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Capítulo 4 CAPÍTULO 3

A recepção do salão principal do resort era um verdadeiro oásis de luxo, como se cada detalhe tivesse sido meticulosamente pensado para criar uma atmosfera encantadora e mágica, digna de um conto de fadas. As paredes estavam adornadas com tapeçarias delicadas, que contavam histórias de épocas passadas, enquanto suaves melodias de piano ecoavam ao fundo, criando um ambiente de pura elegância.

Luzes quentes brilhavam sobre os cristais pendurados, fazendo-os reluzir como estrelas em uma noite clara, enquanto longas mesas, elegantemente drapeadas com toalhas de seda, exibiam arranjos florais requintados, semelhantes a obras de arte. Cada bouquet era uma fusão de cores vibrantes e aromas exóticos, meticulosamente organizados para capturar a essência da natureza e impressionar tanto os hóspedes humanos quanto as criaturas da noite, que estavam habituadas a buscar beleza em toda parte.

No centro, um buffet requintado exibia pratos sofisticados, onde cada iguaria era uma obra-prima da culinária, desde delicados canapés de caviar até sobremesas que pareciam quadros surrealistas de tão perfeitas. Os aromas envolventes se entrelaçavam em harmonia, prometendo uma experiência gastronômica que ficaria gravada na memória de todos os presentes. Obviamente, tudo ali fora cuidadosamente planejado para não apenas encantar os sentidos, mas também para criar uma impressão duradoura, um vislumbre da opulência à qual gostariam de retornar.

Roderick, em um ponto elevado, observava a cena com uma taça nas mãos, o líquido cristalino refletindo as luzes ao redor como um pequeno universo em sua palma. Ele se sentia como um maestro diante de sua orquestra, contemplando a sinfonia dos olhares admirados e sorrisos satisfeitos. Quando o gerente se aproximou com passos cuidadosos, seu semblante denotava uma mistura de reverência e inquietude, como se estivesse prestes a revelar um segredo de grande importância.

- Quero que a senhorita Liara compareça à recepção - disse ele de forma direta, a gravidade de sua solicitação marcando o tom de sua voz e atraindo a atenção de Roderick.

O gerente piscou, surpreso, claramente não preparado para tal demanda.

- A veterinária, senhor? - ele perguntou, tentando entender a razão por trás da escolha inusitada. A presença da senhorita Liara, uma mulher conhecida por sua dedicação às criaturas, parecia fora de lugar naquele cenário repleto de glamur e ostentação.

- Sim - respondeu o gerente, a voz trêmula, como se suas palavras fossem as últimas de um homem à beira de um precipício.

- Ela... não costuma participar desses eventos - completou, hesitando, o olhar inquieto. Seu rosto estava pálido, e o suor começava a brilhar em sua testa enquanto ele tentava compreender a lógica por trás daquela convocação repentina. Era um evento tumultuado, repleto da alta sociedade, onde conversas afiadas e sorrisos falsos eram a norma, e Liara sempre se mantinha à margem, focada em seu trabalho com os animais.

Roderick virou lentamente o rosto, seus olhos âmbar fixando-se no gerente com uma intensidade que poderia derreter o gelo mais grosso. O ambiente tornou-se pesado, quase opressivo, enquanto ele parecia ponderar não apenas a tarefa em questão, mas também o que significava forçar alguém como Liara a um evento tão diferente de sua rotina habitual.

- Hoje, ela vai - declarou Roderick, a determinação em sua voz como uma ordem inegociável, um eco de algo mais profundo que só ele compreendia. Era como se ele estivesse decidindo não apenas o destino de Liara naquela noite, mas também desafiando o que muitos deram como certo sobre sua posição no resort.

O gerente engoliu em seco, como se estivesse engolindo um pedaço de vidro, a ideia de contradizer Roderick era impensável. Ele sabia que o homem ali presente não era apenas o proprietário do resort, mas também alguém que tinha a habilidade de transformar suas ordens e desejos em realidade, mesmo que isso significasse romper com a norma. O medo de desapontar era um fardo pesado.

- Sim, senhor - respondeu finalmente, a voz quase um sussurro, enquanto seu olhar se desviava, incapaz de suportar a pressão dos olhos de Roderick. A gravidade da situação o intrigava. Por que Liara? Que segredos estavam por trás dessa decisão inesperada?

