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Tarde Demais Para Implorar: Meu Ex-Marido Frio
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Capítulo 2

Ponto de Vista de Anaís

Nós nunca chegamos ao esconderijo.

Em vez disso, acabamos em um hotel barato de aeroporto nos arredores de São Paulo. Eu estava tremendo, sentada na beirada do colchão afundado, agarrando minha bolsa como se fosse minha vida. Heitor andava de um lado para o outro no espaço apertado, o celular pressionado contra a orelha enquanto tentava arranjar um voo.

Então, a porta não apenas se abriu; ela explodiu para dentro.

Eu nem tive tempo de gritar. Dois dos soldados de Domênico encheram o pequeno quarto, bloqueando a luz do corredor. Heitor se moveu para interceptá-los, seus reflexos afiados, mas ele estava irremediavelmente em desvantagem.

Um deles bateu a coronha de uma pistola na têmpora de Heitor com um estalo doentio.

Ele caiu no carpete instantaneamente, inconsciente antes mesmo de atingir o chão.

"Não!", gritei, avançando em sua direção.

Mãos fortes me agarraram por trás, parando meu movimento com uma força brutal. Senti o cheiro de colônia cara misturado com o odor forte de pólvora.

Domênico.

Ele me virou, seus dedos cravando em meus braços. Seu rosto era uma máscara de fúria fria e implacável.

"Você acha que pode simplesmente ir embora?", ele sibilou, sua voz um ronco baixo e perigoso. "Acha que pode simplesmente sair com ele?"

Ele me arrastou para fora do quarto, passando por cima do corpo inconsciente de Heitor como se ele não fosse nada mais do que lixo na calçada. Ele me jogou no banco de trás de sua SUV blindada com força suficiente para me deixar sem ar.

"Dirija", ele ordenou ao motorista.

"Para onde você está me levando?", perguntei, minha voz tremendo tanto que as palavras mal se formavam.

"Para casa", disse ele, olhando para frente. "Mas não vamos para o apartamento. Vamos para a clínica."

"Por quê?"

"Jéssica está com hemorragia", disse ele. Sua voz era desprovida de emoção, completamente distante e clínica. "O estresse do seu pequeno show causou complicações. Ela está perdendo sangue."

Encarei seu perfil, horrorizada. "O que isso tem a ver comigo?"

"Ela tem um tipo sanguíneo raro, Anaís. B-negativo." Ele finalmente olhou para mim, seus olhos vazios. "Assim como você."

Meu coração martelava contra minhas costelas, um ritmo frenético e errático. Não era apenas medo. Era a arritmia com a qual eu vivia desde a infância. Uma condição que Domênico conhecia. Uma condição que tornava a doação de sangue perigosa, potencialmente fatal.

"Eu não posso", sussurrei, pressionando a mão no peito. "Você sabe que não posso. Meu coração... O Dr. Esteves disse que meus níveis de ferro estão muito baixos. Poderia desencadear um evento cardíaco."

Domênico olhou para mim. Ele não via uma esposa. Ele nem mesmo via um ser humano. Ele via uma peça de reposição.

"Ela está carregando meu filho", disse ele friamente. "Você vai dar a ela o que for preciso."

Chegamos à clínica particular da família minutos depois. Cheirava a antisséptico e dinheiro velho. Eles me arrastaram para uma sala de preparação. Jéssica estava na sala ao lado, gemendo de dor, embora sua voz me parecesse forte o suficiente.

O médico da família, Dr. Esteves, parecia pálido quando Domênico me empurrou para a cadeira.

"Sr. Rezende", ele gaguejou, olhando entre nós. "O prontuário da Sra. Rezende... sua condição cardíaca. Uma transfusão dessa magnitude é arriscada. Ela pode entrar em choque."

"Faça", Domênico ordenou.

Agarrei o braço de Domênico, meus dedos desesperados.

"Se eu fizer isso", eu disse, minha voz tremendo. "Se eu salvar sua amante e seu bastardo... você me deixa ir."

Domênico olhou para mim. Ele sorriu de lado, um toque cruel em seus lábios.

"Você não está em posição de negociar, Anaís. Mas tudo bem. Doe o sangue, e discutiremos suas férias."

Ele estava mentindo. Eu sabia que ele estava mentindo. Mas eu não tinha escolha.

A enfermeira inseriu a agulha. Observei meu sangue vermelho escuro fluir pelo tubo, me deixando para sustentar a mulher que havia destruído minha vida.

Senti o frio se instalar imediatamente. Meu peito parecia pesado, como se uma pedra estivesse sobre meu esterno, esmagando o ar dos meus pulmões.

"Diminua a coleta", alertou o Dr. Esteves, seus olhos nos monitores. "O pulso dela está caindo."

"Continue", disse Domênico da porta. Ele estava observando o monitor no quarto de Jéssica, não o meu.

A sala começou a girar. Pontos cinzentos dançavam em minha visão, obscurecendo as luzes fluorescentes fortes. Meu coração palpitou - um pássaro preso em uma gaiola, batendo as asas contra as grades em pânico.

"Domênico", sussurrei, minha cabeça parecendo impossivelmente pesada. "Eu... eu não me sinto bem."

Ele não se virou.

"Os sinais vitais de Jéssica estão se estabilizando", uma enfermeira gritou do outro quarto.

"Bom", disse Domênico.

Minha cabeça pendeu para trás contra a cadeira. O bipe do meu monitor cardíaco ficou errático. Rápido. Depois lento. Depois dolorosamente lento.

"Sr. Rezende!", o médico gritou, o pânico crescendo em sua voz. "Ela está tendo uma parada!"

Eu vi Domênico se virar então. Vi um lampejo de irritação em seu rosto, como se minha morte fosse apenas um inconveniente para sua noite.

"Parem a coleta!", o médico gritou.

A última coisa que vi antes que a escuridão me engolisse foi Domênico saindo da sala para segurar a mão de Jéssica.

Fechei os olhos. E pela primeira vez em muito tempo, esperei não acordar.

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