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Contrato Com Meu Chefe Incapaz de Amar
img img Contrato Com Meu Chefe Incapaz de Amar img Capítulo 4 A Obrigação do Casamento
4 Capítulo
Capítulo 6 Só Pode Ser Louco img
Capítulo 7 Reforçando a Proposta img
Capítulo 8 Ela Está Casada img
Capítulo 9 Preparação img
Capítulo 10 Uma Mulher Impressionante img
Capítulo 11 Parece Um Fantasma img
Capítulo 12 Onde MInha Vice Se Meteu img
Capítulo 13 Primeiro Encontro img
Capítulo 14 A Mulher Que Ficou Pra Trás img
Capítulo 15 A Mulher que sobreviveu img
Capítulo 16 Em Defesa dela img
Capítulo 17 Um Confronto Desagradável img
Capítulo 18 Tomou Uma Bronca img
Capítulo 19 Começando a Esquentar img
Capítulo 20 Sentimentos Estranhos img
Capítulo 21 O Afastamento Não Deu Bom img
Capítulo 22 Guerra e Paz img
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Capítulo 4 A Obrigação do Casamento

Foi difícil para Vítor não contar tudo para a mãe. Mas mais difícil ainda foi descobrir que o próprio pai o tinha mandado estudar fora com um único objetivo: afastá-lo de casa para poder se envolver com sua noiva sem risco de confronto direto.

O ódio que Gabriel sentiu não foi pequeno. Foi avassalador, corrosivo, do tipo que não explode de imediato, mas se espalha pelo corpo como veneno lento. Ele não gritou, não quebrou nada, não fez escândalo. Apenas sentiu algo dentro dele morrer.

Terminou o noivado no mesmo dia e saiu de casa sem olhar para trás. Não explicou, não discutiu, não deu direito a defesa. Simplesmente foi embora. Só não contou tudo à mãe porque o pai o segurou pelo braço e usou a única arma que ainda funcionava contra ele: o medo de destruí-la.

Disse que ela não aguentaria a humilhação. Que aquilo a mataria por dentro. Que uma mulher daquela idade, com a imagem pública que tinha, não sobreviveria ao escândalo. Gabriel cedeu. Não por ele. Nunca por ele. Cedeu por ela.

Com o tempo, quando a fúria deixou de ser um incêndio e virou brasa, ele até conseguiu entender a lógica fria do pai. Entender não significou aceitar. Jamais aceitaria. Mas compreendeu o cálculo, a crueldade estratégica, a ausência total de escrúpulos. O pai sempre foi assim. Ele apenas se recusou a enxergar antes.

Impôs uma única condição: que o pai mantivesse a mãe longe de Celine. Se não obedecesse, ele falaria. Sem piedade, sem filtro, sem misericórdia. O pai concordou. Não por respeito, mas por medo.

E mesmo assim, aquilo foi um inferno.

A mãe sempre adorou Celine. Desde menina. Sempre tratou a garota como parte da família, como uma filha que nunca teve. Ver a naturalidade com que falava dela, com que perguntava quando o casamento aconteceria, fazia Gabriel sentir náusea. Pensar que o pai olhava para aquela história por outro ângulo tornava tudo ainda mais insuportável.

No fim das contas, Gabriel decidiu que aquilo não era mais problema dele.

Parou de frequentar a casa da mãe. Criou distância como quem ergue um muro de sobrevivência. Ela passou a visitá-lo uma vez por semana no apartamento dele, onde fazia questão de manter o controle de tudo. Mandava na empregada como se ainda estivesse em sua própria casa. Lourdes tinha sido sua babá, sempre esteve com a família, e agora cuidava do apartamento que Gabriel comprou com o próprio dinheiro.

O investimento do pai ele já devolveu. Quitou cada centavo como quem lava uma dívida moral. Só não se afastou de vez da empresa porque ela fazia parte do patrimônio dividido entre os pais. Eles eram casados em separação total de bens, mas tudo o que adquiriam já nascia dividido ao meio.

Gabriel achava aquilo genial.

Tinha certeza de que o pai só não largou a mãe para viver com Celine - ou com qualquer outra mulher - porque ela era dona de metade de tudo. Preferia nem pensar em quantos irmãos espalhados tinha pela cidade. Aquela ideia o enojava mais do que o suficiente.

Depois de tudo, Gabriel caiu na esbórnia sem culpa.

Fechava casas noturnas inteiras só para ele. Gostava de discrição, variedade e, principalmente, de não criar vínculo. Ia a prostíbulos como quem vai a um restaurante caro: escolhia, consumia, pagava e ia embora. Sem drama, sem conversa, sem promessas, sem nomes para lembrar depois.

Também frequentava algumas baladas privadas da cidade. Máscaras eram obrigatórias. Quem tirasse, era convidado a se retirar. Assim, ninguém sabia quem tinha ficado com quem. E ele adorava isso. O anonimato era uma forma de silêncio. E silêncio era tudo o que ele queria.

