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Cativa do Submndo
img img Cativa do Submndo img Capítulo 4 Entre o medo e a queda
4 Capítulo
Capítulo 6 O Jogo Antes do Toque img
Capítulo 7 Manual da Rendição img
Capítulo 8 A Ruína img
Capítulo 9 Nada É Tão Perigoso Quanto Nós img
Capítulo 10 O Prazer Não Pede Permissão img
Capítulo 11 A Mulher Que Ensina a Cair img
Capítulo 12 À beira do abismo img
Capítulo 13 Desejo e rendição img
Capítulo 14 Jogadas img
Capítulo 15 Désirée img
Capítulo 16 Regras img
Capítulo 17 Causa e Consequência img
Capítulo 18 Queimar img
Capítulo 19 Aos seus pés img
Capítulo 20 Desejo e rendição img
Capítulo 21 Desejo e humilhação img
Capítulo 22 Liberdade img
Capítulo 23 Meu prazer img
Capítulo 24 Tormenta img
Capítulo 25 Castigo img
Capítulo 26 Controle img
Capítulo 27 Dominação img
Capítulo 28 Luxúria img
Capítulo 29 Rendição doce img
Capítulo 30 Gosto amargo do prazer img
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Capítulo 4 Entre o medo e a queda

Eliza

Engoli em seco e, naquele instante, compreendi que Lilith não viera apenas cobrar dinheiro. Ela viera cobrar algo muito mais valioso. E, pela forma como seu olhar voltou a mim, atento, avaliador, possessivo senti, com um frio estranho no estômago, que eu fazia parte dessa conta.

- Eu tive alguns imprevistos, mas iria pagar em breve... - ele começou, a voz falhando.

A resposta dela veio antes que ele concluísse, fria, precisa e cortante.

- Quando assumimos um compromisso que não podemos cumprir, devemos encontrar outras formas de quitá-lo. - Lilith sustentou o olhar sobre ele por longos segundos, depois deixou que seus olhos percorressem a família reunida, avaliando cada rosto como se fossem mercadorias expostas. - Vim fazer uma proposta.

O silêncio que se seguiu foi sufocante.

- Meu último brinquedo teve um fim... trágico. - disse, sem emoção alguma. - Estou entediada. Preciso de algo novo para me distrair. Um novo animal para me entreter.

Meu estômago revirou ao observar que o olhar dela deslizou lentamente até minhas irmãs. Demorou-se, calculista e predatório.

- Gosto de loiras - acrescentou, como quem comenta uma preferência banal. - Pretendo levar uma de suas filhas comigo. Será meu animal de estimação pelos próximos meses. Tempo suficiente para que o senhor comece a pagar as parcelas da sua dívida... com juros.

Minha mãe empalideceu.

- Minha senhora... - ele respondeu, tentando manter a dignidade - sabe que em breve elas serão apresentadas formalmente à sociedade. Arrumarão bons maridos. Não seria sensato permitir que sejam rotuladas como descartáveis.

O ar mudou e a expressão de Lilith, antes quase entediada, endureceu. A suavidade deu lugar a algo perigoso.

- Não me lembro de ter pedido sua permissão. - disse, com calma absoluta. - Estou apenas oferecendo a oportunidade de escolha. Uma delas irá voluntariamente comigo. São apenas negócios.

Ela se inclinou levemente para a frente.

- E fique tranquilo. - continuou. - Eu trato o que me pertence com o devido respeito. Meus homens jamais tocam no que é meu.

Minha mãe levou a mão à boca, os olhos marejados, suplicando em silêncio. O meu padrasto desviou o olhar, covarde. E então senti os olhares se voltaram para mim.

Um tremor percorreu meu corpo inteiro. O medo veio forte, cru, quase me derrubando, mas permaneci imóvel. Aprendi cedo demais a esconder o pânico. As marcas da última surra ainda ardiam sob o tecido do casaco que eu usava para esconder a vergonha.

- A minha filha mais velha irá de boa vontade com a senhorita. - declarou minha mãe, lançando-me um olhar cruel, silencioso, ameaçador.

Meu coração afundou.

- Se assim o deseja. - Lilith respondeu, observando-me com atenção renovada - Então a dívida referente a esses seis meses será compensada com a estadia da sua filha em minha mansão.

- Mamãe, por favor... - minha voz escapou antes que eu pudesse contê-la.

Ela se levantou furiosa, mas Lilith foi mais rápida.

- Rosalie - chamou, levantando-se também. - Leve meu passarinho até o quarto. Ajude-a a arrumar suas coisas enquanto acerto os detalhes da transação com o senhor Ethan e a senhora Grace.

Observo ela colocar os óculos escuros novamente, mas não deixou de me observar.

- Sim, irmã. - Rosalie segurou minha mão com delicadeza. - Venha, não faça a Rainha de Copas esperar. Ela não tolera esse tipo de atraso.

Engoli em seco e permiti que ela me conduzisse. Cada passo parecia um adeus, um silêncio cortante.

Antes de cruzarmos o corredor, ouvi a voz de Lilith uma última vez, agora dura como aço.

- Quero deixar algo muito claro. - continuou. - Não permito que toquem no que me pertence. Se ousarem encostar em um fio de cabelo dela, teremos problemas sérios.

E então uma pausa breve, mas cruel.

- Nesse caso... - concluiu, com frieza calculada - não a levarei comigo. Levarei sua filha mais nova.

O mundo pareceu inclinar-se e, pela primeira vez desde que Lilith cruzara aquela porta, percebi que o jogo não estava sendo jogado apenas contra mim.

Contive as lágrimas que insistiam em cair. Engoli o resto de orgulho que ainda me sustentava e segui a senhorita Rosalie pelo corredor silencioso, sentindo meu mundo ruir em camadas lentas e cruéis. Eu não estava sendo libertada, apenas transferida. Saía de uma prisão conhecida para entrar em outra, mais vasta, mais sombria. E, naquele instante, tive a certeza de que aquilo poderia ser o meu fim.

- A senhorita irá preferir, muito em breve, estar sob as mãos da minha irmã... ao invés das da sua mãe. - a voz de Rosalie não trazia crueldade, apenas uma verdade nua, impossível de contestar.

Ela abriu a porta do quarto e me observou com atenção calculada.

- Leve apenas o que for sentimental. - orientou, firme. - Roupas, joias, qualquer coisa descartável devem ficar. Nada daqui lhe pertence de verdade.

Meu coração apertou.

Hesitei por um breve instante, mas obedeci. Sempre obedeci. Fui moldada para isso desde a infância, treinada para ceder, para abaixar os olhos, para aceitar ordens como destino.

Separei pequenas relíquias da minha existência apagada: um livro antigo de capa gasta, uma fotografia desbotada, um colar simples que pertencia à minha mãe. O resto, vestidos, sapatos, lembranças vazias, permaneci imóvel diante deles, como se nunca tivessem sido meus.

Enquanto dobrava os poucos objetos que levaria comigo, um pensamento me atravessou com violência.

Eu estava sendo entregue à toca dos lobos e eu... era apenas o cordeiro.

Indefeso, silencioso e à espera do sacrifício.

Mas, em algum lugar profundo, sufocado, esquecido, algo em mim ainda respirava. Uma chama pequena, teimosa, que se recusava a morrer.

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