Eliana - a mulher que Lucas nunca esqueceu.
Por que ela surgiu junto com ele na empresa?
O primeiro instinto de Natalie foi escapar sem ser notada, mas antes que ela pudesse dar um passo, o olhar de Lucas a encontrou.
Vê-la se esforçando tanto para evitá-lo o deixou desconcertado, e a pergunta escapou de seus lábios antes que ele pudesse se conter: "O que está fazendo aqui?"
Pega desprevenida, Natalie ficou paralisada antes de encará-lo com relutância.
A expressão de Lucas se fechou, e seus olhos se cerraram como se a acusasse silenciosamente de algo.
Ao vê-lo assim, ela quase riu. Ele realmente achava que ela se rebaixaria tanto a ponto de segui-lo por aí? Que tipo de mulher ele imaginava que ela era?
Natalie soltou uma risada gélida antes de responder: "Porque ainda sou funcionária desta empresa."
Ao ver Natalie, o sorriso de Eliana fraquejou por um instante. Rapidamente recuperando a compostura, ela lançou um sorriso treinado e disse: "Luke, você e Natalie precisam conversar. Então vou para o escritório sozinha."
Lucas segurou o pulso dela antes que ela pudesse dar um passo. "Não precisa. Agora você é minha consultora especial."
Consultora especial?
Essas palavras atingiram Natalie em cheio, a fazendo ser invadida por uma profunda decepção.
Ah, então era por isso que Lucas havia descumprido sua promessa.
Certa vez, ele prometeu que se ela conseguisse o projeto do subúrbio ocidental, seria promovida a consultora.
Para conquistar esse cargo, ela perdera noites inteiras pesquisando e engolira incontáveis bebidas para fechar o projeto.
Mas quando enfim deu a boa notícia, Lucas mal ergueu os olhos antes de dizer que a vaga já fora entregue a outra pessoa.
Embora a decepção tivesse a atingido na época, Natalie se convenceu de que ele estava simplesmente colocando os interesses da empresa em primeiro lugar. Foi só agora que ela percebeu o quão tola havia sido desde o início. Estava mais do que claro o quanto Eliana era importante para Lucas, a ponto de ele quebrar suas próprias regras.
Parada de lado e vendo o quanto os dois se encaixavam bem, Natalie não pôde deixar de pensar que havia vivido numa fantasia por todos esses anos.
Ela estava prestes a contar a Lucas sobre sua decisão de se demitir, mas antes que pudesse falar, ele a cortou, com impaciência: "Você já assinou o acordo de divórcio. Não há como desfazer isso."
Com desaprovação, ele a encarou, certo de que ela estava em dúvida e viera apenas para causar mais confusão.
Ele até acreditava que ela finalmente havia mudado, mas ficou evidente que isso era apenas mais um dos seus truques, percepção que só fez aumentar seu desprezo e desconsideração por ela.
Com a mão cerrada junto ao corpo, Natalie encarou o semblante frio de Lucas, alternando o olhar entre ele e Eliana ao responder: "Fique tranquilo, não vou atrapalhar você e a senhorita Wheeler."
Ao ouvir o nome de Eliana, os olhos de Lucas se tornaram frios, sua voz ríspida. "Que absurdo é esse?"
"Não há nada entre Luke e eu. Você está entendendo tudo errado", disse Eliana num tom suave e inocente.
Se Natalie não estivesse no meio de toda essa situação, talvez até tivesse acreditado na atuação meiga de Eliana.
Lucas se colocou na frente de Eliana, encarando Natalie como se ela não passasse de uma inimiga. "Não adianta se explicar, Eliana. Quem vive de intrigas sempre pensa o pior."
Apesar de não sentir nada além de decepção por Lucas, presenciar essa cena ainda deixou Natalie magoada: ele era tão atencioso com outra mulher, mas como sua própria esposa, nem sequer merecia uma explicação dele?
Que piada cruel a vida podia ser...
"Saia do caminho! Eliana e eu temos coisas para fazer, ao contrário de você, que passa o tempo alimentando velhos rancores." No fim das contas, Lucas duvidava que Natalie tivesse algo de útil a dizer.
Diante dessa indiferença, Natalie respirou fundo, e a calma que ela mantinha se transformou em algo muito mais tempestuoso.
