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Luna - Até que a vida nos separe
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Capítulo 2 O que a lua não protege

Caroline

Anna não me chama de Luna.

Nunca chamou

- Você tem certeza? - ela pergunta pela terceira vez, enquanto espalha os documentos sobre a mesa baixa.

A casa dela é pequena demais para títulos e grande o bastante para verdades. Aqui, ninguém mede o tom da minha voz. Aqui, eu sou só Caroline.

- Tenho - respondo. - O que eu não tinha era tempo. Isso eu usei bem.

Anna cruza os braços, me observando com aquele olhar que mistura amizade e advocacia.

- Então vamos fazer direito - diz. - Porque pedir divórcio de um Alpha não é o mesmo que pedir divórcio de um humano qualquer.

Ela empurra uma pasta grossa em minha direção.

- Nós temos provas - continua. - E você tem algo ainda mais raro.

Abro a pasta, já sabendo o que vou encontrar. Registros de transferências. Contratos. Extratos. Meu nome repetido vezes suficientes para não poder ser apagado com facilidade.

- Patrimônio próprio - Anna diz. - Construído legalmente. Você trabalhou anos na empresa da tribo. Recebeu salário. Investiu. Guardou. Tudo limpo.

A empresa da Tribo Argentis. O coração financeiro da alcateia. Onde trabalhei tempo suficiente para que me vissem como útil, mas nunca poderosa.

- Isso não impede que eles tentem te enfraquecer e nem garante que vão aceitar o divórcio - ela continua. - Mas impede que te deixem sem nada.

Fecho a pasta com cuidado.

- Exatamente.

Caminho até a janela. A lua ainda está alta, como se estivesse no controle de tudo. A lua não erra, dizem. Mas ela nunca assinou contratos.

Volto para a mesa.

- As provas da traição continuam sendo nossa carta silenciosa - digo. - Não como ataque.

- Como proteção - Anna concorda. - O conselho saberá que você poderia causar danos.

- E Xavier?

Ela inclina a cabeça.

- Ele vai perceber tarde demais que você sabe e não vai aceitar isso tranquilamente

Penso nos anos em que dediquei ao nosso casamento, quanta devoção à Xavier, e com o passar dos anos o quanto ele me afastou e tive que trabalhar dobrado para provar valor. Nas noites em que fiquei até tarde enquanto ele representava a tribo. No dinheiro que guardei em silêncio, sem saber exatamente para quê - apenas sabendo que um dia poderia precisar.

- Quando posso dar entrada no pedido? - pergunto.

- Quando quiser. - Anna segura minha mão. - Mas preciso ser clara: você perde o título, o sobrenome Ravenn, a posição na empresa... e a ilusão de proteção.

- E ganho o quê?

Ela sorri, pela primeira vez.

- Independência real.

Solto o ar devagar.

- Preciso pensar.

Quando deixo a casa de Anna, a noite parece diferente. Não mais ameaçadora. Apenas aberta.

A lua ainda observa.

A tribo ainda manda.

A empresa ainda gira sem mim.

Mas, pela primeira vez, sei exatamente o que é meu.

E isso é muito mais do que eles esperam que eu leve comigo.

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