Minutos depois, o homem apressava-se em direção aos alojamentos do staff, seus passos ressoando pelos corredores como um sinal de alerta. Cada batida do seu coração falava de um receio crescente, não apenas pela tarefa que lhe foi atribuída, mas pelas possíveis repercussões dela. Liara estava no banheiro, organizando seus materiais e fazendo o último esforço para garantir que tudo estivesse em ordem, quando ouviu uma batida firme na porta, um presságio de que seu mundo poderia mudar rapidamente.

- Senhorita Liara? - a voz do gerente era uma mistura de urgência e nervosismo.

- Sou eu - respondeu, sem abrir a porta, um toque de desdém na voz. - Se for para reclamar de algo, já aviso que os lobos estão mais limpos do que muita gente por aí. Essa é a justiça dos que amam os animais; quem se importa com a aparência pequena e insignificante?

- Não é isso. - O gerente pigarreou, tentando reunir coragem, a frustração em seu tom quase palpável. - O dono do resort pediu que a veterinária estivesse presente na recepção esta noite. É um evento... diferente. Ele deseja que você compareça como representante da equipe, e, de certa forma, é um reconhecimento de seu trabalho incrível com os animais, mas ele não sabe se você está ciente do impacto que isso poderia causar.

Ela abriu a porta abruptamente, sua expressão misturando surpresa e indignação. O som do estalo ecoou pelo corredor, como se estivesse quebrando a tensão que pairava no ar.

- Ele está ficando louco? - Liara arregalou os olhos, como se tivesse visto um fantasma em meio a uma noite obscura. Sua mente corria rapidamente, tentando processar a mensagem que o gerente acabara de transmitir. - Não tenho roupa para isso! Essas coisas são para gente chique, e eu só tenho uniforme. Como vou me apresentar sem um vestido adequado? E se alguém me reconhecer?

O gerente respirou fundo, como se estivesse se preparando para mergulhar em águas profundas e turbulentas. Sentia a urgência de transmitir a mensagem, mas temia sua reação. Ele sabia que Liara não era do tipo que se deixava levar por extravagâncias ou convenções sociais.

- Ele me pediu para entregar isto à senhorita, - disse ele, estendendo uma caixa grande e elegante, que parecia ter sido envolta com um carinho especial, com o nome de uma grife estampado em dourado. Liara franziu o cenho ao ver o objeto, como se tentasse entender um enigma que não fazia sentido. O que um presente deste porte poderia significar para ela, uma simples veterinária?

- Esse homem deve ser um velhinho bem mandão, né? - ela disparou, tentando fazer uma piada, embora na verdade fosse uma tentativa de aliviar a ansiedade que começava a se formar dentro dela. Sua mente estava repleta de perguntas: Por que ele não poderia simplesmente fazer as coisas de maneira mais simples e direta? Por que complicar com presentes extravagantes?

O gerente quase sorriu, como se compartilhando uma piada interna que apenas eles dois conheciam. Era um sorriso que indicava um entendimento mais profundo sobre a personalidade excêntrica do dono do resort.

- Digamos que ele seja... bem persuasivo. E, sim, ele é velhinho, - respondeu, com um leve tom de humor que contrastava com a seriedade do momento. "Pela graça do senhor", ele pensou, "que ela não se deixe enganar pelas aparências. O velho tem um coração generoso, mesmo que suas maneiras sejam... um tanto incomuns."

Ela cruzou os braços, cética como uma criança diante de um truque de mágica, sua expressão refletindo uma mistura de dúvida e curiosidade. A mente dela já estava repleta de perguntas, cada uma mais intrigante que a outra, enquanto ela se perguntava o que poderia estar guardado dentro da caixa.

- Deixa eu ver o que ele mandou, - disse, quase como se estivesse desafiando o destino, empurrando a cautela para o fundo da mente e abrindo a caixa com um misto de receio e expectativa.

Ao abrir a caixa, sua expressão mudou rapidamente, como se tivesse encontrado um tesouro escondido, um segredo que a vida havia reservado para ela. A visão do que estava dentro a deixou sem palavras por um momento, e ela piscou algumas vezes, como se estivesse tentando se certificar de que não era uma miragem.

- Meu Deus... - levou a mão à boca em surpresa, os olhos arregalados repletos de deslumbramento. - Um Chanel?!

Dentro, havia um vestido impecável, com cada costura meticulosamente feita, sapatos delicados que pareciam flutuar, uma clutch elegante que emanava sofisticação e... joias deslumbrantes, todas reluzindo como estrelas em uma noite clara, como se o universo tivesse se alinhado apenas para lhe oferecer aquele momento.

