Gênero Ranking
Baixar App HOT
A Curandeira Rejeitada: A Ascensão da Loba Branca
img img A Curandeira Rejeitada: A Ascensão da Loba Branca img Capítulo 2
2 Capítulo
Capítulo 5 img
Capítulo 6 img
Capítulo 7 img
Capítulo 8 img
Capítulo 9 img
Capítulo 10 img
img
  /  1
img

Capítulo 2

Ponto de Vista: Aliana

Na manhã seguinte, Ivan chegou em casa cheirando a traição.

Eu estava na cozinha, preparando um café que não pretendia beber. A porta da frente se abriu e ele entrou, impecavelmente arrumado em um terno novo. Mas por baixo da colônia cara, eu podia sentir o cheiro dela. O almíscar de orquídea estava impregnado em sua pele, entrelaçado em cada poro.

"Bom dia, linda", disse Ivan, aproximando-se por trás de mim.

Ele passou os braços pela minha cintura. Minha pele se arrepiou. Parecia que milhares de insetos estavam correndo sobre mim. Minha loba rosnou, um som profundo e gutural que ecoou no meu crânio. *Traidor. Imundo.*

Ele se inclinou para beijar meu pescoço, bem no lugar onde a marca de um companheiro deveria estar.

"Estou com dor de garganta", eu disse, afastando-me bruscamente. "Não quero te deixar doente antes da fusão."

Ivan parou, um lampejo de irritação cruzando seus olhos antes que ele o mascarasse com preocupação. "Você trabalha demais, Ali. Deveria descansar. Assim que nos casarmos, você não precisará mais trabalhar no hospital."

*Porque você planeja me trancar ou me jogar fora*, pensei.

"Talvez", forcei um sorriso. "Vá tomar um banho. Você está com cheiro de... mato."

Assim que a porta do banheiro se fechou e a água começou a correr, eu agi.

Não fui para o quarto. Fui para o escritório dele.

A porta estava trancada com um scanner biométrico. Ivan achava que eu era apenas uma Curandeira simples, uma mulher de coração mole que remendava guerreiros. Ele esqueceu quem cuidou da instalação do sistema de segurança da propriedade.

Peguei meu tablet e o conectei ao sistema de automação da casa. Eu não precisava do dedo dele. Eu tinha os códigos de administrador que ele foi preguiçoso demais para mudar do padrão de fábrica.

"Acesso Concedido", a tela piscou.

A fechadura se abriu com um baque suave.

Entrei e fui direto para o cofre na parede. A senha era fácil - o aniversário dele. Narcisista.

Lá dentro, encontrei o que estava procurando. Uma pilha de registros financeiros.

Folheei-os, meus olhos de cirurgiã escaneando os dados. Transferências mensais de duzentos e cinquenta mil reais para uma empresa de fachada registrada no nome de Kiara. Anotações sobre "Pensão do Filhote".

E então, uma pasta azul.

Eu a abri. Era um relatório de teste de DNA para Leo.

Indivíduo: Leo Matos.

Paternidade: 99,9% de Compatibilidade com Ivan Bittencourt.

Meu coração martelava contra minhas costelas, mas meu cérebro estava frio. Olhei mais de perto os gráficos de dados. Eu lido com genética diariamente. Algo estava errado. Os marcadores de alelos na segunda página não batiam com o resumo da primeira.

O resumo dizia "Compatível". Os dados brutos sugeriam... outra coisa. Inconsistências.

Parecia adulterado. Mas havia outra coisa na pilha. Uma minuta de contrato intitulada "Acordo de Transferência de Patentes".

Li por cima, minha respiração falhando. Não era apenas sobre território. Era sobre o meu trabalho. Minha pesquisa sobre regeneração celular acelerada - valendo bilhões para as empresas farmacêuticas. O contrato estipulava que, após o casamento, toda a minha propriedade intelectual seria transferida exclusivamente para a Alcateia Bittencourt.

"Seu desgraçado ganancioso", sussurrei.

Peguei um pen drive e copiei tudo - as transferências bancárias, os e-mails entre Ivan e meu pai, o relatório de DNA falso e a minuta de roubo de patentes.

De repente, a câmera escondida no canto da sala zumbiu.

Uma dor aguda perfurou minha têmpora. Uma Conexão Mental.

Não era Ivan. Era uma voz estranha, invasiva, deslizando para dentro da minha cabeça como óleo.

*Achou o que estava procurando, vira-lata?*

Kiara.

Ela não era da minha alcateia. Ela não deveria ser capaz de se conectar mentalmente comigo. Devia estar usando um totem de bruxa.

*Fique fora da minha cabeça*, projetei de volta, protegendo minha mente.

*Eu só queria te mostrar uma coisa*, a voz dela riu.

Meu celular vibrou. Uma mensagem com foto.

Era uma selfie. Kiara, vestindo nada além de um lençol de seda, e em seu pescoço havia um colar. Um pesado pingente de prata com uma pedra da lua azul.

O Colar da Matriarca Queiroz. O colar da minha avó. Aquele que minha mãe jurou que estava sendo polido na joalheria para o meu dia de casamento.

*Fica melhor em mim, não acha?*, a voz de Kiara ecoou em minha mente. *Sua mãe me deu ontem. Ela disse que combina com uma verdadeira Luna.*

Eu encarei a tela. A dor que ameaçava me afogar evaporou. Em seu lugar, um fogo se acendeu. Uma fúria branca, ofuscante.

Eles me despiram da minha dignidade. Eles zombaram do meu amor. Eles roubaram meu direito de nascença.

Olhei para o meu reflexo no monitor escuro do computador. Meus olhos, geralmente de um tom avelã quente, brilhavam com uma luz pálida e prateada.

Minha loba interior se levantou, sacudindo as correntes de submissão que eu havia colocado nela por anos para me encaixar nesta família "civilizada".

*Chega*, ela rosnou. *Nós caçamos.*

Retirei o pen drive, limpei minhas impressões digitais do cofre e saí.

Anterior
            
Próximo
            
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022