2 Capítulo
Capítulo 6 Isso não é amor!

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Ponto de vista de Lottie
"Não achei que você voltaria tão cedo...", Mike se atreveu a dizer, me olhando como se eu tivesse crescido duas cabeças e estivesse de alguma forma errada.
"Claro!", murmurei, indo até o armário, pegando minha bolsa de viagem e enfiando as coisas dentro dela com raiva.
"Gatinha... Qual é..."
Ao olhá-lo através do espelho, vi que ele teve a audácia de fingir estar magoado e fixei meus olhos nele, com Sage brilhando nos meus olhos gélidos.
"Desculpe, com quem você está falando... comigo? Ou com ela?" Vendo o olhar perplexo no rosto dele, continuei: "Acabei de ouvir você chamá-la de 'gatinha'." Eu sabia que estava sendo mesquinha por causa do apelido, mas considerando que eu tinha acabado de pegá-lo transando com uma garota na nossa cama, senti que tinha o direito de ser um pouco infantil!
"Não, você está enganada", ele se defendeu.
Me virando, olhei para ele.
"Ele está mesmo tentando me fazer sentir que estou ficando louca?!", murmurei para Sage.
"Sempre disse que esse idiota era burro! Quer que eu morda o pau dele?", ela perguntou casualmente, me fazendo sorrir, apesar do trauma que percorria meu corpo. Embora Mike e eu não fôssemos companheiros destinados, eu o... amava! E essa traição doeu.
"Como quiser, GATINHA!", gritei, repetindo o que o ouvi dizer há menos de dois minutos para a vadia na cama... Nossa cama!
"Não é o que parece, eu prometo."
Revirei meus olhos azuis e olhei para a loba que puxava o lençol em volta de si timidamente. "Ah, não é?! Ele escorregou e caiu acidentalmente na sua vagina?"
Vendo ela tentar sair da cama, balancei a cabeça.
"Fique! Ele é TODO seu!"
Desisti, voltando a colocar as primeiras coisas que consegui pegar na minha bolsa de viagem.
Se levantando da cama, nu e sem vergonha, Mike insistiu: "Charlotte, vamos lá! O trabalho tem sido difícil ultimamente, e bem..."
Antes que ele terminasse a frase, eu já sabia que ele iria colocar a culpa em mim de alguma forma, assim como eu sabia que iria dar um soco na cara dele nos próximos trinta segundos.
"Você engordou um pouco e não se arruma mais para mim." Enquanto ele falava, seu corpo estava encostado nas minhas costas. Meu corpo se enrijeceu com a ironia, considerando a renda azul que eu usava por baixo do vestido.
Peguei a maquiagem e a atirei brutalmente junto às outras coisas, fechando a bolsa com as mãos trêmulas enquanto tentava manter a calma e ele continuava a falar.
"Você poderia se esforçar um pouco mais para me atrair. Assim, eu não precisaria procurar em outro lugar."
Virando-me em seus braços, puxei o punho para trás e, sem aviso, enfiei-o em seu olho, sentindo uma satisfação crua ao ouvir o estalo frágil do nariz se quebrando, ver o sangue respingar no meu vestido e, ainda assim, rir em descrença ao encará-lo, espantada. Os xingamentos e gemidos de Mike mal podiam ser ouvidos em meio ao som do meu sangue correndo pelo meu corpo.
"Sim, terminamos", declarei, com a mente decidida, e o rosnado de Sage quando Mike tentou puxar meu braço confirmou essa afirmação.
"Gatinha...", ele murmurou, se arrependendo no segundo em que meus olhos brilharam com o azul frio de Sage, que assumiu o controle e, antes que eu pudesse respirar, fez justiça com as próprias mãos.
Nocauteando Mike, o golpe o lançou para trás, e ele caiu no chão com o corpo mole e desengonçado, espalhado de forma patética, levando consigo o ego completamente ferido.
"Quando ele acordar, diga para ele ficar longe da Lottie!", Sage rosnou para a loba trêmula, que acenou com a cabeça, paralisada pelo medo.
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"Mais um!", pedi, batendo na borda do meu copo vazio enquanto o belo barman olhava para Lilly e para mim, com a preocupação estampada em seu rosto. Aparentemente, nosso pai o deixava nervoso.
