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Cativa do Submndo
img img Cativa do Submndo img Capítulo 5 A dívida
5 Capítulo
Capítulo 6 O Jogo Antes do Toque img
Capítulo 7 Manual da Rendição img
Capítulo 8 A Ruína img
Capítulo 9 Nada É Tão Perigoso Quanto Nós img
Capítulo 10 O Prazer Não Pede Permissão img
Capítulo 11 A Mulher Que Ensina a Cair img
Capítulo 12 À beira do abismo img
Capítulo 13 Desejo e rendição img
Capítulo 14 Jogadas img
Capítulo 15 Désirée img
Capítulo 16 Regras img
Capítulo 17 Causa e Consequência img
Capítulo 18 Queimar img
Capítulo 19 Aos seus pés img
Capítulo 20 Desejo e rendição img
Capítulo 21 Desejo e humilhação img
Capítulo 22 Liberdade img
Capítulo 23 Meu prazer img
Capítulo 24 Tormenta img
Capítulo 25 Castigo img
Capítulo 26 Controle img
Capítulo 27 Dominação img
Capítulo 28 Luxúria img
Capítulo 29 Rendição doce img
Capítulo 30 Gosto amargo do prazer img
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Capítulo 5 A dívida

LILITH

A beleza de Eliza nas fotografias não chegava perto da presença real que agora se revelava diante de mim. As imagens jamais captaram aquela aura quase etérea, delicada demais para aquele ambiente, pura demais para o mundo ao qual eu pertencia.

Ela tinha algo de angelical, uma inocência silenciosa que não se aprendia, apenas se carregava, amável, ingênua e perigosamente vulnerável.

Observei cada gesto com atenção cirúrgica. O modo como mantinha os ombros tensos, como prendia a respiração quando percebia meu olhar, como tentava, inutilmente, esconder o medo enquanto a curiosidade a traía. Eliza estava aterrorizada e ainda assim havia nela uma dignidade tímida, uma tentativa quase infantil de parecer forte.

Quando ouvi Grace pronunciá-la como pagamento, como se fosse uma mercadoria qualquer, senti algo raro me atravessar.

Dor... e era breve, indesejada e inaceitável.

Ela empalideceu, o corpo frágil oscilando como se fosse desabar a qualquer segundo. Parecia prestes a se quebrar sob o peso da decisão que não lhe pertencia. Ainda assim, não permiti que nada transparecesse. Permaneci imóvel, fria, calculada. Emoções são luxos que líderes não podem ostentar e eu aprendi isso cedo demais.

Ordenei que Rosalie a levasse para o quarto, mantendo minha voz firme, controlada, como se aquela escolha fosse apenas mais uma cláusula contratual.

O que ela não sabia e ninguém ali precisava saber, era que nada havia sido improvisado. Havia um quarto preparado, roupas escolhidas com precisão, joias que dialogavam com sua pele, sua postura, sua delicadeza involuntária e tecidos pensados para envolver seu corpo, não para dominá-lo.

Tudo estava pronto para recebê-la, porque, a partir daquele momento, não seria apenas um pagamento Ela seria minha responsabilidade, minha posse. E, contra toda lógica que rege o meu mundo... algo que eu pretendia proteger ao meu modo.

Olhei para Grace com atenção calculada enquanto levava o copo aos lábios. O whisky desceu queimando a garganta, forte, encorpado, um lembrete agradável de que eu ainda sentia prazer em pequenas coisas. Quando voltei a encará-la, o ódio já fervilhava dentro de mim, denso e incômodo, subindo como um veneno antigo. Ainda assim, não deixei que nada transparecesse.

Ela cairia, assim como todos, um por um, todos cairiam.

- Não costumo fazer esse tipo de indagação... - comecei, a voz serena demais para o que carregava - mas, considerando que se trata de sua primogênita, acredito que seja justo perguntar. Prefere que sua filha seja parte do pagamento... ou deseja que eu a devolva após a quitação integral da dívida?

Ethan ergueu o olhar e inspirou fundo, reconheci aquele gesto imediatamente, era alívio.

- Pode ficar como parte do pagamento. - respondeu, apressada demais. - Dê-me alguns meses e começarei a pagar. Quanto a ela... - fez um gesto vago com a mão - pode fazer o que quiser. Aquela inútil não serve para nada. Não tem beleza, não tem valor. Todos a desprezam e falta-lhe intelecto.

Meus dedos se fecharam ao redor do copo com força suficiente para estilhaçá-lo, se eu quisesse. Não queria, ainda não, ela não fazia ideia da filha que tinha. Controlei a expressão, suavizando o rosto como quem aceita um acordo trivial.

- Um ano será suficiente para acumular uma quantia considerável da dívida - respondi. - Considerando que já usufruiu de seis meses da minha paciência, terá outros seis para iniciar os próximos pagamentos. Sugiro que não atrase.

Inclinei-me levemente à frente.

- Não serei benevolente outra vez. A cada atraso, arrancarei uma mão... depois a outra. Não especifiquei de quem.

