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Tarde Demais Para Implorar: Meu Ex-Marido Frio
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Capítulo 4

Ponto de Vista de Anaís

Domênico havia pedido uma água tônica com gengibre para mim.

O chef a colocou na ilha da cozinha - um copo suado de gelo e falsa consideração.

Domênico estava na sala de estar, servindo um copo de água com gás para Jéssica, de costas para mim.

"Beba, Anaís", ele gritou. "Você vai precisar de forças."

Deixei o copo suando no mármore.

Entrei sorrateiramente no quarto de hóspedes. O tempo estava se esgotando.

Eu precisava dos documentos do cofre escondido atrás do quadro no corredor, e precisava do meu passaporte.

Abri a porta do armário.

E congelei.

Minhas roupas - minhas blusas de seda, meus casacos de inverno, os poucos vestidos que eu realmente amava - estavam retalhadas.

Pendiam em farrapos, encharcadas de vinho tinto escuro. O cheiro era sufocante, como se um vinhedo tivesse sido massacrado no escuro.

"Bem, que pena."

Eu me virei.

Jéssica estava encostada no batente da porta, com uma garrafa de removedor de esmalte à base de acetona em uma mão e uma vela acesa na outra.

"Foi você", eu disse.

Ela deu de ombros. "Eu precisava de espaço no armário. E, sinceramente? Seu gosto é tão... deprimente."

Ela entrou no quarto, chutando um pedaço de seda encharcado com o calcanhar.

"Sabe", disse ela, sua voz baixando para um ronronar conspiratório. "Dom me contou sobre sua avó. Como ela morreu sozinha porque ele estava 'preso no trânsito'."

Fiquei rígida. Minha avó me criou. Quando ela estava em seu leito de morte, três anos atrás, implorei a Domênico que me levasse ao hospital. Ele disse que estava atrasado. Perdi seu último suspiro por dez minutos.

"Ele não estava no trânsito, Anaís", Jéssica sorriu, cruel e brilhante.

"Ele estava comigo. Estávamos naquele bistrô na Rua Oscar Freire. Ele desligou o celular porque eu não queria que ele se distraísse."

Um rugido encheu meus ouvidos - não um som, mas pura fúria incandescente.

"Você mente", sussurrei.

"Pergunte a ele", ela riu.

Não pensei. Apenas agi. Avancei.

Jéssica gritou. Ela tropeçou para trás, a garrafa de acetona escorregando de sua mão.

Ela se estilhaçou no chão, espalhando o acelerante transparente sobre as sedas encharcadas de vinho e o carpete.

A vela em sua outra mão balançou.

Ela a jogou em mim.

Errou, mas encontrou a poça.

*Whoosh.*

O quarto não apenas pegou fogo; ele inalou as chamas.

O fogo subiu pelas cortinas, devorando o álcool e os produtos químicos.

Jéssica gritou, recuando para o corredor.

"Domênico!"

Caí de joelhos, tossindo enquanto a fumaça preta sufocava o pequeno quarto instantaneamente.

Meu peito se apertou. Meu coração falhou.

Domênico apareceu na porta. Seus olhos se arregalaram.

Ele olhou para o inferno. Olhou para mim, de joelhos, lutando por ar.

Olhou para Jéssica, segura no corredor, com lágrimas falsas escorrendo pelo rosto.

"Ela tentou me queimar!", Jéssica gritou. "Ela está louca, Dom! Salve o bebê!"

Domênico não hesitou.

Ele não entrou no quarto para me ajudar. Ele não estendeu a mão para mim.

Ele agarrou Jéssica, envolveu o braço em volta dela e virou as costas.

"Vamos", disse ele a ela.

Ele me deixou.

Ele me deixou para queimar.

Observei suas costas desaparecerem na esquina.

O calor era escaldante. A fumaça era um peso físico, esmagando meus pulmões.

Rastejei. Fiquei abaixada, sob o calor ondulante.

Cheguei à saída de serviço na cozinha, empurrei a porta e desabei na escadaria fresca.

Não parei. Não podia.

Corri por vinte lances de escada. Minhas pernas pareciam chumbo. Meu coração gritava contra minhas costelas.

Saí correndo para o beco e chamei um táxi.

"Para o aeroporto", ofeguei.

Eu tinha o passaporte. Tinha os documentos enfiados na minha cintura.

No terminal, comprei um envelope.

Enfiei minha aliança dentro.

Adicionei os prontuários médicos da clínica - aqueles que eu havia pego da mesa da enfermeira enquanto Domênico segurava a mão de Jéssica.

Enderecei para Dom Carlos Medeiros.

Então caminhei até a lixeira.

Peguei meu celular e quebrei o chip ao meio.

Joguei-o no lixo.

Embarquei no avião para Lisboa.

Enquanto as rodas deixavam o asfalto, olhei para as luzes cintilantes da cidade.

Anaís Ferraz havia morrido naquele incêndio.

A mulher sentada no assento 4A era outra pessoa.

E ela estava vindo para cobrar sangue.

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