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Capítulo 5 CAPÍTULO 4

A Lady Melina permaneceu em silêncio por alguns segundos, seu rosto ainda pálido devido à reprimenda que recebera publicamente, como se as palavras de reprovação ainda ressoassem em seus ouvidos.

- A gravidade da situação a envolvia, e a pressão em seu peito aumentava, tornando cada respiração um desafio. Respirando fundo, ela se recompôs, tentando afastar a sensação de constrangimento que a sufocava. Voltou-se para Liara, esforçando-se para esboçar um sorriso, mas a insegurança ainda era visível em seus olhos, como os reflexos de uma tempestade prestes a despencar. - Me desculpe - disse, com a voz contida, hesitante e amarga, como se as palavras fossem uma tentativa desesperada de se redimir. - Eu não sabia que você era convidada dele.

Liara franziu levemente a testa, sentindo a necessidade de corrigir a percepção errônea de Melina. Com naturalidade e um toque de autoridade, corrigiu-a: - Dele, não. - Com um gesto do queixo, indicou o esplêndido salão à sua volta, onde a opulência e a sofisticação se encontravam em cada detalhe. - Eu sou convidada do dono do resort, uma honra que posso não ter merecido, mas ainda assim é um convite. O senhor Likaius apenas pediu que eu me sentasse ao lado dele, e eu, ingenuamente, aceitei, sem imaginar a confusão que isso poderia gerar.

Melina arregalou os olhos, incrédula, como se as peças de um quebra-cabeça que outrora parecia simples agora se encaixassem de uma maneira completamente inesperada. - Mas... - engoliu em seco, o paladar amargo da surpresa a deixando tonta, como alguém que acaba de descobrir que a imagem que tinha de um ídolo era apenas uma projeção de suas expectativas. - Ele é o dono do resort, a mente brilhante por trás de toda essa extravagância, e eu... eu pensei que ele fosse só um simples convidado.

Naquele instante, o mundo de Liara parecia ter parado, suspenso em um estado de incredulidade. Lentamente, ela virou o rosto para Roderick, seus olhos prateados arregalados, transbordando de espanto e, logo após, puro desespero. - Você quer dizer que... - apontou incrédula para ele com um gesto que misturava confusão e desamparo, como se tivesse descoberto que o responsável pelo caos de um incêndio era, na verdade, o bombeiro que deveria apaziguá-lo. - O armário ambulante é o meu chefe? Como é que eu fui tão cega?

Um silêncio absoluto pairou sobre a mesa, como se o tempo tivesse congelado, pressionando cada sentido. O cheiro dos pratos finamente preparados parecia ter desaparecido, e as vozes ao redor tornaram-se meros ecos distantes. - E eu falei tudo isso para o meu chefe... - levou a mão ao peito, sentindo o peso da revelação como se um enorme fardo tivesse sido colocado sobre seus ombros, esmagando suas expectativas e sonhos em mil pedaços. - Meu Deus do céu. O que eu vou fazer agora? Como vou enfrentar essa vergonha? - suas palavras se tornaram um sussurro quase inaudível, o desespero finalmente tomando conta de sua consciência.

Levantou-se abruptamente, como uma flecha disparada. - Por favor, não me demita - pediu rapidamente, a sinceridade quase atropelando suas palavras, como uma criança implorando por mais uma chance. Seus olhos estavam brilhando, refletindo o medo e a desolação que a ideia de perder o emprego lhe provocava. - Eu preciso desse emprego. Minhas crianças precisam de mim. Minha avó precisa de mim. Eu não posso perder esse trabalho, não posso! - As mãos dela tremiam ligeiramente, e a emoção em sua voz era palpável, como um fio sensível que poderia se romper a qualquer momento. Ponderando a possibilidade de ficar sem o sustento que tanto significava, cuja pressão por ser a provedora a seguia como uma sombra constante.

Por um breve momento, o ambiente foi tomado por risadas contagiosas, como se a tensão tivesse se dissolvido em bolhas de ar, flutuando em direções inesperadas. Os homens à mesa - anciãos, líderes e membros da alta sociedade - riram abertamente, de forma inesperada e genuína, como se tivessem encontrado um alívio após uma longa jornada marcada por decisões pesadas e compromissos exigentes. A atmosfera, antes densa e carregada com um peso quase insuportável, agora parecia mais leve, como se aquele alívio fosse uma brisa fresca depois de um dia abafado. Então, Roderick, sempre o centro das atenções, levantou a mão, pedindo silêncio, como um maestro que chama a atenção da orquestra para iniciar uma nova sinfonia. Ele se pôs de pé, emanando uma presença natural e autoritária, como um farol que guia navios na escuridão, os olhos brilhando com uma inteligência que hipnotizava e acalmava os presentes.