Esvaziei o copo e o estendi, a criada apressou-se para pegá-lo, mas soltei-o antes que tocasse seus dedos. O cristal se despedaçou no chão, espalhando-se em fragmentos irregulares.

- Será suficiente, Rainha de Copas - Grace disse rápido demais. - Providenciarei para que não haja novos atrasos. Meu marido fechará um bom negócio em breve e tudo voltará ao normal.

Assenti com um leve aceno.

- Entendo. Mas, assim como este copo... - observei os estilhaços reluzindo no piso - será pedaço por pedaço até não sobrar nada. E então confiscarei seus bens mais preciosos.

Levantei-me, endireitando a postura com naturalidade ensaiada.

- Minha irmã levará meu pequeno... presente para casa. Ela fornecerá todas as informações necessárias para que sua filha não me seja devolvida em pedaços - ou em cinzas.

Estalei os dedos e me afastei, meus homens me seguiram, o mordomo se apressou em abrir a porta. Antes de sair, lancei um último olhar gélido para trás. Ajustei os óculos escuros e caminhei até o carro. A porta foi aberta. Entrei com calma absoluta.

- Leve-me até a Désirée.

Recostei-me no banco, peguei o celular e comecei a digitar. Precisava avisar alguns fornecedores. Marcel também deveria saber que eu estava a caminho, queria ver como andava o ensaio das meninas, a noite prometia.

Já era quase hora do almoço quando encerrei os compromissos da manhã. O relógio parecia marcar mais do que o tempo, marcava o momento exato de recolher o que agora me pertencia. Era hora de voltar para casa. Hora de colocar meu passarinho na gaiola de ouro... e entregar-lhe a chave.

A ilusão da liberdade sempre vem acompanhada de um preço, alto, silencioso e inegociável.

Enquanto o carro avançava pelas ruas, Rosalie me atualizava com precisão sobre cada passo que Eliza dera durante a minha ausência. O tom de sua voz era neutro, profissional, mas eu sabia ler nas entrelinhas: medo contido, curiosidade mal disfarçada, obediência absoluta. Tudo como previsto.

Se tudo corresse conforme o planejado, eu chegaria a tempo. Tempo de observá-la, de tocá-la sem tocá-la, de envolvê-la de forma tão sutil que, aos olhos de qualquer um, pareceria escolha nunca imposição.

A sedução precisava ser real. Não apenas para os outros... mas para ela. Não se conquista algo indomável com força bruta. Aprende-se o ritmo, o silêncio, a pausa certa. Aprende-se a fazer com que a entrega pareça um alívio, não uma rendição.

Sorri de leve, encarando o reflexo no vidro escuro da janela, Eliza ainda não sabia, mas sua gaiola não seria feita de grades. Seria feita de desejo, segurança e promessas perigosamente bem cumpridas e, quando percebesse, já estaria confortável demais para querer partir.

Avisei ao motorista que preparasse o carro que eu já estava descendo. Antes de sair, deixei ordens claras: retornaria mais tarde para o show e queria uma sala VIP preparada com absoluto sigilo. Teria uma reunião importante naquela noite. Um senador. E, se tudo saísse conforme o planejado, ele morderia a isca sem perceber o anzol escondido sob o brilho.

Nada como poder e vaidade para cegar homens que se julgam intocáveis.

Entrei no carro e me acomodei no banco de couro, permitindo-me alguns segundos de silêncio. Fechei os olhos brevemente, respirando fundo, tentando relaxar o corpo enquanto a mente seguia alerta. A próxima etapa exigia cautela cirúrgica e firmeza inabalável. Um passo em falso, e tudo poderia ruir. Negociações políticas nunca são sobre palavras, são sobre desejos ocultos, fraquezas bem exploradas e a ilusão de controle.

Observei a cidade passar pelo vidro escuro enquanto o carro avançava. Cada rua, cada esquina, cada rosto anônimo fazia parte do tabuleiro que eu mesma desenhara. O jogo estava em andamento, e eu já conhecia o final.

Só precisava conduzir cada peça com precisão, sem pressa e sem erros. Porque os homens mais perigosos não caem pela força, caem quando acreditam que venceram.

Assim que o carro parou, eles correram para abrir a porta. Sabiam que eu não tolerava atrasos, muito menos incompetência. Saí do veículo com a calma de quem já domina o território e caminhei até a entrada, que se abriu prontamente. Entreguei o blazer e a bolsa à governanta sem diminuir o passo.

- Rainha de Copas, o almoço será servido em breve. Sua convidada está no quarto, aguardando. - informou, após uma breve pausa estudada. Em seguida, estendeu-me um papel. - Aqui estão os recados da manhã, organizados em ordem alfabética, como a senhora prefere.

- Obrigada, Mary.

Afastei-me já dando ordens:

- Descerei em meia hora. Espero que tudo esteja impecável.

Subi as escadas em direção ao quarto da minha hóspede. Abri a porta sem avisar, lenta o suficiente para observar antes de ser notada. Ela estava de costas, absorta na paisagem além da janela, distraída pela beleza que se estendia diante dela como se ainda pudesse se permitir esquecer onde estava.

- Você já deveria estar pronta.

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