O escárnio de Ethan era cortante, fatiando a tensão como uma lâmina. "Foi você quem veio para minha cama naquela época. E agora quer simplesmente ir embora? Nyla, você realmente acha que sou tão fácil assim de lidar?"
Já fazia um tempo desde o colapso repentino da família Green. Da noite para o dia, o mundo de Nyla desmoronou. Seu pai, Lorenzo Green, tirou a própria vida para provar sua inocência, e seu irmão foi parar atrás das grades.
Sua mãe, desesperada para sobreviver, se tornou amante do irmão mais velho de Ethan, Ryland Brooks. Quando a esposa de Ryland faleceu, a mãe de Nyla - grávida do filho de Ryland - se casou com ele.
A família Brooks não escondia seu desprezo.
Nyla sempre soube seu lugar, mantendo distância da família Brooks sempre que possível. Mas eles nunca pretendiam parar de atormentá-la. Sem opções, ela recorreu a Ethan. Como líder atual da família Brooks e um dos homens mais poderosos de Ulares, ele era o único que poderia oferecer-lhe proteção.
Agora, ela o encarava, com seu ombro exposto enquanto o lençol fino escorregava. Sua pele macia brilhava na luz tênue, uma imagem de tentação e sedução.
"Então, como chamamos esse... acordo?" Sua voz era baixa, quase zombeteira. "Parceiros de cama? Amantes? Ou apenas amigos com benefícios?"
O olhar de Ethan se fixou no rosto dela - perigosamente belo, do tipo que arrastava o caos por onde passava. Seu desejo reprimido se reacendeu, brilhando em seus olhos.
"Se você quiser algo mais, posso considerar", disse ele, em um tom indiferente enquanto a soltava e acendia outro cigarro.
A insinuação era clara: ele não estava desistindo, pelo menos não ainda.
A amargura subiu pela garganta de Nyla. Ela poderia suportar ser sua parceira sexual, mas não se permitiria se tornar a outra mulher. Esse era um limite que ela se recusava a ultrapassar.
"Ethan, estou cansada. Isso... seja lá o que for, acabou." A palavra "acabou" soou vazia, já que Ethan nunca havia reconhecido o que eles tinham em primeiro lugar.
Com as mãos trêmulas, mas sua determinação firme, ela puxou o vestido rasgado sobre o corpo.
A expressão de Ethan se obscureceu enquanto ele exalava uma nuvem de fumaça. "O que está tentando provar com essa birra?"
Nyla parou por um momento, se controlando com toda a sua força de vontade. Ela se ergueu, encarando-o. "Senhor Brooks, se não pode me dar o que quero, então não vamos perder mais tempo. Preciso seguir em frente."
Suas palavras atingiram um ponto sensível. Ethan agarrou o braço dela, puxando-a para seu colo. Suas pernas macias roçaram nele, reacendendo a tensão mais uma vez.
"Seguir em frente? Com quem?" Sua voz estava carregada de ameaça. "Quem mais poderia te satisfazer como eu? Não aja como se tudo isso fosse um erro. Foi você quem veio para minha cama, Nyla. Não pense que vou deixar você se esquecer disso."
A compostura de Nyla se quebrou quando a raiva se acendeu dentro dela. Com lágrimas nos olhos, ela o encarou. "E daí se eu fiz isso? Estou arrependida! Você vai se casar com Callie, e eu deveria ficar aqui esperando pelas suas migalhas? Posso até ser sem vergonha, Ethan, mas não sou tão patética assim."
O ar entre eles era sufocante, pesado com verdades não ditas e uma tensão insuportável. De repente, um toque de celular quebrou o silêncio.
Ethan olhou para o celular, com a irritação estampada no rosto. Ele estava prestes a ignorar a ligação quando viu o nome na tela:
Callie. Sem hesitar, ele soltou Nyla e atendeu.
Nyla observava em silêncio, com o coração apertado ao ouvir o tom gentil dele, que ele só usava com ela na cama. Nesse momento, ela sentiu a humilhação se instalar profundamente em seu peito.
"Já estou indo." Após encerrar a ligação, Ethan se vestiu e se virou para Nyla. "Vou pedir para Jackson transferir o dinheiro para sua conta. Nem pense em ir embora."
Em seguida, a porta se fechou atrás dele. Nyla ficou sentada, olhando para o espaço vazio que ele deixou para trás. Então, com uma risada amarga, ela enxugou as lágrimas.
Se ela não podia ter o que queria, então recuperaria o pouco que restava de sua dignidade. Era hora de seguir em frente.