Gênero Ranking
Baixar App HOT
A Ex Dele, Minha Cama: A Traição Suprema
img img A Ex Dele, Minha Cama: A Traição Suprema img Capítulo 3
3 Capítulo
Capítulo 4 img
Capítulo 5 img
Capítulo 6 img
Capítulo 7 img
Capítulo 8 img
Capítulo 9 img
img
  /  1
img

Capítulo 3

As luzes da cidade se borraram enquanto meu motorista navegava pelas ruas movimentadas. Naquela noite, eu estava retomando minha vida, uma mordida requintada de cada vez. Jantei sozinha no Fasano, pedindo o champanhe mais caro e um menu degustação que desafiava a descrição. Cada prato delicado, cada gole de espumante, tinha gosto de liberdade. Não havia necessidade de me preocupar com os olhares de desaprovação de Ricardo para a conta, nem de fingir gostar da comida sem graça de Cecília, nem de ouvir o drama interminável de Juliana. Apenas eu. E o mundo, servido como um banquete.

Já passava da meia-noite quando voltei para casa. A casa era um monólito escuro e silencioso. Nenhuma luz acesa, ninguém esperando. Nenhuma alma parecia notar ou se importar com a minha ausência. O frio familiar da negligência se instalou em meus ossos, mas naquela noite, não doeu. Apenas reforçou a verdade. Entrei, fechando a porta suavemente. Meus passos ecoaram nos pisos de mármore enquanto eu me dirigia ao quarto principal, o santuário que um dia pareceu nosso.

Um cheiro estranho e enjoativo pairava no ar, uma mistura do perfume de Ricardo e do perfume floral característico de Amanda. Era um fedor de invasão, agarrado aos meus lençóis, meus travesseiros, meu espaço. Uma onda de náusea me atingiu, quente e fria ao mesmo tempo. Eles estiveram na minha cama. Na nossa cama.

Meu território. Invadido. Profanado.

Caminhei para o meu lado da cama e me sentei. O colchão afundou, e um grito agudo e penetrante rasgou o silêncio.

"AHHHHHHH!"

Acendi o abajur da cabeceira. Amanda Campos estava esparramada do meu lado da cama, seu rosto contorcido em uma máscara de terror, agarrando um travesseiro de seda contra o peito. Seus olhos, arregalados e em pânico, saltavam de mim para o espaço vazio ao lado dela, onde Ricardo claramente estivera dormindo.

Um rugido primitivo irrompeu de algum lugar profundo dentro de mim. Não foi um pensamento; foi puro instinto, sem adulteração. Minha mão disparou, agarrando o braço de Amanda. Eu a puxei, com força, fazendo-a rolar para fora da cama com um baque surdo.

"Ai! Minha cabeça!", ela lamentou, lágrimas escorrendo instantaneamente por seu rosto. Ela era uma mestra em se fazer de vítima.

Ricardo, acordado pelo grito dela, sentou-se com um suspiro, os olhos arregalados. "Helena! Que porra é essa?" Ele saiu da cama, instintivamente protegendo Amanda, colocando seu corpo entre nós. "Amanda, querida, você está bem?"

"Ela... ela me atacou!", Amanda soluçou, apontando um dedo trêmulo para mim.

"Ela estava só... dormindo aqui, Helena! Foi um acidente!", Ricardo insistiu, sua voz carregada de uma urgência em pânico que gritava mentiras. Suas pupilas dilataram ligeiramente, um sinal revelador que eu reconhecia de anos observando-o. Ele estava mentindo.

"Dormindo?" Minha voz estava calma, calma demais. "Na minha cama? Esperando eu chegar em casa? Ou esperando você voltar de onde quer que tenha corrido quando me ouviu entrar?"

Seu rosto ficou vermelho. "Não seja ridícula, Helena! Ela só capotou. Estávamos conversando. Eu, uh, eu estava no sofá."

"No sofá", repeti, meus olhos varrendo os lençóis amassados, as duas marcas distintas. "Certo." Meu olho de cirurgiã notou a falta de qualquer intimidade física óbvia entre eles, mas a violação era clara. Ela estava na minha cama. No meu espaço.

"SAIA", ordenei a Amanda, minha voz agora um rosnado baixo. "Saia do meu quarto. Agora."

Amanda choramingou, agarrando-se a Ricardo. "Mas, Ricardo, para onde eu vou?" Ela olhou para ele com olhos de cachorrinho pidão, cheios de falsa vulnerabilidade.

Ricardo me fuzilou com o olhar, sua proteção por Amanda superando qualquer senso de propriedade. "Helena, você não pode simplesmente expulsá-la! Ela não tem para onde ir!"

Eu os observei irem, Amanda agarrada a Ricardo como uma tábua de salvação, seus soluços ecoando dramaticamente pelo corredor. No momento em que a porta se fechou, eu me movi. Tirei tudo da cama – lençóis, fronhas, edredom. Joguei tudo em um saco de lixo resistente. Então abri todas as janelas, mesmo sendo uma noite fria. Acendi um palo santo, deixando a fumaça purificadora se espalhar por todos os cantos do quarto, banindo o cheiro persistente de seu perfume barato. Borrifei um limpador antibacteriano potente em todas as superfícies, esfregando com energia furiosa até meus braços doerem. Isso não era apenas limpeza; era um exorcismo.

Momentos depois, Ricardo estava esmurrando a porta trancada do quarto. "Helena! Me deixa entrar! O que você está fazendo? Consigo ouvir você borrifando coisas!"

"Me livrando do fedor da traição, Ricardo", gritei de volta, minha voz monótona. "Não se preocupe, não vou contaminar sua preciosa Amanda com meu 'ciúme' por mais tempo."

"Não há nada para ter ciúmes! Não estamos fazendo nada!", ele protestou, sua voz tensa.

"Tem certeza disso, Ricardo? Porque sua família parece achar que a Amanda é simplesmente perfeita para você. E se for esse o caso, então talvez vocês dois devam ficar juntos, permanentemente."

Então a voz de Amanda, estridente e insistente, juntou-se do corredor. "Helena, por favor! Não faça uma cena! Deveríamos estar comemorando!"

"Ciúme é uma emoção tão feia, Helena!", Ricardo gritou, sua voz carregada de nojo.

A voz de Cecília, aguda e fria, cortou o barulho. "Helena, pare com essa bobagem! Você está nos envergonhando!"

"Sim, você deveria ter vergonha de si mesma!", Heitor latiu, sua voz cheia de uma falsa autoridade patriarcal que sempre me irritou.

Juliana riu de algum lugar ao fundo. "Parece que alguém está perdendo o filhinho da mamãe, hein?"

Amanda, espiando por cima do ombro de Ricardo, sorriu. Seus olhos, cheios de triunfo, encontraram os meus pela fresta da porta.

Ricardo de repente esmurrou a porta novamente. "Helena, abra esta porta! Agora! Temos que arrumar as malas para Noronha! A bagagem dos meus pais é pesada. A Amanda tem três malas. As malas de mão da Juliana são enormes. Você vai me ajudar a carregá-las para o carro de manhã!"

Então Cecília interveio, sua voz irritantemente doce: "Sim, Helena, querida. Todas elas. Estamos contando com você."

Eu sorri. Um sorriso lento e arrepiante que não alcançou meus olhos. "Claro, Cecília. Todas elas."

"Bom", Ricardo resmungou, o alívio evidente em sua voz. "Não se atrase. Saímos às cinco da manhã em ponto."

"Cinco da manhã em ponto", repeti, minha voz tão doce quanto veneno. "Eu não perderia por nada neste mundo."

Anterior
                         
Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022