- Tudo isso pra mim? - murmurou, incredulidade transparecendo em sua voz, como se um sonho estivesse se tornando realidade, um mundo de opulência que ela nunca tinha sonhado em experienciar. A ideia de se vestir de maneira tão luxuosa fazia seu coração disparar, mas também trazia à tona inseguranças que ela não sabia que tinha.

- É um presente - explicou o gerente, com um tom quase reverente, como se desvendasse um mistério que precisava ser respeitado. - O senhor pediu que todos os funcionários importantes estivessem adequadamente vestidos esta noite, e parece que ele considera você uma dessas pessoas.

Liara fechou a caixa devagar, processando a situação com a cautela de alguém que acaba de receber uma grande responsabilidade. A magnitude do presente começava a pesar sobre seus ombros, e o que deveria ser um momento de euforia se tornava um dilema moral: aceitar ou não?

- Tudo bem. Eu uso. - respirou fundo, a incerteza tornando sua voz um pouco trêmula, como se estivesse se preparando para um salto em um desconhecido. - Mas depois eu vou devolver tudo. Não tenho condições de ter essas coisas, e se isso for tudo um mal-entendido...

- Faça como achar melhor, - respondeu ele, resignado como alguém que já viu essa história se desenrolar antes, um sorriso discreto dançando em seus lábios, talvez divertido com a batalha interna de Liara. - Apenas lembre-se de aproveitar o momento, independentemente do que vier a seguir.

Sozinha, Liara tomou um banho demorado, como se estivesse se purificando de toda a tensão acumulada ao longo das últimas semanas.

A água quente escorreu por sua pele, envolvendo-a em um manto de calor reconfortante que relaxava os músculos ainda doloridos da queda anterior, como um abraço acolhedor que alivia as preocupações e as incertezas que pesavam em sua mente.

Cada gota parecia não apenas limpar seu corpo, mas também libertar sua alma de um fardo que há tempos carregava. Com cuidado, dedicou tempo extra ao cuidado de seus cabelos, escovando-os com uma suavidade quase reverente e moldando os cachos de forma solta e natural, como se estivesse preparando uma tela em branco para sua nova identidade, uma peça que refletia seu recomeço.

Aplicou uma maquiagem leve, escolhendo apenas o suficiente para realçar os olhos prateados, que sempre trouxeram à tona sua essência única, como um artista que sabe como destacar as melhores cores em sua obra-prima. Usou um brilho labial rosado, que capturava a luz de maneira sutil, máscara para os cílios que ampliava seu olhar e definiu levemente as sobrancelhas, que estavam quase brancas demais, como se quisesse dar vida a um canvas que estava um pouco apagado, revelando uma profundidade que antes parecia escondida. Por fim, borrifou uma nuvem do seu único perfume: um restinho de Carolina Herrera, que guardou como um pequeno tesouro ao longo dos anos, um presente de aniversário que simbolizava memórias de momentos passados repletos de esperança e sonhos.

Ao olhar-se no espelho, sentiu uma onda de surpresa, um misto de insegurança e êxtase, reconhecendo finalmente a mulher que estava diante dela, não apenas refletida na superfície do vidro, mas na essência da transformação que acabara de empreender.

- Nossa... eu tô linda. - sorriu, sem acreditar, observando o reflexo que se apresentava diante dela, um vislumbre de uma versão sua que sempre desejou aflorar.

- Mas quando eu ia poder comprar uma roupa dessas? Esta peça, com seu tecido leve e cores vibrantes, trazia à tona uma confiança que ela não sabia que possuía. Era como se cada costura estivesse imbuída de uma nova vida, envolvendo-a em uma aura de sofisticação.

Respirou fundo, decidida a aproveitar o momento, como um pássaro prestes a alçar voo após um longo tempo de espera. A emoção pulsava em suas veias, cada batida do coração ecoando a sensação de estar verdadeiramente vista e valorizada. Este era mais do que um mero evento; era uma oportunidade de se reinventar e explorar facetas dela mesma que haviam permanecido escondidas sob camadas de insegurança.

- Vamos lá. - disse para si mesma, com uma pitada de determinação na voz.

Ao chegar ao salão, foi imediatamente abordada pela recepcionista. O ambiente estava repleto de risadas e conversas animadas, mas ela se sentiu um pouco fora de lugar.

- Boa noite. A senhorita é...?

- A veterinária. - respondeu, de forma direta, como se estivesse afirmando um fato simples. - Disseram que eu tinha que vir. Havia um senso de urgência na sua voz, um desejo de não desapontar aqueles que tinham lhe dado essa chance.

