POV Elara:
Fogos de artifício rasgavam o céu em verde, amarelo e azul.
O evento de gala estava a todo vapor no gramado. Garçons, champanhe, a elite do mundo dos lobisomens fingindo ser civilizada.
Eu estava na varanda em um vestido bege. Camuflagem. Do jeito que Breno gostava.
A multidão se abriu.
Kiara chegou.
Ela não estava de bege. Estava de branco, um vestido grego que se agarrava ao seu corpo. Ela segurava a barriga como se fosse um troféu.
Um tapa na cara de todas as tradições dos lobisomens.
Breno foi em direção a ela. Ele não parecia envergonhado. Parecia... orgulhoso.
Virei-me e desci para o lago.
A casa de barcos estava escura e silenciosa. Entrei para respirar.
Vozes no píer.
"Ela parecia um fantasma lá em cima", Kiara zombou. "Um fantasma bege."
"Fale baixo", Breno sibilou. Sem agressividade em seu tom.
"Por quê? Todo mundo sabe, Breno. Ela é uma Loba Estéril. Um beco sem saída genético."
A palavra *Estéril* cortou como uma faca serrilhada.
"Ela é útil, Kiara", disse Breno.
"Útil? Ela é um sistema de alarme glorificado! Eu estou carregando seu filho. Seu Herdeiro Alfa. Ela é... o quê? Um brinquedo quebrado?"
"Ela é a fachada", disse Breno, cansado. "Precisamos dela para o Conselho. Precisamos dela para as barreiras. Ela é um inconveniente necessário. Assim que o filhote nascer... vou movê-la para a Ala Norte. Você fica com a suíte principal."
Minha loba não rosnou. Ela soltou um estertor de morte.
Ali mesmo, no escuro, ela deitou a cabeça nas patas e desistiu.
*Ele nos rejeitou*, ela sussurrou. *Com a verdade.*
Peguei meu celular.
Para: Vargas
Mensagem: *Hoje à noite.*
Joguei o celular no lixo.
Saí, mantendo-me contra o vento.
Observei Breno colocar a mão na barriga de Kiara. Ele parecia reverente.
Toquei minha própria barriga, lisa e com cicatrizes.
"Adeus, Breno."