo momento, os olhos dele permaneceram no rosto de Natalie, sombrios e indecifráveis, como se ele a estivesse vendo de uma forma diferente pela primeira vez.
"Teremos que continuar fingindo que ainda somos casados na frente dela."
"Isso não será um problema", disse Natalie com um rápido aceno de cabeça. "Só vou ver se Cole está dormindo."
Mesmo ciente de que as chances lhe eram desfavoráveis, não conseguia desistir de ficar com Colin: caso seu filho expressasse o desejo de viver ao lado dela, Lucas talvez reconsiderasse a disputa pela guarda.
Natalie foi até o quarto de Colin e bateu suavemente na porta. "Cole, ainda está acordado? Posso entrar?"
Não houve resposta, e seus ombros caíram, supondo que ele já tivesse adormecido.
No entanto, uma voz alegre e animada surgiu da porta.
"Eliana, você tem que vir amanhã cedo! Quero te dar um bolo de mirtilo, seu favorito!"
O tom terno e persuasivo de Colin ecoou pela fresta, fazendo o peito de Natalie se apertar.
Ele já usou essa mesma voz carinhosa só para ela. Mas, em algum momento, as coisas mudaram, e agora ele mal falava com ela sem um tom distante.
As mãos de Natalie se fecharam, depois se soltaram lentamente, como se ela estivesse se forçando a criar coragem antes de entrar.
"Cole, preciso falar com você sobre algo importante..."
Num piscar de olhos, o celular foi desligado, e Cole fuzilou a mãe com o olhar.
"Mãe, não sabe que é falta de educação entrar assim?" A irritação ecoava na sua voz, não deixando dúvidas sobre o que ele sentia.
Natalie sentiu como se as palavras do filho a tivessem cortado, afiadas e impiedosas. Então hesitou, mas depois forçou um sorriso pequeno e desconfortável.
"Desculpe por ter entrado, mas preciso te perguntar uma coisa, Cole. Você ao menos consideraria..."
"Não!", Colin interrompeu antes que ela pudesse terminar, sua voz cheia de irritação. "Por que você não pode ser mais como Eliana? Você é uma inútil. Tudo o que faz é gastar o dinheiro do papai e atrapalhar. Fico envergonhado só de dizer a alguém que você é minha mãe. Seria tão bom se Eliana fosse minha mãe!"
Paralisada, Natalie ficou sem reação ao sentir a acidez e a crueldade na voz do filho.
Ela abriu a boca para responder, mas desistiu ao vê-lo grudado novamente no celular, ignorando-a completamente.
O nome Eliana iluminava a tela, com as mensagens piscando de um lado para o outro, e Natalie sentiu seu peito se esvaziar de desespero.
Lançando um último olhar para o filho, ela saiu silenciosamente do quarto.
Bastaram alguns minutos para ela pegar suas coisas, pedir um carro e sair, sem nem olhar para Lucas.
Lucas estava sentado no sofá, a observando até ela desaparecer, com uma estranha irritação o consumindo agora que ela havia partido sem hesitar.
Natalie foi direto ao apartamento modesto que, comprado por impulso dois anos antes, fora refúgio contra as brigas com Lucas e agora lhe servia de único abrigo.
O cansaço pesava sobre ela, que não tinha mais forças para pensar.
Após tomar um banho rápido, ela desabou na cama.
...
Na manhã seguinte, Natalie chamou um carro de aplicativo para ir ao Grupo Thorpe, determinada a entregar sua carta de demissão.
Originalmente, ela havia entrado na empresa apenas para ficar perto de Lucas, mas o divórcio eliminou esse motivo.
"Seria possível processar minha demissão hoje?", Natalie perguntou a Jeffrey Tucker, assistente de Lucas.
Uma gota de suor escorria pela testa de Jeffrey, que hesitou antes de responder: "Vou verificar com o senhor Thorpe. Por favor, me dê um momento."
Como Jeffrey era um dos poucos na empresa que sabia do seu casamento com Lucas, Natalie pôde entender por que ele parecia tão apreensivo.
Após um momento de pausa, ela perguntou: "É realmente necessário envolvê-lo?"
A incerteza de Jeffrey se mostrou em seu rosto. "Foi o senhor Thorpe quem autorizou sua contratação na época..."
Não querendo complicar as coisas, Natalie assentiu com a cabeça. "Obrigada pela ajuda."
De volta à sua mesa, ela pensou em dar uma passada rápida na cafeteria, mas o som das portas do elevador chamou sua atenção.
Lucas saiu da cabeça aos pés feito executivo poderoso, terno sob medida impecável, mas a expressão severa suavizou-se quando encarou a mulher ao seu lado, o frio habitual nos seus olhos se dissipando.
Por um instante, Natalie ficou sem ar, não esperando encontrar essa mulher.