Sem mover um músculo, ela se manteve firme, o que só fez Lucas ficar ainda mais impaciente.
Antes que ele pudesse repreendê-la, Jeffrey se aproximou.
Ao ver Natalie parada diante de Lucas e Eliana, ele parou, com a surpresa estampada no rosto por um instante antes de voltar ao seu profissionalismo habitual.
"Senhora, já falou com o senhor Thorpe sobre a demissão?"
Com uma carta de demissão recém-impressa, ele entregou o documento a Lucas.
"Demissão?"
Por um momento, a incerteza tomou conta do rosto de Lucas enquanto ele olhava para Natalie, claramente não esperando que ela fosse tão longe.
A ideia de que ela usaria sua demissão para impedir o divórcio passou pela sua mente. "Então, o que está tramando agora? Pretende sair e depois correr para minha avó para pedir compaixão?"
Lucas a observou de olhos cerrados, procurando por alguma intenção oculta.
Se ela perdesse o emprego, ele duvidava que ela conseguiria se sustentar.
"Não me rebaixo ao nível que você imagina", respondeu Natalie, olhando nos olhos dele, suas palavras firmes e desprovidas de qualquer traço da sua antiga deferência.
Lucas se sentiu ofendido com a resposta dela, e a irritação surgiu sem motivo aparente. "É melhor manter sua decisão."
Pegando a caneta de Jeffrey, ele assinou o documento, sem qualquer hesitação. "Só não volte rastejando."
"Não precisa se preocupar com isso." Natalie pegou o documento da mão dele antes de se virar e sair, com seus passos leves, como se não carregasse o peso dos anos que passou ali.
Lucas estreitou os olhos e ficou observando-a sair.
Essa Natalie não era nada parecida com a mulher que havia sido antes da noite passada. No passado, ela poderia ter implorado por outra chance, mas agora, ela partia sem olhar para trás.
"Luke, você está bem?", Eliana perguntou preocupada ao ver a expressão sombria dele.
A pergunta gentil tirou Lucas da névoa na sua cabeça, o trazendo de volta ao presente.
Tudo sobre Natalie já deveria estar enterrado no passado: os laços estavam cortados e os problemas dela não o alcançavam mais.
...
Enquanto isso, Natalie saiu do prédio da empresa, sentindo como se um peso tivesse sido finalmente retirado dos seus ombros. A luz do sol a iluminava, brilhante e quente, afastando as sombras que a atormentavam.
Respirando fundo, ela prometeu a si mesma que nunca mais deixaria ninguém a diminuir. Houve um tempo em que ela amou tão profundamente que perdeu de vista seu próprio valor, mas isso não aconteceria mais.
Nesse momento o celular de Natalie vibrou, arrancando-a dos pensamentos.
O nome na tela fez-lhe o coração disparar - Ruby White, a melhor amiga e colega de quarto dos tempos de escola que, depois que ela se casou com Lucas, só lhe dava notícias em feriados.
Engolindo o nervosismo, Natalie atendeu e ouviu a voz familiar do outro lado da linha: "Natty, estou com problemas! Preciso da sua ajuda agora mesmo!"
A voz em pânico de Ruby fez as sobrancelhas de Natalie se franzirem, e a preocupação estampou seus olhos. "O que aconteceu?"
"Aceitei um trabalho de restauração de uma pintura de Jonathan Moss, mas o dano é pior do que eu pensava. Ninguém no estúdio - ou em qualquer outro lugar que eu tenha perguntado - consegue consertá-lo. Não seria tão terrível se fosse qualquer outro cliente, mas os negócios desse cara estão ligados à minha família, e se eu estragar tudo, meu pai vai perder a cabeça. Ele provavelmente congelará meu cartão de crédito, e todo o meu estúdio poderá afundar."
Ruby parecia estar à beira das lágrimas. "Sei que você parou de trabalhar com restauração depois que se casou, mas estou desesperada. Você é minha última esperança. Pode me ajudar dessa vez?"
O silêncio tomou conta da linha, pois Ruby lembrara-se de que Natalie abandonara sua carreira promissora por Lucas e, com isso, a esperança começou a lhe diminuir.
"Sinto muito. Não deveria te colocar nessa situação. Vou encontrar outra solução...", disse Ruby.
Inesperadamente, Natalie respondeu: "Pode deixar comigo."