- Não se preocupe - disse ele, com tranquilidade, como se estivesse oferecendo um cobertor quente em uma noite fria, fabricado exatamente para aquecer corações aflitos. - Se eu a convidei para estar aqui, é porque você não será demitida. Sua dedicação e bravura em enfrentar as adversidades são exatamente o que precisamos. Sua contribuição é valiosa, e eu reconheço isso. Agora, vamos conversar sobre como podemos melhorar essa situação juntos, como uma equipe. Afinal, a força do todo depende de sua força individual - completou, sua voz tingida de empatia e incentivo, fazendo com que um novo calor brotasse na sala, uma nova esperança se acendesse nos corações aflitos presentes.

Liara respirou fundo, ainda sentindo a tensão como um fio esticado prestes a partir, e em seu peito, o coração parecia assumir uma batida acelerada, como se estivesse em um duelo entre a adrenalina e a lógica. - Você é minha convidada - continuou Roderick, sorrindo suavemente, como um amigo que deseja aliviar a angústia de um companheiro. - Isso se deve ao fato de eu ter apreciado seu trabalho... e por você não ter se intimidado diante da minha posição, algo raro e precioso.

Melina pigarreou, tentando retomar o controle da situação como uma maestro tentando recuperar a harmonia na orquestra, sua voz ressoando com autoridade que fazia até as paredes parecerem se encurvar. - Mas você não pode se referir a ele assim - advertiu Liara em um tom baixo, mas firme, como uma luz fazendo sinal em meio à escuridão, a gravidade das palavras envolvendo o ambiente. - Ele não é uma pessoa qualquer. Ele é um rei, alguém que carrega o peso de um reino em seus ombros e a sutileza da sabedoria em suas decisões.

Liara congelou, virando-se lentamente para Roderick, seu olhar cheio de incredulidade e reverência, como se estivesse tentando acreditar em uma nova realidade que desafiava toda a lógica. - Você é um rei? - A pergunta escapou de seus lábios, quase um sussurro, como se temesse que pronunciar a palavra pudesse quebrar a magia do momento.

Ela fez uma reverência desajeitada, quase tropeçando, como uma criança aprendendo a andar, a figura real diante dela evocando uma combinação de respeito e admiração. - Majestade... me perdoe, sinto muito eu realmente cometi tantas gafes, como um barco à deriva se perdendo em um mar de erros. - Ela respirou fundo, tentando reunir forças e presença.

- É que sou plebéia, do subúrbio, sabe? Apenas lido com animais, eles me entendem e eu a eles, você sabe né? Não sei como me comportar com pessoas, acho as pessoas complicadas.

Eu me atrapalho em tudo; cada conversa parece uma dança e eu sou sempre a que pisa nos pés do parceiro.

Ela deu de ombros, a sinceridade visível em seu olhar, como um espelho refletindo suas verdadeiras emoções. - Com animais eu sei me entender. Com pessoas... eu me embaraço; é como tentar desvendar um enigma sem pistas, uma confusão de gestos e sorrisos que me deixa desorientada e nervosa.

Roderick a observou em silêncio por um longo momento, sua expressão contemplativa e cálida, até que um meio sorriso - raro e genuíno - surgiu em seus lábios, iluminando seu rosto de maneira inesperada.

- Não se preocupe - disse ele, sua voz suave como um sussurro de brisa em uma tarde tranquila. - Continue sendo você mesma. É isso que eu aprecio e é a sinceridade que traz frescor a este trono desgastado pelo tempo.

Melina franziu o cenho, surpresa, e indagou, sua voz carregada de curiosidade: - Você mudou muito...

Roderick, fixando o olhar em Liara, respondeu com uma sinceridade que parecia transcender o momento. - Não, eu não mudei, apena, gosto de pessoas verdadeiras.

- A firmeza em sua voz contrastava com a vulnerabilidade de seus olhos, que refletiam uma profundidade que Melina nunca havia visto antes.

Ele fez uma pausa, como se as palavras que estavam prestes a sair tivessem um peso especial, carregado de significado. - Encontrei alguém que me trata como um ser humano normal, e não como alguém inalcançável, como uma estrela distante que nunca se pode tocar.

- A frase ecoou no ar, impregnada de uma sinceridade esmagadora, e Liara sentiu um frio na barriga ao ouvir isso, como se estivesse prestes a descobrir um universo inteiro de sentimentos ocultos.

O silêncio dominou novamente a mesa, preenchendo o espaço com uma tensão palpável, uma mistura de insegurança e esperança que pesava sobre todos os presentes. Liara piscou, confusa, suas emoções conflitantes começando a se entrelaçar como fios em uma tapeçaria, enquanto uma inexplicável emoção começava a aquecer seu coração.

-Do lado de fora, a lua cheia iluminava o resort, servindo como um farol para a verdade que havia se revelado, suas luzes prateadas dançando nas águas tranquilas da piscina como se estivessem celebrando a sinceridade brotando à mesa.

Os anciãos, com sua vasta experiência, perceberam que o rei havia encontrado algo que buscava há séculos, uma conexão genuína em meio a um mundo que muitas vezes se sentia frio e distante.

- E nada, absolutamente nada, seria como antes. A revelação pairou no ar como um perfume doce, uma nova chance de amor e compreensão, que poderia transformar não apenas suas vidas, mas todo o reino.

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