"Acabei de pegar meu namorado transando com outra pessoa. Acho que preciso de mais uma bebida, não acha?", perguntei, arqueando uma sobrancelha e ignorando o suspiro de Lilly. Ao vê-lo encher meu copo relutantemente, um sorriso se formou nos cantos dos meus lábios.
"Obrigada!" Soltei um soluço, pegando a bebida com um sorriso para Lilly, e nós duas caímos na gargalhada quando ele se afastou, balançando a cabeça, nada impressionado.
Lilly havia me buscado assim que saí do meu apartamento, me entregando lenços e me deixando desabafar minha raiva. Passei as últimas horas um pouco bêbada, dançando e tentando esquecer minha decepção amorosa. Mas, ao ver Lilly olhar para o celular com uma carranca, soube que a noite havia acabado.
"Charlotte, preciso dormir. Tenho que estar no meu melhor amanhã", ela disse, e eu sabia que ela só usava meu nome completo quando estava falando sério. Sorrindo, ela me puxou da cadeira. "Vamos para casa."
"Não posso... eu... não posso voltar para lá... ele... está lá!", eu disse, cambaleando.
Olhei para ela impotente, jogando as mãos para o alto dramaticamente enquanto pedia: "Posso ficar na sua casa, por favor?!"
Rindo, ela concordou, me empurrando em direção à porta.
"Sim, mas juro que se você roncar, vou te matar!", ela exclamou entre risadas.
Vinte minutos depois, chegamos à casa da matilha, onde Lilly pagou o motorista e me empurrou pelas portas da casa com um gemido.
"Vou pegar água, você pode subir!", ela disse com uma risada, acenando para que eu subisse as escadas enquanto desaparecia na cozinha. Senti que demorei uma eternidade para chegar ao quarto dela e, ao abrir a porta, parei, olhando ao redor do cômodo.
"Acho que nunca vi esse quarto tão arrumado", comentei, rindo e tirando meu vestido pela cabeça, gemendo ao perceber que havia deixado minha bolsa lá embaixo.
Deixei meu vestido de lado, passando as mãos pelo tecido macio da lingerie que Lilly havia me trazido antes de andar pelo quarto. Peguei um porta-retrato com uma foto do irmão mais velho de Lilly, que estava orgulhosamente com o braço em volta do pai, sorrindo para a câmera, sem qualquer preocupação. Era o dia de sua formatura, eu me lembrava bem. Ele me fez chamá-lo de mestre o dia todo.
"Idiota!", resmunguei, virando o porta-retrato, não querendo que os olhos dele ficassem em mim enquanto eu dormia, ou em qualquer outro momento!
"Parece que essa lingerie vai ter um pouco de ação esta noite!", exclamei com uma risada amarga enquanto me olhava no espelho de corpo inteiro, pensando em como essa noite poderia ter sido diferente.
As palavras cruéis de Mike sobre meu peso estavam destruindo a pouca confiança que eu tinha. Os irmãos de Lilly haviam tornado minha vida um inferno durante a infância, até que foram para o treinamento há alguns anos, então eu estava acostumada a ser alvo de piadas, zombarias e provocações, mas vindo de Mike, isso doeu.
Respirando fundo, congelei, com o som da água corrente finalmente chegando aos meus ouvidos. Eu havia deixado Lilly lá embaixo, será que ela entrou enquanto eu andava pelo quarto?
Ao abrir a porta do banheiro, fiquei paralisada, com os pés enraizados no chão, pois, através do painel de vidro do chuveiro, o irmão de Lilly estava de pé, com a mão pressionada contra a parede de mármore, os nós dos dedos ficando brancos pela pressão, e seu corpo mais musculoso do que quando ele partiu. Tatuagens cobriam todo o seu corpo, fazendo meus olhos percorrerem cada uma delas, atordoada. Fiquei tensa ao ver sua mão tatuada segurando seu pau grosso e rígido, com pelo menos 22 centímetros de paraíso.
Respirando fundo, meus olhos se fixaram em seu membro enquanto ele o bombeava com a mão, se satisfazendo no que eu sabia que deveria ser um momento íntimo.
"Junte-se a mim, ou saia!", ele disse roucamente, olhando para mim por cima do ombro. No momento em que nossos olhos se encontraram, senti como se tivesse levado um soco, me fazendo cair de joelhos, com o chão desaparecendo sob mim. Em algum lugar distante, ouvi o grito de pânico de Knox, que era de preocupação genuína, não de riso. Mas por quê? A confusão me invadiu intensamente, antes de tudo ficar preto.