- A veterinária? - a recepcionista consultou a lista rapidamente, erguendo as sobrancelhas em surpresa. - Sim... senhorita Liara. O senhor Likaius pediu que a senhorita se dirigisse à mesa dele.

Liara franziu o cenho, um pouco hesitante, como uma criança que ouve um conto estranho pela primeira vez, intrigada e um pouco nervosa com a ideia de encontrar alguém tão influente. A lembrança do nome "Likaius" flutuou em sua mente, como uma folha ao vento, tentando se encaixar na narrativa de sua vida.

- O senhor Likaius não é aquele... - parou, pensando, suas memórias piscando como luzes de um farol. - Não, deixa pra lá.

Seguiu em direção à mesa principal, que estava cercada por homens e mulheres elegantes, entre eles, celebridades e figuras influentes, cada um mais cativante que o outro.

À medida que ela se aproximava, as conversas começaram a diminuir, como o murmúrio de uma multidão que percebe a chegada de alguém especial. Foi um momento de silêncio sutil, um reconhecimento silencioso de que ela não era apenas mais uma presença; ela era uma novidade, uma lufada de ar fresco em um ambiente requintado.

- Boa noite - disse, educada, sua voz um misto de firmeza e timidez. Algumas mulheres a analisaram com desdém, como se a presença dela fosse um incômodo inesperado, suas expressões revelando uma competição velada e um desejo de reafirmar sua superioridade no ambiente.

Roderick levantou-se, quebrando o silêncio, e este ato sincero fez toda a diferença.

- Sente-se aqui ao meu lado, senhorita. - Sua gentileza foi uma ponte que a conectou ao círculo, aquecendo a atmosfera ao redor dela.

Ela arregalou os olhos, percebendo a atenção que atraía, como uma luz brilhante em uma sala escura, iluminando não apenas o seu ser, mas também aqueles que a cercavam. Naquele momento, cada passo que deu era uma declaração de que ela estava, finalmente, perante o mundo, pronta para se afirmar e deixar sua marca.

- Pelo amor de Deus... - murmurou ela, com um sorriso nervoso dançando em seus lábios. - Não vá mais me dar descarga elétrica, ou meus cabelos vão ficar todos frisados.

A resposta provocou risadas soltas e contidas, e os homens à mesa também se divertiram com a espontaneidade dela, como se a vida tivesse retornado ao clima pesado da sala. Era como se Liara tivesse acendido um fósforo em um ambiente que estava à beira de afundar na monotonia.

Ela se sentou, ainda imersa em sua própria impressão desapegada, alheia ao fato de que estava cercada, na maioria das vezes, por licantropos - homens e mulheres cujos olhares a observavam como se ela fosse um enigma em um mundo de mistério, as criaturas do luar fascinas pela curiosidade que ela despertava.

- Quem é essa? - sussurrou uma mulher, claramente incomodada, ajustando a postura em sua cadeira com desdém, como se sua superioridade fosse uma pele que não poderia ser removida.

- Roderick? - questionou outra mulher, uma preocupação visível em seu tom de surpresa, como se aquele nome operasse uma mágica que poderia mudar a dinâmica da sala.

- A senhorita Liara - respondeu ele, com a calma de alguém que sabia da tempestade se aproximando. - A veterinária.

A mulher arqueou a sobrancelha, visivelmente intrigada, as rodas da sua mente girando rapidamente enquanto tentava decifrar quem era aquela estranha que havia atraído a atenção de Roderick, um homem que, até então, parecia tão intocável quanto uma lenda.

- Ah... você já se envolve com a plebe? - a mulher disparou, com um tom de sarcasmo misturado à incredulidade, como se tivesse encontrado uma joia em uma loja de antiguidades, mas não conseguisse acreditar em sua origem.

Liara virou-se para ela, surpresa pela insinuação, como se tivesse sido chamada de um nome totalmente inesperado, um rótulo que não parecia se encaixar em sua essência.

- Plebe? - repetiu Liara, sem esconder a surpresa em sua voz, seu queixo se levantando em um gesto de desafiante. - Querida, ele me chamou. Disse que eu tinha que vir. O dono disso aqui mandou eu vir - suas palavras fluíam com a sinceridade descontraída de alguém que não se importa com as convenções sociais.

Dei de ombros, eu pra falar a verdade nem sei quem é o dono disso aqui. Mas se o senhor Likaius mandou eu sentar do lado dele, eu sentei.