Com o pai, falava apenas o necessário. Assuntos de negócios. Frases curtas. Voz neutra. Perdão não existia. Não apenas pelo que ele fizera com Celine, mas por tudo o que sempre fizera com a mãe.

Gabriel se dizia um solteiro convicto. Não queria casamento, não queria relacionamento, não queria ninguém. E ninguém mudaria aquilo.

Até o dia em que o pai entrou em sua sala sem ser convidado.

- Sua mãe está doente. É terminal.

- Você envenenou ela? - Gabriel rebateu, seco. - Porque até semana passada ela estava ótima quando me visitou.

- Já chega, Gabriel. Chega de rebeldia, chega de agir como moleque. Ela pediu que eu falasse com você. Quer que você volte para casa até ela fechar os olhos.

- Nem fodendo que eu vou morar com você.

- É o desejo dela. E eu a amo mais do que tudo. Se você obrigar sua mãe a escolher entre nós dois, eu saio de casa para você viver com ela.

- Vai morar com a Celine ou com outra mulher que você leva para a cama?

- Você não sabe de nada, moleque. Eu te fiz um favor tirando aquela interesseira do seu pé.

Aquilo foi a gota.

Gabriel foi visitar a mãe no mesmo dia. E saiu de lá em choque.

- Você acha mesmo que eu não sabia dos casos do seu pai? - ela disse, com uma calma que o desmontou. - Eu sempre soube. Aliás, eu incentivei. Se não, ele estaria casto há mais de quinze anos.

- Casto? Por quê?

- Porque eu traía seu pai, Gabriel. Sempre. Com vários homens. Você acha que eu divido nosso patrimônio por quê? Para não sair com uma mão na frente e outra atrás quando ele se cansasse de mim. Há quinze anos, um dos meus parceiros morreu por complicações da AIDS. Fiz o teste e descobri que era soropositiva.

Gabriel sentiu o chão sumir.

- Eu contei para o seu pai. Nunca mais quis arriscar passar isso para ele. Desde então, vivemos como amigos. Seu pai precisa se aliviar.

- Mãe... - ele respirou fundo. - Então por que ele disse que você está morrendo? Hoje, com tratamento, ninguém morre mais de HIV.

- Porque eu demorei para ter coragem de tratar. Quando comecei, meu sistema imunológico já estava comprometido. Desenvolvi tumores. Hoje estou indetectável, mas um deles, no estômago, está em estágio quatro.

Gabriel chorou como não chorava desde criança. Gritou, discutiu, esperneou. Mas não havia nada a ser feito.

Agora, a mãe só precisava de conforto para morrer.

- O que você quer de mim? - ele perguntou, derrotado.

- Que você se case com a Celine e venha morar aqui comigo até eu partir.

- Não. De jeito nenhum.

- Vai negar um pedido a uma moribunda?

- Vou. Porque eu vou me casar. Minha noiva chega ao Brasil na semana que vem.

- Antes do jantar?

- Sim. Vou ao jantar com ela.

A mãe sorriu. Um sorriso perigoso, calculado, que ele conhecia bem.

- Não pense que me engana. Celine estará nesse jantar. E um juiz de paz também. Se você não estiver devidamente casado, se casa com ela e vem morar aqui comigo.

Era o fundo do poço.

A mãe, com um casamento falido e cheio de acordos silenciosos, queria empurrá-lo para a mulher que destruíra sua vida. Se eles tinham um relacionamento podre e disfuncional, o problema era deles.

Gabriel pensou em contratar uma mulher qualquer, levá-la ao jantar e encerrar aquilo ali.

Mas a mãe era chantagista, manipuladora e não jogava para perder.

Na manhã seguinte, havia um envelope sobre sua mesa. Um testamento manuscrito, registrado em cartório. Nele, a mãe determinava que cinquenta por cento do patrimônio dela seria doado a Celine caso Gabriel não se casasse - com ela ou com qualquer outra mulher - ou se se separasse antes de completar um ano de casamento.

Ela o prendeu a um casamento. E ainda quis escolher com quem.

Gabriel não se importava com o dinheiro. Nunca se importou. Era o desaforo que ele não ia engolir. Ele tinha certeza que Celine planejou aquilo tudo para ficar com a herança de Fernanda. Não aceitaria aquilo nunca!

Mandou seu pessoal procurar alguém. Encontraram uma mulher que topava se casar em troca de uma quantia alta.

Como o testamento exigia que morassem juntos, Gabriel mandou a moça ir até o escritório. Dali, seguiriam direto para o cartório. Depois, ele a levaria para comprar roupas decentes para o jantar grandioso que promoveria naquela noite.

O jantar em que apresentaria, oficialmente, a Senhorita Poirot.

Que, a essa altura, já devia ter chegado ao Brasil.

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