Ela olhou para Roderick e continuou, sua expressão mudando para um tom quase nostálgico: - Na verdade, eu só esbarrei nesse armário ambulante enquanto cuidava das minhas crianças. Caí no chão, como uma boneca desajeitada, estonteada pela surpresa da resistência que ele representava.

Então, talvez eu tenha sido convidada para compensar os sustos que levei, como se quisessem me oferecer um cobertor após uma tempestade - a imagem de uma pequena criança se encolhendo sob as cobertas veio à mente dela, e por um momento, a tensão no ar pareceu se dissipar, unindo-os em uma conexão inexplicável.

Alguns homens seguraram o riso, enquanto Liara respirou fundo e se levantou levemente, semelhante a uma folha sendo soprada pelo vento.

- Ela podia sentir o calor do olhar de Roderick, oferecendo um tipo de força tranquila que contrastava com seu próprio nervosismo. Nesse momento, o riso contido daqueles homens ecoava ao seu redor, como se eles estivessem desfrutando de uma piada interna que Liara ainda não compreendia. Ela endireitou as costas, determinado a mostrar que não se deixaria abalar por aquela situação embaraçosa.

- Me desculpe se você é da realeza - disse ela à mulher. - Posso sentar em outro lugar, se estou incomodando, como uma sombra que decide não se deitar sobre uma flor, buscando a luz do sol em vez de se esconder à sua sombra.

A escolha de suas palavras parecia mais do que uma desculpa; era uma declaração de sua determinação em não ser um fardo, uma sombra invisível que poderia destabilizar a harmonia daquele ambiente elegante e carregado de expectativas.

Roderick também se levantou, e a sala ficou em silêncio como um lago em um dia sem vento, cada olhar curioso e todas as conversas se desvanecendo, dando espaço ao momento que se desenrolava.

O contraste entre a leveza de Liara e a sua presença sólida parecia criar uma tensão palpável, uma corda esticada que poderia arrebentar a qualquer momento. Os olhares de reprovação se misturavam com uma nova curiosidade, como se todos estivessem esperando para ver qual será a reação do homem que agora se posicionava firmemente ao lado de Liara.

- Você vai ficar sentada aqui exatamente - disse ele, com a voz baixa e firme, como um farol guiando um barco à noite. - Este é o seu lugar. As palavras dele ressoaram na sala, firmes como rochas em um rio agitado, e Liara sentiu um misto de gratidão e surpresa por ser defendida de forma tão intensa. Era como se, ao afirmar isso, Roderick estivesse não apenas garantindo um espaço para ela, mas também proclamando que sua presença era válida, mesmo em meio a todos aqueles olhares críticos.

Então, ele se virou para a mulher e acrescentou: - E se você, Melina, está incomodada... - inclinou a cabeça levemente, com uma leveza que de alguma forma cortava a tensão como uma faca afiada. - você é quem deve se retirar, como a nuvem que se afasta do sol, permitindo que a luz brilhe em seu esplendor. As palavras de Roderick assumiram um tom quase poético, carregadas de uma elegante bravura que transformou a dinâmica da sala, como se ele tivesse conseguido voar para cima do que poderia ter sido um momento desconfortável.

A mulher empalideceu diante do desafio, como se um vendaval tivesse levado suas cores. O brilho de suas joias e a força de seu vestido não podiam mais esconder a fraqueza revelada, e gélidas ondas de desconforto começaram a ondular ao seu redor, enquanto ela ponderou se valia a pena lutar contra a maré que agora se formava, cada vez mais contra ela.

- Ela é minha convidada - concluiu Roderick, sua mão sutilmente gesticulando para Liara, como se ao fazê-lo também estivesse desenhando um círculo de proteção ao seu redor. - E vai ficar ao meu lado, como as estrelas que permanecem próximas uma da outra no vasto céu, iluminando a escuridão.

- Com isso, os presentes sentiram que ele não estava apenas defendendo Liara, mas reclamando um espaço de respeito e dignidade para todos que se sentissem pequenas em sua própria luz.

Liara piscou, tomada de surpresa, e pela primeira vez naquela noite, sentiu uma estranha nova sensação no ar. Não era medo ou admiração, mas uma impressão de que... talvez aquele armário ambulante não fosse apenas um homem alto demais... - Cada palavra de Roderick parecia esculpir uma nova identidade para ela, uma que não tinha que se camuflar sob a sombra de um papel menor.

-A lua, do lado de fora, observava em silêncio, como uma espectadora calma de um espetáculo noturno, refletindo a transformação e a luta interna que agora dançavam entre os presentes.

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